Lixo Zero: Mais tempo em casa pede mais atenção aos resíduos que geramos

Pela primeira vez, o Encontro Lixo Zero foi realizado virtualmente em 54 cidades do país, respondendo às necessidades do isolamento social. Em um momento em que a cidade de São Paulo vê que o volume de recicláveis processados nas centrais mecanizadas da prefeitura cresceu 23% desde o início da pandemia – segundo a AMLURB –, o encontro reforçou o pensamento de que mais tempo em casa requer mais atenção aos resíduos que geramos.

A sensibilidade ao tema do lixo zero e à economia circular, que já tinha mobilizado em 2019 cerca de 1000 participantes no encontro presencial na Unibes Cultural, vem crescendo. Foram 4250 inscrições este ano, com mais de 2500 participantes efetivos em cinco painéis e 10 rodas de conversa.


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A realização foi liderada pela Casa Causa e pelo Instituto Lixo Zero, em parceria com a ABRAPS (Associação Brasileira de Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável), que possui um grupo multidiscliplinar de trabalho dedicado especialmente ao tema dos resíduos.

“O objetivo este ano, mais do que nunca, era provocar. Afinal a pandemia mostrou que os distúrbios ligados ao nosso modo de vida predatório em relação ao meio ambiente pode sim ser modificado. Quando se vê a redução dos índices de poluição do ar, por que não pensar que podemos reduzir o volume de resíduos que geramos?”, questiona Flávia Cunha, sócia da Casa Causa.

Lixo, sintoma de quê?

Esse foi o tema escolhido para provocar conversas francas sobre as causas reais por trás da geração de lixo. As novas tecnologias trazem realmente soluções para a geração de resíduos e para a reciclagem? Embalagens sustentáveis são uma ilusão ou uma possibilidade real? Qual a responsabilidade das marcas em solucionar os resíduos gerados por suas operações? Por que a Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda não foi efetivamente implementada?

Por que as cooperativas de reciclagem em sua grande maioria pararam durante a pandemia? O que acontece com a população gigantesca de catadores em condições de isolamento social? Estas e muitas outras questões entraram na pauta.

“A vantagem do meio virtual foi podermos reunir um grande número de especialistas e um número ainda maior de participantes do que no ano passado, com uma escuta mais atenta ao público, que no presencial fica restrita a algumas poucas perguntas.”, completa Luciana Annunziata, também sócia da Casa Causa. Cada uma das rodas e painéis contou com moderadores específicos para atender o público e coletar perguntas respondidas e não respondidas que agora serão ser colocadas em pauta com novos encontros, lives e pautas nas redes dos parceiros envolvidos. Todos os painéis foram também sintetizados em facilitações gráficas que agora estão disponíveis aos interessados.

Foram mais de 20 voluntários e 50 palestrantes de áreas tão diferentes quanto arquitetura, direito, engenharia, tecnologia, design; muitos empreendedores, além dos movimentos de catadores e cooperativas, numa mobilização multidisciplinar para dar conta desse problema gigante: as 20 mil toneladas diárias de resíduos geradas em São Paulo. O poder público marcou presença no painel de abertura com a participação do presidente da AMLURB, Dr Edson Tomaz de Lima Filho e dos vereadores Gilberto Natalini, Soninha Francine e Eliseu Gabriel.

“Tivemos um público jovem e diversificado, mas com grande presença do que chamamos de ‘recém convertidos”, completa Flávia Cunha. “Foi algo que intencionamos, pois acreditamos que é preciso ampliar o alcance do tema e a situação só vai mudar com grandes mudanças de comportamento que passam por repensar a vida e a casa de cada um de nós”, celebra.

Os painéis foram gravados e já estão disponíveis no Canal CasaCausa do Youtube. Clique aqui para conferir todos os vídeos do encontro.

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Créditos: Imagem Destaque – Julia Sudnitskaya / Shutterstock

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