Diversitywashing: Isso não é diversidade!

No início do ano, falamos aqui sobre Greenwashing, que é o nome dado para quando uma empresa se faz parecer ambientalmente responsável e sustentável, seja por meio de campanhas institucionais ou produtos, quando na verdade ela não é. E existem marcas usando abordagens semelhantes quando se trata de outras questões — e vamos discutir alguns desses termos ao longo do mês de maio, aqui no InovaSocial. Uma delas é a Lavagem da Diversidade (ou Diversitywashing), um termo criado por criado por Liliane Rocha, presidente da consultoria de sustentabilidade e diversidade Gestão Kairós.

Em todo o mundo, tem sido cada vez mais importante que as empresas tenham equipes com diversidade entre seus integrantes. Embora haja um movimento em direção à mudança, onde a publicidade vem ganhando uma nova cara — apresentando novos rostos, corpos e comunidades —, ainda é preciso dar um passo além das campanhas.

Realmente, é lindo ver uma marca se comunicando com o público através da diversidade. É lindo ver sua influencer que fala sobre maternidade, body positivity, cultura negra ou cultura LGBT estrelando o comercial de uma grande marca Mas não é tão lindo assim quando você descobre que líderes que atuam dentro do escritório dessa marca não contratam mulheres com filhos pequenos, porque acham que ela não poderá se atender integralmente às necessidades da empresa. Ou quando uma pessoa negra é contratada para o mais alto cargo da área de tecnologia, mas o RH pede para que aquela pessoa corte seu cabelo black power.

Isso não é diversidade. Isso é Diversitywashing.

Um ambiente de trabalho diversificado é algo extremamente benéfico para as empresas, os colaboradores e a sociedade como um todo. Diversas organizações estão se mexendo para entrar nessa onda, mas muitas dessas empresas e até mesmo setores inteiros estão longe de ter uma força de trabalho tão diversa quanto suas campanhas publicitárias.

Diversidade não significa ter uma linda página em seu site explicando sua política que garante uma força de trabalho equilibrada. Diversidade também não significa contratar uma mulher para um cargo executivo, sem fazer nada para quebrar cultura da masculinidade tóxica no ambiente em que essa mulher irá trabalhar.

Uma empresa verdadeiramente diversificada não usa a desculpa de que “não vê cara, mas sim, mérito” na hora de justificar a promoção das mesmas pessoas repetidas vezes. Isso acontece em todo o mundo. As empresas se empolgam e contratam pessoas ambiciosas e culturalmente diversificadas. Mas, após isso, se esquecem de dar o devido apoio a elas dentro da organização.

Quando isso acontece, esses colaboradores ficam suscetíveis a um ambiente de trabalho completamente tóxico e nada produtivo. Ao se verem incapazes de quebrar culturas corporativas ruins e sem perspectiva de um avanço autêntico em suas carreiras, os trabalhadores que pertencem a minorias se desiludem e vão para outro lugar. Enquanto isso, seus antigos empregadores dão de ombros e suspiram, dizendo: “nós tentamos”.

Como a inclusão realmente deve ser:

Abraçar a diversidade em seu negócio não se trata apenas preencher cotas determinadas pelo Estado. Isso pode parecer bom no papel, mas sem uma estratégia duradoura e a convicção real de que a diversidade é algo realmente valioso, todo mundo sai perdendo.

Proporcionar igualdade de oportunidades entre raça, gênero, orientação sexual, idade, religião e capacidades físicas deve envolver políticas de RH de longo prazo. Além de promover a diversidade, é preciso que a empresa crie meios para apoiar seus colaboradores em seus papéis. Isso significa, por exemplo, incorporar e promover intensamente iniciativas como horários de trabalho flexíveis para pais que trabalham fora, independentemente de seu gênero.

Uma empresa que acredita que abraçar a diversidade é um fator importante para qualquer negócio deve entender: ter uma equipe diversificada não é o fim de uma tarefa, é apenas o primeiro passo.

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Créditos: Imagem Destaque – Franzi| Shutterstock

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