Euro Digital: O futuro do dinheiro e os impactos das criptomoedas

Euro Digital: O futuro do dinheiro e os impactos das criptomoedas

O Banco Central Europeu anunciou na quarta-feira (14) que pretende criar o Euro digital ou Central Bank Digital Currency  (CBDC). Por meio de um comunicado, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que as consultas com cidadãos e profissionais e as provas experimentais produziram “resultados encorajadores”. Segundo Lagarde, “tudo isso nos incentivou a dar um passo adiante e iniciar o projeto do Euro digital”, acrescentou. Também por meio de uma nota, os Ministérios da Economia de Alemanha e França afirmaram que a moeda digital pode ser “essencial para preservar a soberania monetária” da União Europeia.

A moeda digital não é nenhuma novidade. Em outubro de 2017 já havíamos escrito que, segundo o Fórum Econômico Mundial, a Suécia poderia parar de usar dinheiro em espécie até 2023 (é claro que ninguém contava com a pandemia). Mas se você acha que isso é coisa de primeiro mundo, saiba que a Somalilândia, um país com orçamento de R$ 250 milhões e sem crédito no FMI, praticamente deixou de utilizar o papel moeda devido a sua inflação gigantesca (são necessários 9 mil Shilings para comprar US$ 1). Veja bem, estou falando de um país localizado na África subsaariana – uma das regiões mais pobres do mundo – que utiliza “troca de créditos” como base para transações financeiras. Leia mais sobre este caso no texto “Bitcoin e o case Somalilândia: Como será o nosso futuro com moeda virtual?”.

Ainda em 2017, já havíamos adiantado o cenário do impacto social das criptomoedas e conversamos com o macroeconomista Derick Almeida sobre as oscilações dos Bitcoins e as criptomoedas, os impactos na sociedade e o futuro da economia. Ouça abaixo!

Voltando ao caso europeu. De acordo com os especialistas da Mercurius Crypto, casa de análise e pesquisa em criptoativos, a criptografia torna os processos mais baratos, rápidos e seguros e o Euro digital será uma ótima prova deste conceito e poderá expandir a utilização desse tipo de ativos. Para Gabriel Bearlz, gestor de portfólio da Mercurius, os bancos serão os mais beneficiados com essa novidade, pois poderão exercer maior controle fiscal da população e reduzir os índices de sonegação de impostos, bem como os custos com emissão de moedas, entre outras dezenas de vantagens.

Ao anunciar a novidade, o Banco Central Europeu exaltou que a infraestrutura do Euro digital terá um consumo energético substancialmente menor que o Bitcoin. De acordo com o especialista, não é possível comparar o Euro digital com o Bitcoin, pois são dois projetos completamente distintos.

Bearlz ressalta que uma criptomoeda com um mecanismo de validação centralizado terá um consumo energético menor e, consequentemente, uma matriz energética renovável, pois cabe a um órgão específico a alocação dos validadores, o que, evidentemente, não é o caso do Bitcoin.

Já o Bitcoin, explica o especialista, ao contrário do Euro digital, possui um mecanismo de validação descentralizado, o que faz com que a segurança da rede aumente. Neste caso, há uma necessidade de dispêndio de capital energético ainda maior para fraudar uma transação, o que torna a investida quase impossível. “É a essência do ativo, não foi feito para ser escalável”, diz Gabriel Bearlz.

Imagem destaque: Executium/Unsplash