Lixo espacial é um problema para a nossa geração

Lixo espacial é um problema para a nossa geração

Já não é de hoje que o lixo é uma preocupação em todos os cantos do planeta. A reciclagem, por exemplo, já faz parte do nosso cotidiano (mesmo aqueles que não conseguem reciclar, sabem da importância); algo que talvez não fosse tão comum nas gerações anteriores. Mais recentemente, durante o início da pandemia, os resíduos domésticos aumentaram consideravelmente (leia mais em “Reciclagem, lixo doméstico e a luta sanitária durante a pandemia“). Mas o que fazer quando o lixo está no espaço?

Desde o início da Corrida Espacial, na década de 50, o homem deixa lixo no espaço. Ou seja, já ultrapassamos mais de meio século despejando resíduos no espaço e, nem mesmo a imensidão da nossa galáxia, nos impede de ter que resolver isso. Afinal, grande parte do acumulado está preso à gravidade do nosso planeta. Satélites desativados, fragmentos de foguetes e/ou ferramentas perdidas por astronautas durante missões espaciais compõem o que chamamos de lixo espacial.

Desde o início da Corrida Espacial, na década de 50, o homem deixa lixo no espaço. Ou seja, já ultrapassamos mais de meio século despejando resíduos no espaço e, nem mesmo a imensidão da nossa galáxia, nos impede de ter que resolver isso. Afinal, grande parte do acumulado está preso à gravidade do nosso planeta. Satélites desativados, fragmentos de foguetes e/ou ferramentas perdidas por astronautas durante missões espaciais compõem o que chamamos de lixo espacial.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), existem 34 mil objetos com mais de 10 cm e outros 6 mil com 1 metro de comprimento. Calma, isso não quer dizer que teremos objetos “chovendo” em nossas cabeças. Muitos deles se desintegram na reentrada da atmosfera. O problema está no espaço. O lixo espacial pode colidir com satélites ativos e interferir em serviços de GPS, alertas meteorológicos e outros meios de comunicação.

Para monitorar e prever possíveis acidentes, o professor Moriba Jah, engenheiro espacial da Universidade do Texas, e outros pesquisadores criaram o AstriaGraph — um mapa quase em tempo real de onde cada objeto está localizado no espaço, afirma a rede BBC. Além disso, atualmente monitoram cerca de 200 potenciais “superpropagadores”, resíduos que possuem potencial para atingir satélites em operação. “Isso poderia ter um impacto significativo para a humanidade”, afirma Jah.

O problema do lixo espacial não se resume a um “bilhar cósmico de resíduos”, mas também interfere na poluição visual do espaço. No artigo “The proliferation of space objects is a rapidly increasing source of artificial night sky brightness” (A proliferação de objetos espaciais é uma fonte crescente de brilho artificial do céu noturno, em tradução livre), publicado na edição de março da Royal Astronomical Society, pesquisadores da Universidade Comenius de Bratislava, na Eslováquia; Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha; e da Universidade de Utah, nos EUA; alertam que os resíduos espaciais geraram um aumento de aproximadamente 10% sobre o brilho do céu noturno.

O mesmo estudo foi publicado pela revista Science e afirma que “nenhum lugar da Terra está protegido da poluição luminosa por satélite”. Ainda segundo a publicação, os astrônomos já estão preocupados com as mega constelações de satélites que estão sendo criadas por empresas privadas. Desde 2019, a SpaceX lançou mais de 1000 satélites Starlink visando um serviço global de internet. A empresa já possui autorização para dezenas de milhares de novos satélites e outras empresas, como a Blue Origin (do bilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon) devem seguir os passos da SpaceX nos próximos anos.

Segundo Marcelo Leite, diretor de estratégia e portfólio da Senciente, no início de junho, “o lixo espacial foi tema da reunião de cúpula dos líderes do G7, evento que reuniu as sete nações mais desenvolvidas do mundo. Na ocasião, provocados a falar sobre o assunto, os delegados dos países membros se comprometeram coletivamente com o ‘uso seguro e sustentável do espaço’, fazendo esforços mais significativos para enfrentar o problema dos chamados detritos espaciais.”

“Na mesma semana, enquanto os representantes dos países ricos se preocupavam com o lixo eletrônico no espaço, o relatório Crianças e Lixeiras Digitais, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trazia informações importantes sobre o lixo eletrônico aqui na Terra. Segundo o estudo, cerca de 18 milhões de menores trabalham com reciclagem no setor informal processando esses resíduos e estando, portanto, expostos a ambientes tóxicos responsáveis por inúmeros problemas graves de saúde.”, completa Leite. Ou seja, precisamos nos preocupar com o lixo de cá e de lá. 

Ainda segundo o executivo, “de acordo com o portal da E&T Engineering and Technology, organização global especializada em partilha de conhecimento avançado para promover a ciência e a engenharia em todo o mundo, ao participar da reunião do G7, a diretora do Escritório da ONU para Assuntos do Espaço Exterior, Simonetta Di Pippo, ressaltou a necessidade urgente de estabilizar as operações espaciais globais.

‘Devemos desenvolver atividades preparadas para o futuro agora, para oferecer um ambiente espacial seguro, protegido e sustentável para o amanhã’, disse ela, elogiando a iniciativa dos líderes do G7 de colocar a sustentabilidade do espaço no centro da agenda política.

A publicação informou ainda que, no ano passado, a Agência Espacial do Reino Unido concedeu 1 milhão de libras a sete empresas que desenvolviam projetos para ajudar na remoção ativa de lixo espacial da órbita. Mais recentemente, a agência convocou empresas espaciais para licitar uma parte de um fundo de 800 mil libras para desenvolver novos conceitos para missões de remoção de detritos espaciais.”

Seja no espaço ou na Terra, o lixo é um fator que preocupa e gera impacto no nosso dia a dia. Foguetes como o Falcon e o Starship, ambos da SpaceX, que conseguem retornar e serem reutilizados, já são um grande avanço na luta contra o lixo espacial, mas isso não é nem o começo. Talvez não seja tão loucura dizer que, em alguns anos, talvez estejamos discutindo sobre Economia Circular Espacial.

Imagem Destaque: 3Dsculptor/Shutterstock