Será que a Covid-19 é uma inovação disruptiva ou desafio a ser superado?

Você provavelmente já leu em algum texto no LinkedIn ou em outras redes sociais sobre como a Covid-19 tem funcionado como uma inovação disruptiva, ou seja, um fenômeno que tem transformado mercados e setores. No InovaSocial já falamos sobre isso em alguns textos, entre eles o “Negação e Aceitação: O coronavírus e a cultura de influenciadores digitais”, onde questionamos a percepção de influenciadores digitais frente ao “novo normal”, e o texto “Veículos autônomos transportam suprimentos e testes da Covid-19”, que mostra como veículos autônomos foram adotados no transporte de testes e suprimentos médicos em período de pandemia.

Mas vale observar o tema sob uma ótica crítica. A Covid-19 não é a inovação disruptiva, ela é o desafio que surgiu em nossas vidas. Chamar uma doença de inovação disruptiva até soa como falta de empatia. Não podemos ignorar que existem milhares de pessoas morrendo pelo mundo e o vírus SARS-CoV-2 está longe de ser um fenômeno positivo. Por outro lado, precisamos superar o desafio que nos foi imposto e tirar algum ponto positivo de tudo isso… É aí que entra a inovação disruptiva.

Como já vimos no link acima, o veículo autônomo era uma inovação tecnológica que estava em fase de testes por muitas empresas, mas acabou tornando-se uma excelente solução no atual cotidiano. Já no campo aéreo, a situação não é diferente. A Wing, empresa de delivery por drones da Alphabet, tem “voado baixo”, falando no sentido figurado. Seu sistema de drones tem sido utilizado para entregar papel higiênico, macarrão, medicamentos e outros itens para os moradores da cidade de Christiansburg, zona rural do estado da Virgínia, nos EUA, em pedidos entregues pela FedEx e supermercado Walgreens. Além disso, os drones também estão entregando produtos de lojas locais, como a padaria Mockingbird Cafe e as bebidas geladas da Brugh Coffee.

Cada drone pode transportar pacotes de até 1,3 kg e ageuntar viagens dentro de um raio de 10 quilômetros (veja uma amostra do sistema neste vídeo). Segundo James Ryan Burgess, CEO da Wing, em declaração ao site Dezeen: “Fizemos mais de 1.000 entregas nas últimas duas semanas em todas as nossas comunidades”. Ele completa, “embora reconhecemos que esse serviço será um pequeno alívio durante esse período, esperamos que ele signifique menos idas às lojas [físicas] e forneça uma maneira eficiente para que as empresas locais alcancem seus clientes, principalmente em um momento em que limitar o contato entre pessoas é importante.”

Seja no ar ou na terra, a inovação disruptiva não está no problema, mas na solução que encontramos para superá-la. Em muitas vezes, tendências que já estavam em andamento (leia nossos textos: Tendências para 2020: Ideias que mudarão o mundo – Parte 1 e Parte 2), — seja por falta de investimento suficiente ou mão de obra qualificada — acabavam demorando um pouco mais para sair dos laboratórios e irem parar em nossos cotidianos.

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