Estruturas impressas em 3D poderão ajudar na recuperação de corais

Os corais mais antigos já estavam no planeta Terra há 450 milhões de anos (como método de comparação, os dinossauros aparecem em nossa história há 240 milhões de anos e o ser humano há 7 milhões de anos). Os recifes ocupam menos de 0,2% do solo oceânico, mas estão espalhados por 150.000 km de costa por todo o planeta, em mais de 100 países e territórios, e contém cerca de 25% da biodiversidade oceânica.

Milhares de espécies marítimas fazem dos corais sua casa, seu abrigo e seu esconderijo de predadores. Na Grande Barreira de Corais, localizada no nordeste da Austrália, é possível encontrar 400 espécies de coral, 6 espécies de tartarugas, 1.500 espécies de peixes e 4.000 espécies de moluscos.

Elementos extraídos de corais têm sido usados para desenvolver tratamentos para doenças como asma, artrite, câncer e doenças cardíacas. Além disso, os recifes de coral rendem US$ 7,5 trilhões à economia global anualmente, por estarem diretamente ligados aos mercados como o turismo e a pesca. Milhões de pessoas no mundo todo dependem dos recifes para se alimentar e trabalhar. Além disso, os corais também reduzem a energia das ondas em 95%, fornecendo proteção contra fenômenos como terremotos, furacões e tsunamis. Para saber mais sobre esse assunto fascinante, recomendamos que você assista ao documentário “Em Busca dos Corais“.

Apesar de todos os seus benefícios, aproximadamente 50% dos corais do mundo já morreram e a mudança climática e a poluição marítima são as maiores causas desses acontecimento.

Pesquisadores da Universidade de Hong Kong e pelo Instituto Swire de Ciências Marinhas estão construindo estruturas de argila impressas em 3D para resgatar os corais localizados nas águas de Hong Kong.

Em 2018, o tufão Mangkhut destruiu 80% dos corais ao norte da península de Sai Kung. E, como a recuperação dos corais pode levar décadas, a equipe de pesquisadores desenvolveu as estruturas, que são instaladas no solo marítimo e poderão servir como um habitat para esses corais, permitindo que eles cresçam vertical e horizontalmente. A argila foi escolhida como o material ideal para o projeto pois sua composição não interfere nas condições subaquáticas.

Embora todas as estruturas nesta primeira parte do estudo sejam idênticas, a equipe usará formas diferentes na próxima fase, para descobrir como elas afetam a espécie. As formas também podem ser específicas para o ambiente e as condições subaquáticas em que serão colocadas; no caso do estudo, por exemplo, o desenho foi feito para evitar o acúmulo de sedimentação marinha, um processo presente nas águas de Hong Kong, causado pelo clima subtropical da região.

Os testes com as estruturas começaram no início da primavera do hemisfério norte, em um ambiente simulado. Após os resultados se mostraram positivos, a equipe imprimiu mais 128 estruturas de argila, que foram semeadas com fragmentos de coral e instaladas no solo marítimo em julho, em uma área de aproximadamente 40m2. Os pesquisadores irão monitorar o crescimento de corais no local durante os próximos dois anos. Este é apenas o início do projeto, a equipe planeja desenvolver novas estruturas e expandir ainda mais a restauração do fundo do mar na área.

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