Messenger Kids e WhatsApp: A pandemia nos ensinou a usar a tecnologia para ficarmos próximos

Chamada de vídeo para os amigos e parentes, videoconferência para atividades escolares e reuniões não presenciais. O trabalho remoto, por exemplo, já era uma tendência, mas o Covid-19 o transformou em realidade diária de forma drástica; da noite para o dia. Segundo a consultoria Kantar, uma pesquisa feita com mais de 25.000 consumidores em 30 mercados, realizada entre os dias 14 a 24 de março, mostra que o WhatsApp é o aplicativo de mídia social que obteve os maiores ganhos devido o atual cenário.


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No geral, o WhatsApp teve um aumento de 40% no uso, sendo que: na fase inicial da pandemia, houve um aumento de 27%; na fase intermediária aumentou 41% e os países na fase final da pandemia observaram um aumento de 51%. A Espanha, por exemplo, experimentou um aumento de 76% no tempo gasto no WhatsApp. Já o Facebook aumentou 37%. Na China, o aumento foi de 58% no uso de aplicativos de mídias sociais locais, incluindo Wechat e Weibo. O estudo também mostra que o aumento do uso em todas as plataformas de mensagens tem sido maior na faixa etária de 18 a 34 anos. Mas não são só os jovens.

Talvez para você, uma videoconferência ou uma chamada de vídeo pode ser algo comum, mas esta não é a realidade de todos — os números mostram que fomos obrigados a aprender novas formas de nos comunicar. Uma avó, antes acostumada a ser avessa à “novas” tecnologias, preferia usar o telefone porque sabia que, em algum momento, alguém apareceria para uma visita. Seja no almoço de domingo ou numa visita surpresa. A fofoca ficava por conta de pequenos encontros na rua e/ou no hall do prédio. Aí veio o Covid-19 e colocou — principalmente este grupo — em isolamento social; e precisamos reformular a forma como nos aproximamos nos nossos entes queridos. A avó, o primo, a amiga, o namorado. Todo mundo precisou encontrar na tecnologia uma forma de se comunicar.

Messenger Kids: As crianças também se comunicam

“Cassie Wilson recebeu uma notificação estranha no Facebook Messenger, informando que seu primo havia entrado. Isso talvez não seja estranho, mas o seu primo tem 10 anos e você precisa ter, no mínimo, 13 anos para entrar no Facebook.” O trecho faz parte da abertura de um texto da MIT Technology Review que mostra a nova forma como as crianças têm se comunicado. Segundo a publicação, “a crise do coronavírus e seus subsequentes cancelamentos de escolas tornaram o Messenger Kids inesperadamente popular. A SensorTower, uma empresa que mede downloads globais de aplicativos, mostrou um aumento notável nos downloads do Messenger Kids quando a pandemia de coronavírus entrou em erupção.”

Você talvez não conheça o Messenger Kids, muito pelo motivo dele ter sido lançado pouco antes das polêmicas envolvendo a rede social e a Cambridge Analytics, mas também pelas críticas que a rede social recebeu (em grande parte nos EUA), que a rede social estava tentando “atrair crianças como uma futura base de clientes.” A verdade é que o Messenger Kids é livre de anúncios, inclui um sistema de controle parental e é uma realidade. Ele está aí e está sendo usado (bastante, diga-se de passagem). Segundo a publicação do MIT, os pais estão dispostos a deixar de lado o desconforto de ser um aplicativo do Facebook, pois as crianças também precisam manter o contato. Entre os entrevistados, Daniel Sieradski diz que “é difícil trabalhar em casa, cuidar de tarefas domésticas, educar em casa e cuidar de dois filhos. Estou apenas tentando tornar a situação atual o mais viável possível, e isso exigirá alguns compromissos [o de permitir, mas controlar, o acesso dos pequenos a redes sociais]”. Ele completa, “a tecnologia está mantendo nossa família unida.”

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