U-Report: Plataforma para refugiados e migrantes é lançada no Brasil

Jovens refugiados e migrantes da Venezuela agora têm acesso gratuito a uma ferramenta com conteúdos exclusivos e para se manifestar sobre assuntos que os dizem respeito. A plataforma U-Report Uniendo Voces é um ponto de conexão de adolescentes e jovens naquele que é um dos maiores fluxos de deslocamento do mundo: mais de cinco milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde o início das crises social e econômica no país vizinho, e mais de 260 mil pediram refúgio ou residência no Brasil.

Através da interação com o chatbot apelidado de “Gigante”, adolescentes e jovens podem acessar conteúdos atualizados sobre direitos e serviços disponíveis para refugiados e migrantes. Eles também podem participar de enquetes – anônimas e voluntárias – cujos resultados ficarão disponíveis publicamente.

A comunicação é feita através do Whatsapp ou Facebook Messenger. Basta iniciar a interação para ter acesso aos conteúdos.

A iniciativa do projeto, que usa o software de código aberto Rapid Pro, é da Plataforma Regional de Coordenação Interagências para Refugiados, Refugiadas e Migrantes da Venezuela (R4V, na sigla em inglês), que une agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil para apoiar os governos da América Latina, incluindo do Brasil, na resposta ao fluxo de deslocamento da Venezuela, o maior da história recente da região.

A implementação do U-Report Uniendo Voces no país é coordenada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com a Viração Educomunicação.

“O U-Report Uniendo Voces é um espaço para dar voz a adolescentes e jovens da Venezuela através dos canais que eles já utilizam, as redes sociais. Além de responder a enquetes, eles poderão no futuro se manifestar sobre os serviços a que têm acesso, de forma anônima. A ferramenta procura tornar os adolescentes e jovens agentes de mudanças”, afirma Florence Bauer, Representante do UNICEF.

Para o Representante do ACNUR no Brasil, José Egas, é importante lembrar que o conteúdo da plataforma é feito especialmente para a população venezuelana refugiada e migrante em situação de vulnerabilidade. “Vamos dar acesso a informação de qualidade, de forma simples, em canais utilizados pelos jovens e que demandam pouco uso de dados de internet, sobre temas como regularização e o sistema de asilo, trabalho e acesso a direitos como saúde e educação”, destaca.

Já o chefe de missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux, afirma que a ferramenta será importante para todos os parceiros envolvidos na resposta ao fluxo migratório venezuelano.

“Os resultados das enquetes e consultas ficarão disponíveis publicamente, para permitir que gestores e organizações de todos os setores foquem e direcionem melhor seus esforços e políticas públicas para essa população”, diz.

No Brasil, a resposta humanitária para refugiados e migrantes venezuelanos é coordenada pelo Governo Federal por meio da Operação Acolhida, com apoio da plataforma R4V – Resposta a Venezuelanos. As atividades dividem-se em três eixos: ordenamento de fronteira, abrigamento e interiorização.

Uma pesquisa realizada em 2019 pelo Grupo de Trabalho de Comunicação com as Comunidades da plataforma R4V revelou que 65% dos refugiados e migrantes da Venezuela no Brasil têm acesso a um celular, e que 80% acessa a Internet por meio de diferentes aparelhos. No entanto, 42% afirmou não se sentir informado sobre seus direitos e os serviços disponíveis – um problema que a nova plataforma, lançada hoje, busca resolver.

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