Inovação no cotidiano: Os robôs continuam avançando

Por Vivaldo José Breternitz

No próximo mês de agosto, um robô que lembra um canguru vai começar ser testado em uma loja de conveniência de Tóquio. Seu trabalho será abastecer as prateleiras da loja e seu fabricante, a Telexistence, espera que em breve ele possa estar trabalhando em outras lojas.

No início, o robô será operado por funcionários da loja, mas por ser dotado de ferramentas de aprendizagem de máquina, espera-se que ele aprenda a trabalhar de forma independente. De forma muito simplista, neste caso, podemos definir aprendizagem de máquina como uma tecnologia que busca fornecer conhecimento aos robôs através de observação e interação com o ambiente que os cerca.

A Telexistence tem entre seus fundadores o professor Susumu Tachi, da Universidade de Tóquio, que pesquisa robótica há quatro décadas; recebeu financiamento, dentre outros, do grupo Softbank, da operadora de telefonia celular KDDI e da Airbus.

O robô foi chamado de Modelo T, numa homenagem ao carro da Ford que deu início à era de produção em massa. De maneira proposital, o fabricante não deu a ele uma aparência similar a dos seres humanos, por acreditar que os clientes não se sentiriam muito à vontade próximos a robôs com características que lembrassem as de uma pessoa.

Os robôs já são amplamente usados em ambientes industriais, embora raramente vistos fora das fábricas, especialmente porque é demorado, difícil e caro programá-los para o trabalho em ambientes menos previsíveis que os das linhas de produção. Esse problema pode ser superado com o uso de aprendizagem de máquina, utilizada pelo Modelo T. O robô pode ser especialmente útil em países como o Japão, com uma população que envelhece rapidamente e em que há dificuldade para obtenção de mão de obra, especialmente para tarefas mais simples e repetitivas.


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A Telexistence diz que, desde o início da pandemia, tem sido procurada também por restaurantes, hotéis e até mesmo por empresas da área de óleo e gás, interessados no robô. O professor Takeo Kanade, um especialista na área e que trabalha na Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, diz que no futuro robôs poderão ser utilizados em tarefas ainda mais complexas, realizando cirurgias, por exemplo.

O mesmo professor, de forma paradoxal, diz que a popularização da utilização de robôs mais sofisticados em residências, somente deve acontecer em vinte anos, especialmente face à dificuldade de ensiná-los como cada um de nós deseja que as tarefas sejam realizadas em nossas casas.

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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