Mudanças climáticas e impactos na gestão da água e na saúde do planeta

Mudanças climáticas e impactos na gestão da água e na saúde do planeta

Recentemente, o Consórcio PCJ promoveu o webinar “As Mudanças Climáticas e os Impactos na Gestão da Água e na Saúde do Planeta” (gravação completa disponível ao final desta publicação), com as participações do coordenador dos cursos de pós-graduação na área de saúde e meio ambiente do Centro Universitário Internacional (UNINTER), William Barbosa Sales, professor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Estadual de São Paulo (USP), Humberto Ribeiro da Rocha, e da secretária executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e professora Adjunta Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), Andrea Souza Santos. O evento foi transmitido em ambiente virtual e valorizou a questão da importância do cuidado com o meio ambiente para próximas gerações e como os impactos causados por humanos podem influenciar a saúde da população.

A abertura do evento foi realizada pelo presidente do Consórcio PCJ, Mário Botion, acompanhado coordenadora de meio ambiente da Sanasa Campinas, Myrian Nolandi, que representou o presidente da empresa, Manuelito Magalhães Jr., e do secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, além da presença do coordenador de projetos da entidade, José Cezar Saad.

Botion destacou a importância do tema para o debate não somente para a questão ambiental, mas também para as políticas de saúde pública. “As mudanças climáticas chegaram até nós, afetam nossa disponibilidade hídrica e agora, com a pandemia de covid-19, acendeu o sinal vermelho sobre os riscos desses impactos à saúde pública, já que pesquisadores relacionam pandemias com desequilíbrio ecológico”, disse.

A coordenadora da Sanasa alertou para as mudanças no comportamento hídrico. “Para nós do setor de saneamento básico, já estamos sentindo os impactos dessas mudanças climáticas, por exemplo, em janeiro e fevereiro tivemos intensas chuvas e depois, em março e abril, uma estiagem, já percebemos essa escassez o que torna necessário o despertar para medidas mitigadoras pelos municípios”, alertou Myrian.

Abrindo, as palestras do evento, Humberto Ribeiro salientou sobre a questão do desmatamento nos biomas Cerrado e Amazônia podem influenciar diretamente no aumento da temperatura e na diminuição da quantidade de chuva em alguns pontos do país. Outro ponto evidenciado pelo professor do departamento Ciências Atmosféricas da USP é a importância da conscientização por parte da população sobre questões ambientais. “Tanto o desmatamento sistêmico, que vem sendo feito nas últimas décadas, como as mudanças climáticas são parte de um mesmo problema. Nós, brasileiros, temos que aprender com os nossos erros e rever nosso estímulo de vida”, comentou.

Andréa Souza Santos da COPPE explicou sobre questão do uso da água, atentando que 75% das fontes desse recurso, utilizado em lavouras e pecuária, foi destruído devido ao avanço da interferência humana. Ela abordou, também, sobre a crise climática que o planeta está vivenciando atualmente, ocasionada pela ocorrência de ilhas de calor e derretimento de calotas polares. “É necessário agir agora para que a temperatura não aumente mais, causando danos ainda piores”, pontuou.

O olhar para o lado humano foi explicitado pelo professor da UNINTER, William Barbosa Sales a respeito de entender impactos ambientais para a coletividade. Ele discorreu que a medida em que acontece o desmatamento é reduzido o habitat natural das espécies animais, o que acarreta problemas para os animais e para os humanos, também. “Nós não estamos sozinhos. É preciso entender a ligação entre a saúde do ambiente, do humano e dos animais”, comentou.

Medidas necessárias e urgentes

Todos os palestrantes deixaram evidenciado a importância de haver medidas para amenizar impactos negativos no futuro. Entre os pontos levantados, está a questão de pensar no coletivo e não no indivíduo. Deste modo, a sensibilização das pessoas de que as ações de cada um têm ligação direta com o outro, caracteriza-se como um grande desafio em nossa sociedade.

Andréa defendeu que as pessoas precisam reinventar seu estilo de vida, com a redução do consumo de carbono no seu cotidiano. “A mudança de clima já é visível e real, uma emergência que representa riscos para todo mundo”, evidenciou.

O tema foi enfatizado também pelo Prof. Humberto ao atentar para a adoção de soluções baseadas na natureza, num processo de transição de tecnologias ditas “cinzas” para conceitos de estruturas “verdes”. Para exemplificar isso, ele citou a falta de quintal nas casas. “As residências até as décadas de 1950 e 1960 tinham alpendre, quintal e eram abertas. Hoje, elas não têm mais quintal, fecharam tudo, colocaram grade e implantou-se a cultura de azulejar e revestir. Da mesma forma a arborização das ruas acabou. Tudo isso vai contra as soluções baseadas na natureza. A falta de quintal causa impactos, era uma área verde, isso traz um microclima que pode ajudar localmente, ou seja, no arrefecimento das casas”, comentou.

O Prof. Willian ponderou sobre o importante papel da educação ambiental para a consolidação do tema “Saúde Única” na opinião pública. “A gente possui um grupo de pesquisa para propagar esse conceito da forma mais abrangente possível. Hoje temos algumas áreas da saúde que estão ligadas à saúde única, conceito esse que surgiu nos conselhos de medicina veterinária e foi se propagando para outras profissões. Estamos pesquisando nos currículos dos cursos da área de saúde em geral para saber que momento essa temática é bordada, ou seja, a relação de saúde animal, humana e de meio ambiente”, atentou.

Para assistir à gravação do webinar, confira o vídeo abaixo:

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Créditos: Imagem Destaque component / Shutterstock