Redes Sociais e Vacinas: Como combater a falta de informação que ameaça vidas?

O Instagram quer combater a desinformação a respeito das vacinas. Para isso, a rede social de Mark Zuckerberg está desenvolvendo uma notificação pop-up que os usuários verão quando encontrarem informações médicas imprecisas no aplicativo.

Não há uma data de lançamento confirmada para a notificação, mas o Instagram está atualmente procurando saber como melhor alertar os usuários quando eles se depararem com hashtags ou postagens que compartilham informações incorretas ou mentirosa a respeito das vacinas.

Além disso, o Instagram está planejando bloquear tais hashtags. A rede social já bloqueia hashtags que são falsas afirmações, como #vaccinescauseautism (“Vacinas causam autismo”) e agora bloqueará mais hashtags que estão sendo usadas para espalhar mentiras pelos chamados anti-vaxxers. No entanto, vários tópicos e relatos anti-vacina espalhando desinformação e fraudes ainda estão ativos no Instagram. Segundo a empresa, não será tomadas medidas contra pessoas ou contas que se identifiquem como anti-vaxxers. No entanto, a ideia é trabalhar para limitar a propagação de afirmações falsas, já que elas têm efeitos nocivos do mundo real para o a população.

Tais soluções estão sendo desenvolvidas em um momento crítico: nos EUA, surgiram 764 casos de sarampo até agora, em 2019 — o maior número desde 1994 e mais que o dobro do total de 372 casos no ano passado. No Brasil, os números também não são nada animadores: em 2018, o Brasil teve 10.326 casos. E um caso de sarampo endêmico, ocorrido no Pará, fez com que o Brasil perdesse a certificação de país livre da doença, conferido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), obtida em 2016.

De acordo com números e dados da Organização Mundial de Saúde, os casos mundiais de sarampo registrados nos primeiros três meses de 2019 aumentaram 300% em relação ao mesmo período do ano passado, informou o Unicef na usando seus próprios Segundo a Unicef, esse cenário é causado pelo aumento do número de crianças não vacinadas em todo o mundo, o que dá a esse vírus altamente contagioso (embora evitável) a oportunidade de se espalhar em vários países.

O Instagram tem procurado cada vez mais combater a desinformação, usando alertas pop-up semelhantes para usuários que buscam conteúdo para automutilação e opióides. Em fevereiro, o Instagram começou a usar “telas de sensibilidade” para desfocar imagens de usuários que se machucavam, após a morte suicida de um adolescente britânico que via o conteúdo de automutilação no aplicativo.

Outros gigantes da tecnologia também procuraram combater a desinformação usando notificações. O YouTube, por exemplo, apresenta um banner com um link para um artigo da Encyclopaedia Britannica sobre o Holocausto ao usuário que pesquisar por vídeos que negam o Holocausto. E, em fevereiro, a empresa passou a tirar a monetização de vídeos e canais que promovem teorias da conspiração contra as vacinas.

Segundo Organização Mundial da Saúde, as visões anti-vacinas estão entre as 10 maiores ameaças globais à saúde, em 2019. O estrago é gigante e o trabalho não será fácil, mas o caminho nós sabemos: a informação pode salvar vidas, principalmente quando o monstro com o qual estamos lutando é alimentado pela falta dela.

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Créditos: Imagem destaque – tulpahn | Shutterstock

 

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