Greenwashing: o que é e como evitar cair nele?

– Como você dorme à noite? – perguntou Roy, ao saber que Don Draper, personagem principal da série Mad Men, era publicitário.

– Numa cama de dinheiro –, respondeu Don, sarcástico.

Mas nós não estamos mais na década de 1960 e, com a informação a um clique de distância, as marcas não podem mais se dar o prazer de dormir tranquilamente ao usar qualquer mentira como estratégia de comunicação.

Há alguns anos, vemos um aumento considerável na preocupação das pessoas com o meio ambiente, o que resulta em uma cobrança de que marcas adotem práticas mais sustentáveis e em uma procura maior por produtos que não agridem o planeta. Apesar da parte positiva, onde vemos todo um novo mercado do produtos sustentáveis que vem sendo moldado, algumas marcas vêm sendo acusadas de usarem um discurso sustentável para vender seus produtos, ao mesmo tempo que, por trás do que é divulgado ao consumidor, suas práticas não são tão sustentáveis assim. Essa prática vem sendo definida como greenwashing (ou “lavagem verde”, em tradução livre).

A ideia geral por trás do greenwashing é fazer com que uma empresa pareça ambientalmente responsável e sustentável, seja por meio de campanhas institucionais ou produtos, quando na verdade ela não é.

No caso mais recente de uma marca sendo acusada de praticar greenwashing, a mira está na Budweiser, que vem sendo criticada após a divulgação de seu comercial no intervalo do Super Bowl. Em “Wind Never Felt Better” a empresa falou sobre o uso de energia eólica para mover o processo de fermentação de seus produtos.

Metade da operação da Budweiser nos EUA funciona a partir de energia eólica e o objetivo da empresa é fazer com que isso aconteça em 100% de sua operação até 2025. Ao mesmo tempo, a mudança climática ameaça as matérias primas para a fabricação de cervejas: água, cevada e lúpulo – o que mostra que o foco em sustentabilidade pode ser algo estratégico. Isso não seria exatamente um problema, mas o que vem chamando atenção de críticos é o fato de que a Anheuser-Busch (empresa-mãe da Budweiser) está associada a dois grupos conhecidos por serem “inimigos do clima”: o American Legislative Exchange Council (ALEC) e a Câmara de Comércio dos EUA.

O ALEC é um grupo conservador e influente, sua negação climática e rejeição da regulamentação climática tem feito com que grandes empresas de petróleo, como a Exxon Mobil, se desfiliem. As posições anti-ambientais e anti-climáticas da Câmara de Comércio também fizeram com que várias empresas deixassem a organização. Ambas as organizações mantêm suas listas de membros privadas, mas, segundo uma publicação do site The New Republic, há muitas evidências que sugerem que a Anheuser-Busch esteja associada a esses grupos. A empresa está listada como membro ativo da Fundação da Câmara de Comércio dos EUA, enquanto representantes da Anheuser-Busch também estavam na lista de participantes da reunião anual de membros do ALEC de 2017.

Segundo a Anheuser-Busch, seus compromisso com a energia renovável e a água limpa são para o bem do planeta, e não uma estratégia para benefício da empresa. “A mudança climática é a questão mais urgente que o nosso planeta enfrenta”, disse o presidente da Anheuser-Busch, Carlos Brito, em 2017. “Nós da AB InBev estamos comprometidos em fazer nossa parte.”

Enfim, a pergunta que fica é: como evitar “cair” no greenwashing? A resposta para essa pergunta é simples, mas na prática é algo que exige dedicação: busque informação. Leia os rótulos dos produtos que você compra, conheça a história e as práticas das marcas que você consome. O site modefica tem duas publicações muito úteis para quem busca o consumo consciente: em um deles (clique aqui) você pode conhecer e entender os termos mais comuns escritos nas embalagens de alimentos; em outro (clique aqui), você também pode se informar sobre o que significam símbolos específicos em embalagens de cosméticos.

Conhecimento nunca é demais. E, quando falamos sobre assuntos tão importantes como sustentabilidade e consumo consciente, o conhecimento é algo essencial.

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Créditos: Imagem destaque – Por sagetouch.

 

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