Meio ambiente, êxodo urbano e a evolução da sociedade

Meio ambiente, êxodo urbano e a evolução da sociedade

Há cerca de 10 mil anos, o homem percebeu que criar assentamentos era mais vantajoso para a sua sobrevivência do que viver em um processo nômade contínuo. Até então a nossa raça era de caçadores e coletores, ou seja, perambulava por aí, caçando o que via pela frente e coletando algumas frutas, legumes e outras plantas. Foi neste ponto que nasceu a agricultura, as cidades e tudo mudou. Voltemos para 2021. Muita coisa mudou e também parece que esquecemos muita coisa.

Existe uma pesquisa bem interessante sobre a possibilidade de herdarmos traumas. Pesquisadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, borrifaram acetofenona – um composto orgânico que tem cheiro de flor de cerejeira — através das gaiolas de ratos machos adultos, enquanto disparavam uma corrente elétrica em suas patas. Após várias repetições, os ratos passaram a associar o aroma da flor de cerejeira à dor. Pouco depois, esses machos procriaram. Quando seus filhotes sentiram o cheiro de flor de cerejeira, ficaram mais agitados e nervosos do que filhotes cujos pais não tinham sido condicionados a temê-lo.

Com o ser humano, parece que os choques não surtiram efeitos. Alguns destroem florestas, ignorando todo o aprendizado nômade; outros criam animais selvagens, como leões e tigres, esquecendo o medo que nossos antepassados tinham de predadores; e por aí vai. É claro que esse assunto é bem mais complexo e não dá para resumir em dois parágrafos, mas o que quero dizer é que nos distanciamos do meio ambiente e isso tem gerado problemas ainda mais complexos nos dias de hoje.

Para entender um pouco essa evolução, sugiro que vá conhecer o jogo Humankind. Produzido pela Amplitude Studios e publicado pela SEGA, é um jogo de estratégia que acompanha o desenvolvimento da humanidade, passando pela construção de cidades, criação de exércitos e uma cultura própria, até chegar na Era Moderna. Previsto para 22 de abril de 2021 e disponível para Windows e MacOS, eu joguei a versão beta, chamada “Lucy OpenDev” e posso adiantar que é uma experiência enriquecedora para quem quer aprender, de forma lúdica, sobre a evolução da raça humana. Segundo a produtora, são 60 culturas diferentes e mais de um milhão de combinações. Se você nunca jogou algo semelhante, como o famoso jogo Civilization, talvez a curva de aprendizado do jogo seja um pouco mais demorada, mas vale a pena. Afinal, não teria como ser simples, se estamos falando de algo que já é tão complexo no mundo real (veja o trailer abaixo).

Voltando ao mundo real, alguns textos atrás, falamos sobre agricultura vertical e como estamos reaprendendo a plantar. Quase como crianças brincando de feijões no algodão, estamos aprendendo que é possível criar pequenas hortas dentro de casa. E isso vai gerar um profundo impacto na forma como desenhamos as cidades, além de impactos diretos no meio ambiente. Sobre isso, tenho visto uma série de discussões permeando as mais diferentes esferas: A agricultura vertical vai matar a agricultura familiar? Quais os impactos econômicos da agricultura vertical? Como isso vai impactar a forma como vendemos alimentos? Enfim, são várias perguntas, ainda sem respostas conclusivas, pois temos diferentes players envolvidos na discussão e nem sempre estão falando sobre impactos no meio ambiente, mas impactos no bolso do agronegócio. Um tema delicado!

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Em paralelo, tenho visto um movimento que, de imediato, pode parecer não ter ligação, mas lá na frente vai se somar a equação da sociedade: o êxodo dos centros urbanos. Principalmente aqui no Brasil, esse movimento ainda é muito suave e parece não ser digno de grandes destaques. Já no Reino Unido, com a pandemia somada ao Brexit, vimos a maior queda populacional em Londres desde a Segunda Guerra Mundial. “Cerca de 1,3 milhão de estrangeiros deixaram o país entre o terceiro trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020, segundo dados do Centro de Excelência de Estatísticas Econômicas (ESCOE, na sigla em inglês), afirma a BBC.” Não é só em Londres. No auge da primeira onda do Covid-19, falamos aqui sobre os impactos do êxodo empresarial na ilha de Manhattan.

No Brasil, mesmo antes sem o fim da pandemia, algumas empresas têm adotado o trabalho remoto e se desfeito de seus escritórios. Isso tem gerado uma descentralização dos funcionários. Principalmente no setor de tecnologia, tem sido comum ver pessoas trabalhando para grandes empresas fora do centro urbano ou em cidades satélites. Um exemplo de empresa que adotou esse tipo de formato é o Grupo Heineken. Segundo a CNN Brasil, a operação brasileira da empresa decidiu adotar o teletrabalho definitivo para os 1,3 mil colaboradores das áreas corporativas da empresa. Ainda de acordo com a notícia, “a mudança está conectada a outras decisões de transformação da cervejaria, que percebe na mudança uma forma de acelerar a internalização da cultura digital, além do ganho com a redução de custos operacionais nas unidades de São Paulo e Itu.”

Tudo isso acaba resultando em uma equação ainda sem resultado aparente, mas vai acabar gerando grandes mudanças, principalmente no meio ambiente. O conceito Cidade de 15 Minutos, fará com que possamos reduzir as emissões globais de combustíveis, colaborar com o aquecimento global e buscar mais soluções sustentáveis, principalmente com países como o EUA voltando ao Acordo de Paris. O tema é tão complexo, que quero terminar o texto de hoje não com um ponto final, mas uma série de links para que possamos continuar pensando:

Imagem Destaque: narikan/Shutterstock