O ciclo de vida (quase infinito) de uma garrafa plástica

Uma garrafa d’água de plástico de uso único possui uma vida útil média de 12 minutos. E sua produção envolve um processo extenso e muitos recursos.

Em todo o mundo, a cada minuto, cerca de 1.000.000 de garrafas plásticas são compradas e 90% delas não são recicladas. A produção de uma garrafa de plástico pode exigir de seis a sete vezes a quantidade de água usada para, de fato, encher a garrafa.

Nesta publicação, você irá aprender mais sobre o ciclo de vida da água engarrafada e ainda conhecerá projetos que trabalham criando soluções inovadoras dentro desse cenário.

Produção

O primeiro passo na criação de uma garrafa de plástico é a extração de petróleo e gás natural, que ocorre através de operações em larga escala. Após sua extração, eles são enviados para uma refinaria – em um trajeto que muitas vezes pode envolver uma viagem de mais de um mês em navios-tanque, trens, caminhões e oleodutos –, um processo que também conta com o risco de derrames e explosões.

Após o refino e extração da nafta (matéria-prima básica para a produção de plástico), é necessário outro carregamento para levar o material para a fábrica de plásticos, onde ele será quimicamente modificado. O próximo passo é o envio para a planta de engarrafamento, onde as garrafas são enchidas com água, refrigerante, etc.

Consumo

Então, as garrafas são levadas para as lojas para serem compradas e consumidas pelo público final – em cerca de 12 minutos –, para então seguir para seu último estágio.

Ponto final

Após o uso, a garrafa plástica pode seguir por três caminhos: reutilização, reciclagem e descarte. De 1950 a 2015, foram fabricadas 8,3 bilhões de toneladas de plástico no mundo todo. Desse número, 4,3 bilhões de toneladas foram descartadas, 500 milhões foram recicladas (apenas 6%) e 2,6 bilhões ainda estão em uso. Apenas 1,2% do plástico reciclado ainda segue em uso no mundo.

Fonte: Reuters
  • Reutilização

O consumidor pode tentar reutilizar a garrafa na tentativa de minimizar sua produção de lixo, mas isso não é indicado. As toxinas presentes no plástico e o próprio plástico se dissolvem no conteúdo da garrafa ao longo do tempo, principalmente durante a exposição ao calor. Alguns desses produtos químicos demonstraram ser desreguladores endócrinos, podem causar problemas de desenvolvimento ou são até mesmo cancerígenos. Os plásticos PET também têm superfícies porosas, o que contribui para a acumulação de bactérias.

  • Reciclagem

O plástico PET é um plástico reciclável da categoria “1”, o que significa que é o tipo mais fácil de reciclar e revender. Ele pode ser transformado em mais garrafas, embalagens, sacos ou fibra de poliéster para sacos de dormir, fibras de carpete, lã, corda, travesseiros, mochilas, etc.

Ainda assim, especialistas acreditam que a reciclagem não é a melhor solução para a questão do descarte de lixo plástico; e que a melhor solução para esse problema é impedir a fabricação de materiais não reutilizáveis.

“Precisamos parar de mexer nos sintomas. Resolva a raiz, a causa subjacente, e os sintomas desaparecem,” diz Don Norman, professor emérito de ciência cognitiva na Universidade da Califórnia em San Diego e professor de ciência da computação na Universidade Northwestern, além de escritor e cofundador do Nielsen Norman Group. “Sim, assim como em uma doença, ainda é necessário tratar os sintomas. […] Mas, a menos que paremos a causa subjacente, a doença continuará a florescer em nosso meio ambiente.”

  • Descarte

Se o destino final de uma garrafa é o aterro sanitário (o que, infelizmente, infelizmente acontece na maioria das vezes), ela ficará lá por 1.000 anos ou mais. Devido à falta de oxigênio nos aterros, tudo leva muito mais tempo do que normalmente seria necessário para se decompor. Assim, essa garrafa contribuirá com as emissões de gases de efeito estufa e com a poluição das águas subterrâneas.

As garrafas plásticas também estão nos oceanos. De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 800 espécies em todo o mundo são afetadas por detritos marinhos, e cerca de 80% desse lixo é formado por plástico.

Estima-se que até 13 milhões de toneladas métricas de plástico acabem no oceano a cada ano – o equivalente a uma carga de caminhão de lixo por minuto. Peixes, aves marinhas, tartarugas marinhas e mamíferos marinhos podem se enroscar ou ingerir detritos plásticos, causando asfixia, fome e afogamento.

As garrafas d’água representam 14% de todo o lixo encontrado nos mares.

A ONG Ocean Cleanup tem trabalhado na limpeza da Grande Porção de Lixo do Pacífico, uma concentração de resíduos plásticos que contém pelo menos 79.000 toneladas de material espalhadas por 1,6 milhão de quilômetros quadrados. Para conferir todas as publicações do InovaSocial sobre as ações do projeto, clique aqui.

Inovação no Setor

Apesar de todas as problemáticas, existem pessoas trabalhando em busca de soluções inovadoras para o mercado. Confira algumas delas abaixo:

JUST Water

Criada por Jaden Smith, que é cantor, rapper e ator – além de filho de Will e Jada Smith –, a JUST Water possui uma embalagem de papel de florestas certificadas 100% reciclável e reutilizável, e sua tampa é feita de cana-de-açúcar.

No final de 2019, a JUST Water chegou ao Brasil e é possível adquiri-la diretamente no site oficial da empresa. Uma caixa com 12 garrafas de 500ml custa R$ 79,90 (cerca de R$ 6,65 / garrafa).

Cove

Embora ela pareça e funcione como plástico comum, a garrafa d’água da Cove é feita de biopolímeros naturais chamados PHA (polihidroxialcanoatos), que são biodegradáveis e compostáveis. Essas garrafas se decompõem em dióxido de carbono, água e resíduos orgânicos após serem jogadas em uma composteira ou transportadas para um aterro sanitário. Elas podem até se decompor no solo ou no oceano, gerando nenhum subproduto tóxico.

Ooho

A Ooho é certamente uma das soluções mais inusitadas. Criação de uma empresa britânica chamada Notpla, a Ooho é uma embalagem coberta por uma membrana feita a partir de um extrato de plantas e algas. Essa “gelatina” permite que o líquido seja transportado normalmente e pode armazenar água, drinks, molhos e condimentos. A Ooho é biodegradável e sua produção é de baixo custo.

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Créditos: Imagem Destaque – Alba_alioth / Shutterstock

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