Por que engenheiros e arquitetos ao redor do mundo são contra os arranha-céus de vidro?

Prédios com fachadas de vidro dão uma aparência moderna e sofisticada às cidades. Mas a verdade é que esfriar o ambiente desse tipo de construção é algo muito difícil e caro, o que causa mais emissões de carbono.

Agora, engenheiros e arquitetos estão em busca de aumentar a conscientização a respeito desse problema. “Se você está construindo uma estufa em meio a uma emergência climática, isso é algo muito bizarro de se fazer, para dizer o mínimo”, disse Simon Sturgis, presidente do grupo de sustentabilidade do Royal Institute of British Architects para o The Guardian. “Se você usa fachadas de vidro padrão, precisa de muita energia para resfriá-las e usar muita energia equivale a altos índices de emissões de carbono”.

Estruturas com fachada de vidro são populares, pois proporcionam uma impressionante contribuição ao visual da cidade, além de oferecer uma excelente vista para as pessoas que estão dentro do prédio. Além disso, um ambiente rodeado apenas por vidro garante que o prédio tenha ambientes bem iluminados pelo sol. Mas a luz desse mesmo sol também causa muito calor. E, como não há lugar para onde esse calor possa escapar naturalmente, o prédio esquenta. Para combater esse problema, o ar-condicionado é universalmente utilizado, mas essa solução em si é problemática. Segundo a Agência Internacional de Energia, a construção, o aquecimento, o resfriamento e a demolição de edifícios respondem por cerca de 40% das emissões mundiais de carbono; enquanto o ar-condicionado representa 14% do consumo de energia – vale ressaltar que, com relação aos anos 2000, esse número dobrou.

No início do ano, Bill de Blasio, prefeito de Nova York, disse que proibiria a construção de novos prédios de vidro, com o objetivo de tornar a cidade mais eficiente em termos energéticos. Mais tarde, ele esclareceu que a medida se tratava de uma proibição do uso excessivo de vidro e aço.

Apesar de todos os efeitos adversos no meio ambiente, o vidro também tem suas vantagens. No frio, em lugares com estações mais definidas e extremas, ele permite os edifícios recebam calor natural do sol o que faz com que os ambientes internos desses prédios dependam menos da energia usada para manter os aquecedores ligados durante o inverno.

Para os arquitetos, uma forma de combater esse problema de uso de energia seria aumentar o tamanho das janelas. A ventilação natural pode diminuir o uso de ar condicionado em até 70%. Mas em grandes cidades como Nova York, Londres e São Paulo, a poluição do ar e o ruído do tráfego fazem com que seja impossível ter janelas grandes e abertas o dia todo.

Novos edifícios usam um tipo diferente de vidro, que se torna opaco ao sol para bloquear o excesso de luz solar. Edifícios com esse tipo de vidro usam 70% menos energia que os outros. Mas essa solução também contribui de outra negativamente de outra forma para a crise climática: o que permite que o vidro se torne opaco, é uma película com um alto custo de produção e quase impossível de se reciclar.

Além das questões climáticas que envolvem a administração a temperatura dos prédios, a experiência dos pedestres que passam perto dos prédios de vidro não é nada agradável. Em 2013, o prédio Walkie Talkie, de Londres, ficou famoso no mundo todo por refletir uma luz solar quente o suficiente para, literalmente, fritar um ovo na calçada.

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Créditos: Imagem Destaque – Alf Ribeiro / Shutterstock

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