De carvão a abelhas: Quem são os 6 vencedores do “Nobel Verde” e suas causas

Todos os anos, o Prêmio Ambiental Goldman (The Goldman Environmental Prize) homenageia os principais transformadores ambientais, reconhecendo seus esforços em proteger e melhorar o meio ambiente. O prêmio busca identificar e reconhecer líderes “de base”, aqueles envolvidos em esforços locais, onde mudanças positivas são criadas por meio da participação da comunidade ou do cidadão. Chamado de “Nobel Verde”, a lista dos vencedores 2020 foi anunciada na última segunda (30). Confira quem são eles e suas iniciativas.

De carvão a abelhas: Quem são os 6 vencedores do “Nobel Verde” e suas causas

Chibeze Ezekiel (Gana)

Como resultado direto de uma campanha popular de quatro anos criada por Chibeze Ezekiel, o Ministro do Meio Ambiente de Gana cancelou a construção de uma usina de carvão de 700 megawatts (MW) e um porto de embarque adjacente para importar carvão. A usina de carvão teria sido a primeira de Gana, mas Ezekiel lançou uma campanha para aumentar a conscientização sobre os danos do carvão e trabalhou com organizações de jovens para informar residentes e líderes locais sobre os custos de saúde e ambientais. O ativismo de Ezekiel impediu que a indústria do carvão entrasse no país e desviou o futuro energético do país para longe de uma matriz altamente poluente.

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Leydy Pech (México)

Leydy Pech, uma apicultora maia indígena, liderou uma coalizão que interrompeu o plantio da soja geneticamente modificada da Monsanto no sul do México. Os herbicidas usados ​​nessas plantações logo contaminaram os suprimentos locais de mel, ameaçando os alimentos, o meio ambiente e a subsistência dos maias. Um estudo universitário local confirmou que o pólen da soja geneticamente modificada estava presente no mel, e qualquer presença de grãos transgênicos impediam que o mel fosse vendido na União Europeia. Como reflexo da iniciativa, o Supremo Tribunal mexicano decidiu que o governo violou os direitos constitucionais dos maias e suspendeu o plantio de soja geneticamente modificada. Por causa da persistência de Pech e  da sua coalizão, em setembro de 2017, o governo mexicano revogou a autorização da Monsanto para cultivar soja geneticamente modificada em sete estados.

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Nemonte Nenquimo (Equador)

Nemonte Nenquimo, uma mulher indígena da tribo Waorani na Amazônia equatoriana, liderou um movimento de resistência local, que contou com uma campanha indígena e ação legal, resultando em uma decisão judicial que protege 500.000 acres da floresta amazônica e do território Waorani da extração de petróleo. A liderança de Nenquimo e o processo abriram um precedente legal para os direitos indígenas no Equador, e outras tribos estão seguindo seus passos para proteger áreas adicionais de floresta tropical da extração de petróleo.

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Kristal Ambrose (Bahamas)

Com um “exército” de jovens ativistas ambientais, Kristal Ambrose ajudou a redigir um projeto de lei de proibição de plástico, reuniu-se com o ministro do meio ambiente do país e convenceu o governo das Bahamas a proibir sacolas plásticas de uso único, talheres de plástico, canudos e recipientes e copos de isopor. Anunciada em abril de 2018, a proibição nacional entrou em vigor em janeiro de 2020.

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Paul Sein Twa (Mianmar)

Buscando preservar o meio ambiente e a cultura Karen em Mianmar, Paul Sein Twa liderou seu povo na criação do Parque da Paz Salween, com 1,35 milhão de acres — uma abordagem comunitária única e colaborativa para a conservação —, na bacia do rio Salween. O Parque é administrado por comunidades locais e protege tigres ameaçados, pangolins, ursos e outros animais selvagens. A região é uma importante zona de biodiversidade e é o lar do povo indígena Karen, que há muito busca autodeterminação e sobrevivência cultural. O novo parque representa uma grande vitória a conservação em Mianmar.

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Lucie Pinson (França)

Em 2017, o ativismo de Lucie Pinson pressionou com sucesso os três maiores bancos da França para eliminar o financiamento de novos projetos de carvão e empresas de carvão. Ela conseguiu obrigar as seguradoras francesas a seguirem o exemplo e, entre 2017 e 2019, as mega seguradoras AXA e SCOR anunciaram planos para encerrar a cobertura de seguro para projetos de carvão. “Finanças é uma ferramenta incrível para a mudança”, afirma Pinson, “porque por trás de todos os projetos, você encontrará um banco e uma seguradora”.

Imagem Destaque:  Ihor Hvozdetskyi/Shutterstock

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