Sem rótulo ou feita de CO2, conheça as novas embalagens “verdes”

Talvez você tenha visto a polêmica em torno das novas embalagens da Apple e da ausência de tomadas (sim, os “carregadores” são as tomadas, não o cabo. O cabo do iPhone 12 continua presente na caixa). Essa movimentação é apenas uma das diversas que estão acontecendo ou irão acontecer no campo das embalagens. Caso o Green New Deal (leia mais sobre neste link) consiga evoluir nos EUA, aquela que é uma das maiores economias do mundo deve, cada dia mais, pressionar as empresas por ações contra o volume de lixo, adoção de mais materiais recicláveis e etc.

Leia também: Reciclagem, lixo doméstico e a luta sanitária durante a pandemia

Isso não quer dizer que será ruim; muito pelo contrário. Mas isso quer dizer que teremos que nos adaptar a um novo jeito de consumir — independente do que seja o produto. Algumas mudanças podem ser mais simples, como a embalagem de Bonafont sem rótulos (veja abaixo); e outras mais drásticas, como a retirada das tomadas do produto.

No texto “Da garrafa plástica ao cartão de crédito: A luta contra os produtos plásticos” já havíamos falado sobre algumas iniciativas neste campo. Com o isolamento social, é previsto que a quantidade de lixo plástico despejado nos oceanos todos os anos quase triplicará até 2040, chegando a 29 milhões de toneladas métricas. E algo precisa ser feito, mesmo que sejam pequenas ações.

A garrafa sem rótulo: Uma tendência para as embalagens

No início do mês de outubro, a Danone anunciou o lançamento das novas garrafas de 1 litro da água mineral Bonafont e que agora virão sem rótulos (com as informações gravadas diretamente no corpo da garrafa produzida de PET reciclado). A iniciativa é parte do compromisso de sustentabilidade até 2025 da empresa, que visa garantir que nenhuma garrafa acabe na natureza.

O compromisso da companhia é baseado em três pilares: recolher e reciclar 100% do volume de plástico que coloca no mercado; reduzir o uso de plásticos virgens em seus produtos, alcançando 50% de Rpet (PET reciclado pós-consumo) em suas garrafas até 2025 e 100% até 2030; e incentivar o uso da Bonafont Re.torna, linha retornável de galões.

A embalagem, batizada de “Garrafa Manifesto”, tem a cor alaranjada e as informações gravadas em relevo no corpo da embalagem. Um dos grandes obstáculos para adotar o modelo era a impressão do código de barras, agora impresso na tampa.

Sem rótulo e feita de CO2, as novas embalagens "verdes"

Retirar o rótulo das garrafas é uma forma de facilitar o processo de reciclagem. “Os recicladores precisam retirar um a um os rótulos, e isso atrasa muito o processo”, afirma Ricardo Vasques, presidente da divisão de águas da Danone no Brasil.

A garrafa feita de gás carbônico

Outra marca com foco em inovação sustentável e que está remodelando suas embalagens é a L’Oréal. Em parceria com a startup de biotecnologia LanzaTech e a empresa de energia Total S.A. lançou a primeira embalagem de plástico sustentável do mundo feita a partir de gás carbônico capturado da atmosfera. Com o processo pioneiro que recicla e transforma CO2 em plástico para embalagens dos cosméticos, os três parceiros buscam provar que é possível abrir o caminho para novas oportunidades de captura e reutilização de emissões industriais de CO2. 

Para que seja possível transformar as emissões de CO2 em plástico e substituir a embalagem comum por uma versão mais sustentável, o processo é feito em três etapas:

  1. A empresa LanzaTech captura as emissões de carbono industrial e as converte em etanol usando um processo biológico exclusivo;
  2. A Total converte o etanol em etileno graças a um processo inovador de desidratação desenvolvido em conjunto com a IFP Axens. Em seguida, a companhia polimeriza o etileno em polietileno, um plástico que possui as mesmas características técnicas daquele feito a partir do petróleo;
  3. Por fim, a L’Oréal usa este polietileno para produzir embalagens com a mesma qualidade e propriedades do polietileno convencional.

“A L’Oréal está constantemente melhorando a pegada ambiental de suas embalagens. Com essa inovação na conversão das emissões de carbono em polietileno, pretendemos desenvolver uma nova solução de embalagem sustentável. Temos a ambição de usar este material sustentável em nosso frasco de shampoo e condicionador até 2024 e esperamos que outras empresas se juntem a nós no uso dessa inovação revolucionária”, comemorou Jacques Playe L’Oréal, Diretor de Embalagem e Desenvolvimento da L’Oréal.

Imagem Destaque: chaiyapruek youprasert/Shutterstock

Assine nossa newsletter!

Para conferir em primeira mão os conteúdos do InovaSocial em seu e-mail, assine agora nossa newsletter.
Insira o seu e-mail