Mitos sobre HIV e AIDS que precisam ser quebrados

“Se o preconceito é uma doença, a informação é a cura.” – Essa frase tão verdadeira faz parte do texto que pode ser lido no Cartaz Postivo, peça principal de uma campanha criada para o GIV (Grupo de Incentivo à Vida), onde foram espalhados por São Paulo cartazes com sangue de pessoas soropositivo. A ação tinha o objetivo de abordar o preconceito e a discriminação, que pessoas que vivem com o vírus do HIV sentem na pele. Apesar da epidemia estar entre nós há vários anos, nos quais ocorreram muitos avanços em matéria de tratamento e prevenção, o estigma ainda persiste.

Hoje, conheça mitos e verdades sobre o HIV e confira mais uma seleção especial de produções audiovisuais que bordam o tema:

Mito #1: Não existe mais uma crise de HIV/AIDS

O assunto pode não estar mais no noticiário todos os dias como antes, quando a doença foi descoberta pela primeira vez, mas a crise está longe de terminar. Aproximadamente 3 novas pessoas contraem o HIV a cada minuto e, anualmente, quase 800.000 pessoas morrem por doenças relacionadas à AIDS.

Sim, o mundo percorreu um longo caminho na luta contra a AIDS, mas ainda há muito trabalho de pesquisa e conscientização a ser feito.

Mito #2: Você pode contrair HIV ao tocar ou até mesmo ao estar perto de uma pessoa soropositivo

Falso. O HIV não pode ser transmitido através do ar, da água, da saliva, do suor, das lágrimas ou do compartilhamento de um banheiro – o que significa que você não pode contraí-lo respirando o mesmo ar que uma pessoa soropositivo ou a abraçando, a beijando, ou através de um aperto de mãos.

O vírus só pode ser transmitido através de certos fluidos corporais, como sangue, sêmen, fluido vaginal, fluido retal ou leite materno. Portanto, o vírus é frequentemente transmitido através do sexo (quando a proteção não é usada) e do compartilhamento de agulhas ou seringas. O vírus também pode ser transmitido de mãe para filho durante a gravidez, caso a mãe não tenha acesso a medicação anti-retroviral durante o pré-natal.

Nos casos de sexo entre um parceiro HIV+ e um parceiro HIV-, os preservativos são altamente eficazes na prevenção da transmissão do HIV. Quando os preservativos são combinados com medicamentos anti-retrovirais, eles fornecem ainda mais proteção.

Mito #3: A AIDS é uma sentença de morte

Não mais. Quando a AIDS foi descoberta, não havia tratamento eficaz disponível e um diagnóstico era considerado uma sentença de morte. Agora, isso não é mais verdade, graças ao desenvolvimento de métodos de tratamento revolucionários. Hoje, quase 23 milhões de pessoas que vivem com HIV estão acessando um tratamento que lhes permite viver vidas saudáveis e normais.

No Brasill, desde 2013, todas as pessoas com o HIV têm acesso ao tratamento pelo SUS – independentemente de sua carga viral. Hoje, o Dolutegravir (um dos melhores antirretrovirais do mundo) é usado por 87% das pessoas que iniciam o tratamento no Brasil. Segundo Drauzio Varella, o Brasil tem um dos melhores programas de HIV/AIDS do mundo. Para o médico, a política brasileira de distribuição gratuita de medicamentos revolucionou a resposta global e ajudou a conter a epidemia.

Mito #4: Pessoas que vivem com HIV não devem ter filhos

Falso. Quando as mulheres grávidas soropositivo aderem a um tratamento durante toda a gravidez e durante a amamentação, elas podem dar à luz crianças sem HIV.

O fim da transmissão do HIV de mãe para filho é uma peça crucial acabar com a epidemia de AIDS até 2030 e alcançar ODS 3 (Saúde e Bem-Estar: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades). Em todo o mundo, 82% das mulheres grávidas soropositivo estão recebendo tratamento para a prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho, e esse índice representa um aumento de mais de 90% desde 2010. Devemos continuar ampliando os serviços de prevenção para garantir que toda criança, em qualquer lugar, nasça livre do HIV.

Mito #5: Há cura para HIV/AIDS

Há 12 anos, Timothy Ray Brown se tornou a primeira pessoa do mundo curada do HIV após um transplante de medula óssea. E, no ano passado, a revista Nature revelou o caso de mais um paciente, de Londres, que está livre do vírus há mais de um ano, também após um transplante de medula óssea.  Embora esse progresso possa resultar em novas inovações e avanços na luta contra a AIDS, é importante levar em consideração que ambos os casos são resultados de transplantes de medula óssea, que foram destinados a tratar o câncer em ambos os pacientes, não o HIV. Especialistas também alertam para o fato de que esse é um transplante arriscado, com efeitos colaterais severos.

Embora não exista cura comprovada para o HIV, os medicamentos antirretrovirais permitem que as pessoas soropositivo tenham uma vida saudável com aproximadamente a mesma expectativa de vida que as pessoas HIV-.

Mais conteúdos sobre o tema

  • Caio Braz: Vivendo sem preconceito com HIV, com Gabriel Estrela (YouTube)


  • Clube de Compras Dallas (Filme, 2013)

Ron Woodroof, um eletricista heterossexual de Dallas, foi diagnosticado com AIDS em 1986, durante uma das épocas mais obscuras da doença. Embora os médicos tenham lhe dado apenas alguns meses de vida, Woodroof se recusou a aceitar o prognóstico e, procurando tratamentos alternativos, ele passa a contrabandear drogas ilegais do México.


  • Mitchell Besser: Mães ajudam mães a lutar contra o HIV (TED Talk)

Na África Subsaariana, infecções por HIV são mais prevalentes e médicos são mais escassos que em em qualquer outro lugar no mundo. Com a falta de profissionais médicos, Mitchell Besser convocou a ajuda de seus pacientes para criar mothers2mothers – uma rede extraordinária de mulheres HIV positivo, cuja ajuda está mudando e salvando vidas.


  • Carta Para Além dos Muros (Documentário, 2018)

O documentário André Canto refaz a cronologia da epidemia de AIDS no Brasil através de um debate envolvente sobre a evolução do tratamento antirretroviral e os desafios que ainda enfrentamos em relação ao estigma e discriminação.

Clique aqui para saber onde assistir.


  • O Assunto: HIV no Brasil – portadores contam como é viver com o vírus da Aids (Podcast)

A partir de entrevistas com dois portadores do vírus, Renata Lo Prete expõe como está o programa de prevenção ao vírus no Brasil e como é o tratamento de soropositivos. Participam deste episódio Gabriel Comicholi, que descobriu ser portador aos 21 anos, em 2016. A partir da descoberta, ele criou um canal no Youtube para falar sobre o vírus. Participa também a consultora para prevenção de HIV e Aids, Silvia Almeida. Ela conta como foi descobrir o HIV em 1994 e também fala sobre como era o tratamento há 25 anos e como é agora.


  • Drauzio Varella: Nova onda do HIV

As prevalências do HIV voltam a preocupar no Brasil: em homens que fazem sexo com homens, variam de 5,8% em Brasília a 24,8% em São Paulo. Números altíssimos que confirmam o quanto a prevenção foi deixada em segundo plano. Não podemos relaxar.

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