Doutores da Alegria: Impacto social na formação de palhaços para jovens

Você provavelmente já ouviu falar ou conhece a Doutores da Alegria, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que introduziu a arte do palhaço no universo da saúde e, há mais de 26 anos, segue intervindo junto a crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade e risco social em hospitais públicos. O que você talvez não conheça é o Programa de Formação de Palhaços para Jovens (PFPJ). Criado há 14 anos, o programa oferece formação artística profissionalizante gratuita para jovens de 17 a 23 anos em situação de vulnerabilidade e risco social, com foco na autonomia de criação e inserção no mercado de trabalho artístico. Certificado como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil, o programa já formou mais de 200 jovens, em sua maioria da Capital e da Grande São Paulo.

Em uma pesquisa divulgada na última quarta-feira (19), realizada em parceria com o Instituto para Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), a organização Doutores da Alegria usou a metodologia SROI (Social Return On Investment) para avaliar o impacto do PFPJ sobre os alunos.

De acordo com o estudo, o programa do Doutores da Alegria aumentou aproximadamente 140% da renda individual dos alunos que concluíram o programa. A média, que era de R$ 868 antes do ingresso no PFPJ, atingiu R$ 2 mil após os dois anos e meio de formação. A parcela de contribuição para a renda familiar total seguiu a mesma tendência: em média, ampliou-se em 145%. Antes, a renda dos contemplados pelo programa equivalia a cerca de 14,9% do orçamento de suas casas; hoje, atinge quase 37%. Em números absolutos, a análise apontou que a cada R$ 1 investido no programa, cerca de R$ 2,61 são gerados em benefícios sociais.

“Trata-se de uma nova geração de jovens artistas que, eu diria, inventa outra maneira de existir. Eles trazem em sua história as marcas de uma vivência na exclusão social e política, mas talvez este lugar ofereça possibilidades para que criem algo novo para si e para os outros. É nesta busca que escolhem e chancelam seu caminho profissional”, afirma Heraldo Firmino, coordenador artístico do PFPJ.

Segundo o estudo, o impacto vai além do financeiro. Entre os familiares, por exemplo, a percepção é que a formação trouxe aos alunos uma importante contribuição em termos de responsabilidade e organização, aceitação da própria identidade e personalidade. Já entre os participantes, 95% dos entrevistados relataram o impacto do programa em sua formação artística, com ampliação de repertório cultural; 87% detectaram o desenvolvimento da própria sensibilidade, criatividade, autonomia e consciência acerca do próprio potencial; e 85% acreditam ter evoluído em termos de visão crítica sobre a sociedade e o papel social do artista e do palhaço.

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