6 autores brasileiros para entender o Brasil de hoje

6 autores brasileiros para entender o Brasil de hoje
O que você vai descobrir a seguir:
  • • Quem são os autores brasileiros que ampliam o legado da nossa literatura.
  • • Como esses escritores ajudam a entender o Brasil de hoje e pensar o país do futuro.
  • • Qual obra escolher para começar a leitura de cada um.

Ler Machado de Assis, Clarice Lispector ou Fernando Pessoa nunca será um gesto datado. Os clássicos têm aquela força rara de atravessar séculos, sempre nos provocando, inspirando e ensinando; e eles sempre serão fundamentais para entender nossa formação cultural.

Mas o Brasil está em constante mudança, e nossa literatura reflete isso. Novas vozes ganharam espaço, trazendo perspectivas diferentes e necessárias. Hoje, você vai conhecer seis autores que ajudam a entender o país em que vivemos – entre eles, nomes atuais e também uma pioneira cuja obra continua tão urgente quanto no dia em que foi publicada.

Foto: Divulgação

Milton Hatoum

Nascido em Manaus em 1952, filho de imigrantes libaneses, Milton Hatoum é um dos escritores mais respeitados do Brasil. Em agosto de 2025, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 6, antes pertencente a Cícero Sandroni. Premiado com múltiplos Jabutis ao longo da carreira, Milton Hatoum explora identidade, imigração e conflitos familiares, sempre em diálogo com o contexto da Amazônia. Sua literatura mostra como histórias locais podem ser universais.

Por onde começar: “Dois Irmãos” é sua obra mais conhecida e uma ótima porta de entrada. O romance acompanha a relação conturbada de Yaqub e Omar, gêmeos que vivem em Manaus. A rivalidade entre eles atravessa gerações e revela um retrato profundo da vida familiar e cultural na região.

Conceição Evaristo

Professora, pesquisadora e escritora, Conceição Evaristo é uma das principais vozes da literatura brasileira contemporânea. Criadora do conceito de “escrevivência”, ela transforma experiências da população negra em histórias que unem afeto, memória e resistência. Sua escrita é essencial para quem busca representatividade e consciência social.

Por onde começar: Em “Canção para Ninar Menino Grande”, conhecemos Fio Jasmim, um homem negro que revisita sua vida a partir das memórias das mulheres que fizeram parte dela. O livro fala sobre racismo, masculinidade e afetos, mas também sobre a força coletiva e a resistência feminina. Uma narrativa múltipla, poética e poderosa.

Foto: Lucas Seixas/Folhapress
Foto: Câmara Municipal de Póvoa de Varzim (Portugal)

Itamar Vieira Júnior

Baiano nascido em 1979, geógrafo e doutor em Estudos Étnicos e Africanos, Itamar Vieira Júnior se tornou um dos nomes mais importantes da literatura recente. “Torto Arado” venceu o Prêmio LeYa em 2018 e, em 2020, conquistou tanto o Jabuti quanto o Oceanos, consagrando-se como um fenômeno literário nacional e internacional. Sua escrita une ancestralidade, religiosidade e crítica social, dando voz às comunidades rurais e quilombolas.

Por onde começar: “Torto Arado” acompanha Bibiana e Belonísia, duas irmãs marcadas por um acidente na infância. Ambientado na Chapada Diamantina, o livro fala sobre ancestralidade, religiosidade e resistência. Uma narrativa poética e política que já se tornou um clássico recente.

Carolina Maria de Jesus

Carolina nasceu em 1914, em Sacramento (MG), e viveu como catadora de papel na favela do Canindé, em São Paulo. Em 1960, publicou “Quarto de Despejo”, transformando seu diário em um dos maiores registros da vida nas favelas brasileiras. Mesmo não sendo cronologicamente contemporânea, é considerada precursora da literatura periférica. Sua voz abriu caminho para autores de hoje e deu visibilidade a um Brasil antes ignorado.

Por onde começar: “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada” mostra a vida de Carolina e de seus filhos em meio à pobreza e à fome. Escrito com sinceridade crua, é ao mesmo tempo denúncia social e testemunho humano. Mais de 60 anos depois, o livro continua atual e necessário.

Foto: Norberto Esteves/ Jornal Última Hora, São Paulo. Coleção: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Foto: Carlos Macedo/Divulgação

Jeferson Tenório

Carioca radicado em Porto Alegre (RS), Jeferson Tenório nasceu em 1977 e é uma das vozes mais potentes da literatura atual. Professor e pesquisador, venceu o Prêmio Jabuti em 2021 na categoria Melhor Romance Literário, com “O Avesso da Pele”, publicado originalmente em 2020. Sua obra discute como o racismo atravessa a vida familiar e social, unindo emoção pessoal e crítica estrutural.

Por onde começar: Em “O Avesso da Pele”, conhecemos Pedro, um jovem negro que enfrenta o luto após perder o pai, morto pela violência policial. A história mostra como o racismo estrutura relações íntimas e sociais, em uma narrativa sensível e transformadora.

Natalia Borges Polesso

Nascida em Bento Gonçalves (RS) em 1981, Natalia Borges Polesso é escritora, tradutora e pesquisadora. Reconhecida nacionalmente com “Amora”, vencedor do Prêmio Jabuti em 2016, também foi incluída em 2017 na prestigiada lista Bogotá39, que reúne os jovens autores latino-americanos mais promissores. Suas histórias ampliam o espaço para narrativas LGBTQIA+, explorando amor, afetos e identidade com delicadeza e frescor.

Por onde começar: “Amora” é uma coletânea de 33 contos sobre relações entre mulheres. Com uma escrita sensível e envolvente, Natalia retrata diferentes formas de amor, desejo e intimidade, sem rótulos, mas com humanidade. Uma obra premiada e acessível, perfeita para iniciar sua leitura.

Foto: Ana Reis/Divulgação

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