2099: O futuro do planeta precisa ser pensado e alterado agora

Quero propor algo novo neste Inova+. Ao invés de falarmos sobre algo que está acontecendo agora, farei um exercício de futurismo — já tenho feito isso em um podcast (ouça abaixo). Mas antes de continuar, acho válido fazer um breve comentário sobre a disciplina aplicada. O futurismo (ou futurologia) não envolve bola de cristal ou qualquer poder místico. Em entrevista para o ProXXIma, Tiago Mattos, cofundador das escolas Aerolito e Perestroika e membro do corpo docente da Singularity University, sintetizou bem o futurismo: “é uma disciplina que investiga, explora, traduz e acelera as possibilidades futuras no tempo emergente e pós-emergente.” Ele completa, “há um lado extremamente racional e técnico no futurismo, mas também há um espectro intuitivo e exploratório”. Dito isso, vamos seguir com nosso exercício sobre o futuro do planeta.

O ano é 2099 e tudo mudou

São 14:34 de uma segunda-feira e faz 38ºC em São Paulo1. Já tem alguns dias que não chove na cidade e a crise hídrica só tem piorado. Prevejo um aumento no racionamento de água em breve. A previsão é que choveria no fim de semana, mas a garoa de sexta não serviu para quase nada, acho que é por isso que São Paulo é chamado de “Terra da Garoa”, pois não vejo chuva forte há tempos e a falta de áreas verdes nos obriga ficar dentro do apartamento. O noticiário diz que foram registrados 22 milímetros de chuva este mês, mas eu acho que esse volume não chegou no asfalto, porque parece tudo quente demais para um inverno.

Para ajudar, minha Alexa parece que enlouqueceu e toda hora fica ativando o umidificador de ar da casa, que agora atira pequenos sprays de água. Já pedi uma visita técnica, mas a Amazon mandou um e-mail falando que “devido o racionamento de energia, os robôs de assistência estão operando em menor volume”. 

Há 40 anos, todo mundo achava que as “fazendas” de energia solar seriam o futuro do planeta, mas parece que ninguém previu que as placas fotovoltaicas não eram imunes a poluição2 de uma das maiores metrópoles do país. De nada adiantou trocar hidroelétricas, se o volume de CO2 continuou apenas crescendo. E a coisa só piora. O que antes eram chamados de “rios voadores”3, agora são colunas de fumaça. As queimadas na Amazônia parecem um grande vulcão e toda a fumaça vem parar aqui no sudeste.

Se abro a janela, parece que estou cheirando o carvão da churrasqueira; se fecho, minha assistente entende que tem que ficar borrifando água. Já me sinto um alface da Pink Farms, preso em um cubículo, quase sem luz solar e com borrifadas d’água na cabeça de tempos em tempos.

Sim, eu sei que poderia ser pior. Nem imagino como deve ser viver em Montevidéu. Estamos quase entrando no século XXII e ninguém arranjou um jeito de utilizar água do ar de forma inteligente, ou seja, a capital uruguaia é um grande deserto. Ok, não é pior do que Brasília. Se em São Paulo pulamos dos 38ºC de dia para os 11ºC de noite, por lá a coisa é bem pior. 

Já tem político propondo mudar a capital para Salvador ou alguma outra cidade do nordeste. O senador Everardo Neto sugeriu que Itapipoca4, no Ceará, torna-se a nova capital do país. Segundo ele, “não dá para trabalhar em uma cidade que fica no meio de um dos maiores desertos do mundo! [se referindo a Brasília] A cidade [Itapipoca] está perto do porto de Lagoinha, é um dos maiores IDHM da região e seria uma homenagem ao ex-presidente Tiririca [avô do senador]”.

1Qual o dia mais quente e o mais frio de São Paulo na história (link); 2Painéis solares na China estão parando de funcionar por causa da poluição (link); 3O que são os ‘rios voadores’ que distribuem a água da Amazônia (link); 4Panorama IBGE: Itapipoca – CE (link)


Leia também: Relatório da ONU mostra aceleração dos impactos das mudanças climáticas


De volta aos anos 20: Nossos impactos hoje e amanhã

É claro que exagerei em alguns pontos, mas me reservo o direito da licença poética para ilustrar com palavras um futuro do planeta que não é tão impossível. Agosto de 2020 foi o mês que utilizamos no InovaSocial para falar sobre consumo e meio ambiente (e seus impactos). Começamos o mês falando sobre 4 formas de praticar o consumo consciente em casa. Dicas simples, mas que ainda precisam ganhar destaque, pois muita gente esquece de aplicar no dia a dia.

Também falamos sobre estruturas impressas em 3D que ajudarão na recuperação de corais e das florestas verticais mais exuberantes do mundo. Além de um Inova+ especial sobre 10 princípios para a exploração sustentável da Amazônia e dois textos que abordaram o tema “a luta contra os produtos plásticos”: “Da garrafa ao cartão de crédito: A luta contra os produtos plásticos” e “Com serviço de refil, startup chilena incentiva reutilização de embalagens”. Fecha o conjunto o nosso podcast #5, “Consumo consciente e inovação com produtos naturais”, onde conversei com Marcelo Ebert, CEO da YVY — empresa de produtos de limpeza de origem natural; sobre consumo consciente, inovação e o futuro do nosso cotidiano impactado pela pandemia (ouça abaixo).

Isso tudo para dizer… Não deixe de cuidar do futuro do planeta e do meio ambiente. Pode ser que em 2099 você e eu não estejamos por aqui, mas pode ser que este seja o planeta de nossos filhos e netos. Mesmo que eles tenham ido colonizar outro planeta e tenham deixado este planeta azul à deriva no espaço, lembre-se que, de hoje até dois mil e alguma coisa, se não começarmos a agir nas mudanças do planeta, os efeitos (e consequências) serão sentidas aos poucos. Você acha que será confortável aproveitar sua aposentadoria em um planeta mais quente e mais poluído?

Imagem Destaque: PopTika/Shutterstock

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