Marcas apoiam e boicote pressiona Facebook contra discurso de ódio

Pare de dar lucro ao ódio. Essa é a tradução do nome dado ao movimento que tem tirado o sono de Mark Zuckerberg. Stop Hate for Profit, iniciativa criada por seis grupos norte-americanos de direitos civis, afirma que o Facebook não está fazendo o suficiente para combater os discursos de ódio em suas plataformas e conseguiu convencer marcas de grande porte a se unirem em um boicote contra a empresa. Coca-Cola, Unilever, Adidas, Ford, Starbucks, Honda, Verizon, Levi’s e Diageo são algumas das empresas que decidiram apoiar a iniciativa e anunciaram que não farão publicidades na plataforma durante o mês de julho de 2020.

Atingir a receita vinda de anúncios é um golpe violento no lucro do Facebook, mesmo que indiretamente. Apenas no primeiro trimestre de 2020, a empresa faturou mais de US$ 17 bilhões em publicidade. Mas, segundo a CNN, as 100 marcas que mais investiram em publicidade nas plataformas do Facebook foram responsáveis ​​por “apenas” US$ 4,2 bilhões, ou seja, cerca de 6% da receita de publicidade da plataforma. Isso porque Facebook e Instagram possuem uma imensidão de pequenos anunciantes.

Mas isso não quer dizer que o boicote das grandes marcas seja algo tranquilo. Ele é muito mais midiático e impactam diretamente na perda de confiança, o que acaba refletindo nos investidores. segundo o Business Insider, com as marcas anunciando sua adesão ao boicote, o valor de mercado da empresa de Zuckerberg caiu US$ 60 bilhões em apenas dois dias.

Boicote: Um velho conhecido contra monopólios

Não é de hoje que o boicote serve como ferramenta para que um monopólio se movimente. De acordo com a BBC Brasil, “no final do século 18, o movimento abolicionista encorajou o povo britânico a ficar longe de bens produzidos pelos escravos. Funcionou. Cerca de 300 mil pessoas pararam de comprar açúcar — aumentando a pressão para abolir a escravidão.”

Em 2017 foi a vez do YouTube. Tudo começou quando um jornalista britânico mostrou que anúncios de grandes marcas eram usados para monetizar vídeos que promoviam violência explícita, homofobia, terrorismo, antissemitismo e outros discursos de ódio. Mais de 250 marcas decidiram cortar o investimento em publicidade no YouTube, muitas delas são as mesmas do Stop Hate for Profit, como Coca-Cola e Starbucks. O boicote fez com que a plataforma de vídeos revisasse as condições de uso e fortalecesse o combate contra estes canais. Funcionou. Apesar de ainda existirem muitos canais ativos, o Google tem sido bem rígido com este tipo de conteúdo.

Já em maio de 2020, uma versão brasileira da conta Sleeping Giants, que avisas as empresas sobre a veiculação de anúncios delas em páginas com discurso de ódio e fake news, fez com que várias marcas retirassem anúncios de canais brasileiros. Segundo o perfil @slpng_giants_pt, em apenas um mês de atuação, o perfil colaborou com a retirada de, aproximadamente, R$ 447.612 de monetização em canais com alvos da campanha.


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Aprendendo com o Facebook e YouTube

Para não sofrer com o boicote, outras redes sociais têm adotado medidas restritivas em relação ao tema. O Twitch, plataforma de streaming focada em games e propriedade da Amazon, baniu diversos canais por “violação de conduta”. Segundo a ESPN, “tomamos as medidas apropriadas quando temos evidências de que um streamer tenha violado nossas diretrizes ou termos de serviço”, disse um porta-voz da Twitch ao canal. “Isso se aplica a todos os streamers, independentemente do destaque na comunidade”. A declaração foi dada depois do banimento do streamer Guy “Dr Disrespect” Beahm, um dos influenciadores mais populares do mundo dos videogames.

Além do influenciador, a Twitch baniu temporariamente uma conta administrada pela campanha de Trump e definitivamente o brasileiro Fernando “fer” Alvarenga, jogador profissional de CS:GO da MIBR, uma das organizações de esportes eletrônicos mais tradicionais do país. Essa não é a primeira vez que o jogador se envolve em polêmicas. O Twitter @StreamerBans, um bot que divulga os parceiros da Twitch que foram banidos, tem apresentando um grande volume de contas banidas ou bloqueadas.

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