Águas no Quênia: Pântano artificial contra a poluição do rio Mtwapa Creek

Durante o Carnaval 2020, no Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro (campeã do Carnaval 2020 do Rio de Janeiro) trouxe para avenida, um aquário com 7 mil litros d’água… mineral. Sim, a escola de samba optou por encher o aquário com água mineral, pois “para achar essa água cristalina a gente passou por alguns testes porque ela ficava turva, a cauda saía tinta, a pedra saía tinta, então a gente passou por alguns testes. Tentamos a outra água, a água da Cedae, mas não deu”, explicou o coreógrafo Alex Neoral para o portal G1. Já para a rádio Jovem Pan, o atual presidente da CEDAE, Renato Espírito Santo, afirmou na última quarta-feira (26) que “a crise está superada (…), [mas] é muito difícil dizer que vai voltar a ter as características de antes, é muito difícil.” A verdade é que a crise hídrica no Rio de Janeiro não é de hoje e muito tem a ver com o crescimento da cidade (uma das maiores do país) e a poluição das águas.

Mombaça, no Quênia, passa por algo semelhante. Com 1.2 milhão de habitantes, a cidade fica a beira do rio Mtwapa Creek, que exala um cheiro forte; resultado em grande parte gerado pelo esgoto da prisão de Shimo la Tewa. Para completar, o rio deságua no oceano e os belos recifes de coral do vizinho Parque Marítimo de Mombaça são muito vulneráveis a essa poluição, assim como peixes e caranguejos locais. A poluição das águas residuais não só tem o potencial de perturbar o ecossistema local e a biodiversidade, mas também impacta na receita do turismo. Por isso, gerenciar as águas residuais da prisão de maneira sustentável e ecológica é algo extremamente necessário, além de proteger os benefícios sociais, ambientais e econômicos fornecidos pelo rio. Mas como fazer isso?

Um novo projeto envolvendo o Instituto de Pesquisa Marítima e Pesqueira do Quênia, a prisão Shimo la Tewa, a Autoridade Nacional de Gerenciamento Ambiental e a GreenWater visa solucionar esse problema usando a tecnologia de zonas úmidas (ou “áreas úmidas”; áreas de pântanos e charcos) construídas para gerenciar as águas residuais na prisão. Conhecidas como “infraestruturas verdes”, estas áreas promovem um processo de filtragem por meio de uma planta, cascalho ou filtro de areia que imita os processos da natureza e remove poluentes nocivos da água.

Previsto para ser concluído ainda em 2020, a Autoridade Nacional de Gestão Ambiental afirma que as áreas úmidas construídas poderiam ser instaladas em outros grandes edifícios; como hotéis, para evitar problemas semelhantes de gerenciamento de águas residuais.

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