É possível usar energia solar para gerar água limpa?

Estima-se que 783 milhões de pessoas no planeta não têm acesso a água limpa e potável. Além de afetar tarefas básicas do dia a dia (como cozinhar, beber água e tomar banho – o que já é extremamente ruim); esse problema toma proporções muito maiores quando vamos mais a fundo. A doença diarreica aguda é uma das principais causas de morte no mundo todo, e está diretamente relacionada à água potável insegura e à falta de acesso aprimorado ao saneamento e higiene.

Diante desse cenário assustador, pessoas ao redor do mundo têm se movimentado em busca de soluções inovadoras para resolver esse problema. Hoje, conheça dois projetos que usam energia solar para fornecer água limpa para a famílias no Brasil e em países da África.

Aqualuz

Foi em uma viagem pelo semiárido brasileiro que a jovem Anna Luisa Baserra decidiu que usaria seu conhecimento científico para criar uma nova tecnologia que pudesse fornecer água limpa para comunidades mais pobres.

“Essas comunidades rurais precisam armazenar água durante as chuvas, para que não precisem caminhar longas distâncias nas estações mais secas. Às vezes, a água está infectada com doenças e, muitas vezes, ela não é limpa,” diz Anna.

Foi assim que nasceu o Aqualuz, um filtro que purifica a água da chuva coletada em uma cisterna, instalada em áreas rurais onde a água corrente não é acessível – situação que afeta mais de um milhão de pessoas no país. Na cisterna, a água é purificada usando os raios do sol. Um indicador muda de cor para sinalizar quando a água está segura para o consumo.

A invenção de Anna tem baixo custo, é de fácil manutenção e limpeza, e pode durar até 20 anos.

Através da startup Safe Drinking Water for All, o Aqualuz já levou água potável para 300 famílias em 5 estados e 18 municípios brasileiros. Hoje, a startup tem trabalhado no desenvolvimento do Aquapluvi, um dispositivo híbrido para coleta de água de chuva ou uso na rede de abastecimento a ser implantado em telhados pré-existentes (como de pontos de ônibus, mercados e hospitais), com o objetivo de facilitar a higienização das mãos para pessoas em trânsito e população de rua, vulneráveis a doenças como a COVID-19.


Para saber mais sobre a jornada de Anna e sua equipe, acesse o site oficial da Safe Drinking Water for All.


Solar Water Solutions

Cerca de 71% da superfície do planeta Terra é coberta por água. O problema é que quase 98% dessa água está no mar, cheia de sal. Embora seja possível dessalinizar parte dessa água, é um processo caro e que requer um uso intenso de energia. Mas e se um painel solar pudesse funcionar como um purificador de água? É isso o que uma startup finlandesa chamada Solar Water Solutions tem feito, em países da África.

Usando uma técnica de dessalinização chamada osmose reversa, o sistema pode funcionar com energia solar, sem o uso de baterias, o que elimina a grande pegada de carbono de uma usina de dessalinização que consome muita energia, além ter um custo bem menor.

“Basicamente, os custos de operação são zero, porque a energia solar é gratuita”, diz Antti Pohjola, CEO da Solar Water Solutions. A dessalinização geralmente usa grandes quantidades de eletricidade porque na osmose reversa é preciso manter a água a uma pressão constante. A tecnologia criada pela startup de Antti Pohjola mantém a água na pressão correta de forma independente, para que o sistema possa funcionar sem conectar-se à rede ou usar um conjunto de baterias caras para armazenar energia.

Em algumas comunidades remotas, especialmente em pequenas ilhas, o sistema poderia substituir a dessalinização – que, além de cara, também gera muita poluição, devido ao uso do diesel. Eliminando o custo operacional do diesel, a tecnologia pode se pagar dentro de três a quatro anos. “Nós nos concentramos em áreas remotas e fora da rede, onde não há infraestrutura de eletricidade disponível”, diz Antti.

A tecnologia também pode ser utilizada longe da costa. No Quênia, a empresa instalou o sistema em vilas rurais, onde as águas subterrâneas usadas para beber são salgadas demais para o consumo saudável. Além disso, o processo também filtra a água através de uma membrana que remove bactérias, vírus e outros contaminantes. Os dispositivos são modulares e um sistema menor pode produzir 3.500 litros de água por hora.

O primeiro sistema está em vigor na Namíbia, no campus da Universidade da Namíbia, e a água será usada em parte para irrigar um “jardim de carbono”, composto por árvores que foram plantadas para ajudar a remover o CO2 da atmosfera. Mas sistemas semelhantes podem ajudar a enfrentar os desafios hídricos do país em uma escala maior e ajudar a população a se preparar para um futuro que provavelmente envolverá mais seca, com o avanço da mudança climática. O mesmo poderia acontecer em outros países, com redes de pequenas usinas de dessalinização fornecendo água localmente, no lugar de um fornecimento a longa distância.


Para saber mais sobre os projetos da Solar Water Solutions, confira o site oficial da startup aqui.


Assine nossa newsletter!

Para conferir em primeira mão os conteúdos do InovaSocial em seu e-mail, assine agora nossa newsletter.
Insira o seu e-mail