Navios cargueiros autônomos: Eles podem mudar os mares e as cidades

Discutimos tanto sobre carros autônomos, que esquecemos que esse tipo de veículo pode ser utilizado em outros meios. A empresa química Yara e a aeroespacial Kongberg estão planejando para 2018 a viagem inaugural do Yara Birkeland, o primeiro navio cargueiro autônomo e com zero emissão de poluentes. Segundo a empresa, o trajeto de estreia será feito entre os portos suecos de Brevik e Larvik, transportando uma carga de fertilizados, e acompanhado de perto por uma tripulação. O objetivo é que o Yara Birkeland torne-se completamente autônomo e viaje sem tripulação até 2020.

As empresas envolvidas no projeto acreditam que o navio cargueiro elétrico e autônomo seja um fator determinante para a indústria atingir as metas de sustentabilidades estabelecidas pela ONU. “Todos os dias, são feitas mais de 100 viagens de caminhões a diesel para transportar a carga dos portos de Brevik e Larvik, de onde enviamos produtos para clientes em todo o mundo”, afirma Svein Tore Holsether, CEO da Yara. Ele completa “com o novo cargueiro, vamos diminuir a emissão de CO2, reduzir a poluição e melhorar a segurança das estradas locais”. Apesar do seu custo ser três vezes maior do que um navio cargueiro do mesmo tamanho, o Yara Birkeland deve compensar o investimento com a redução do custo operacional em quase 90%, visto que não há necessidade de combustível ou tripulação.

No entanto, a solução norueguesa não é a única pensada para esse mercado. Em março de 2016, a Rolls-Royce, empresa britânica de aviação civil, militar, marina e sistemas de energia (a empresa é separada da Rolls-Royce Motor Cars desde 1971), anunciou o projeto do seu cargueiro autônomo como sendo “o futuro da indústria marítima”. Segundo o vídeo – confira abaixo – a nova frota de navios seria controlado por uma sala de controle global e as embarcações serão movidas à energia solar.

Apesar da solução apresentada pela Rolls-Royce parecer um filme de ficção científica, os navios autônomos devem virar realidade mais rápido do que pensamos e isso impactará o planeta e a sociedade de várias formas. Como o CEO da Yara afirmou, o trajeto marítimo pode ser mais prático e impactar diretamente no trânsito das estradas Já na questão com poluentes, a substituição do combustível por energia solar ou elétrica, reduzirá a poluição nos mares e seu ecossistema. Por fim, com a popularização e queda nos custos de fabricação dos navios, o valor de frete deve reduzir e os erros humanos, muitas vezes responsáveis pelos acidentes marítimos, serão quase que anulados.

Países que dependem do transporte marítimo, como Suécia e Finlândia, já entenderam que a transformação de frotas cargueiras em veículos autônomos é muito mais que uma tendência, é uma necessidade. “O ecossistema autônomo marítimo é uma ação concreta na estratégia de digitalização e das finanças marinhas finlandesas”, afirma a unidade de inovação do governo finlandês, que tem direcionado investimentos para o mercado. Uma perspectiva bem interessante para o futuro.

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