Uber Air ou Hyperloop: Como serão os transportes do futuro?

Na última semana (20), a Alemanha anunciou um pacote bilionário para combater as mudanças climáticas até 2030. Segundo a imprensa alemã, somente até 2023, o governo alemão deve investir 54 bilhões de euros no acordo. Composto por uma série de itens, entre eles: a taxação da emissão de dióxido de carbono (que deve atingir 35 euros por tonelada emitida em 2025); incentivo financeiro para as cidades que aceitaram receber novas turbinas eólicas e subsídios de compra para carros elétricos com preço inferior a 40 mil euros, um dos itens que mais chama atenção é a redução de impostos sobre passagens de trem de longa distância (de 19% para 7%) e o aumento das taxas de tráfego aéreo para decolagens em aeroportos alemães, já a partir de 1 de janeiro de 2020.

A medida ocorre porque viajar de avião polui – e muito! Segundo a Agência Ambiental Européia (EEA, na sigla em inglês), viajar de avião pode ser de 14 a 20 vezes mais poluente do que uma viagem de trem. De acordo com a London School of Economics, em média, são emitidos cerca de 170 gramas de CO2 por quilômetro para cada passageiro em aviões de grande porte. Já as viagens de trem emitem 14g/km por passageiro. Embora aviões elétricos e híbridos viáveis estejam a décadas de distância, a renovação das frotas com jatos mais modernos, que consomem menos combustível, pode reduzir bastante as emissões de gases de efeito estufa e aumentar as margens de lucro. Pelo menos é a aposta da Airbus.

Mayday! A Uber Air e sua mobilidade aérea pode nem decolar

Já que estamos falando sobre modais, vou usar uma analogia hidroviária para explicar a situação. Ultimamente a Uber não tem visto o vento a seu favor. Depois da Califórnia aprovar uma lei que obriga empresas como a Uber reconhecer o vínculo empregatício de seus motoristas, as medidas alemãs em relação às decolagens em seus aeroportos podem ser uma tempestade no horizonte da Uber Air. Isso porque a divisão aérea da empresa norte-americana está apostando alto no futuro da mobilidade urbana via drones. Em junho, a empresa anunciou que Melbourne se uniu a Dallas e Los Angeles para se tornarem as primeiras cidades a oferecerem “compartilhamento aéreo em escala”, ou seja, viagens de aeronaves VTOL (decolagem e aterrissagem vertical) em áreas urbanas. Segundo a Uber Air, o objetivo é iniciar voos de demonstração em 2020 e operações comerciais em 2023.

Mas a Uber Air pode ter uma carta na manga. A parceria com outra empresa norte-americana, a Bell Textron, uma das maiores fabricantes de helicópteros do mundo. É ela a responsável pelo Bell Nexus, veículo VTOL com sistema de propulsão híbrida (combustão e elétrico) e sistema autônomo, ou seja, sem a necessidade de um piloto.

Segundo Eric Allison, chefe global do Uber Elevate (divisão responsável pela Uber Air): “À medida que as grandes cidades crescem ainda mais, a dependência da propriedade de carros particulares não será sustentável. O Uber Air tem um enorme potencial para ajudar a reduzir o congestionamento das estradas. Por exemplo, a viagem de 19 quilômetros do aeroporto ao centro de Melbourne pode levar de 25 minutos a uma hora, no horário de pico. Com o Uber Air isso leva cerca de 10 minutos.”

Enquanto uns vão pelo ar, outros vão por debaixo da terra

Se a Uber Air vai virar um bom negócio, ainda é cedo para dar um veredicto. No entanto, uma coisa é verdade, as grandes cidades estão com as ruas sobrecarregadas e os veículos a combustão já são um dos grandes vilões das mudanças climáticas há algum tempo. Mais do que isso, não adianta apenas trocar o carro a gasolina pelo elétrico por um simples motivo: não temos mais espaço. Falando especificamente das grandes cidades brasileiras, na maioria dos casos, não temos como alargar uma avenida ou rua e isso faz com que diferentes formas de transportes fiquem disputando as vias terrestres.

Em Paris, por exemplo, um grupo de vítimas envolvidas em acidentes com patinetes criou a primeira associação contra patinetes elétricos. A Apacauvi (Associação Filantrópica de Ação contra a Anarquia Urbana Vetora de Incivilidades) quer colocar ordem na cidade parisiense onde, segundo a RFI, seria a capital com mais patinetes no mundo. “Entre skates, rollers, bicicletas, patinetes, monociclos elétricos, as calçadas da capital francesa viraram uma loucura. Não sabemos mais onde caminhar”, define a professora de dança Nadejda Loujine sobre o cotidiano dos pedestres de Paris.

Mas se voar polui e custa caro, e as vias terrestres estão saturadas, por onde podemos nos locomover? Que tal debaixo da terra? O Hyperloop já é um velho conhecido do InovaSocial. Já falamos várias vezes sobre a evolução deste tipo de transporte e sua relação com os bilionários Elon Musk e Richard Branson, dois entusiastas do formato.

Com a Copa do Mundo de 2022 se aproximando, Dubai tem investido pesado no Hyperloop e os Emirados Árabes esperam ser o primeiro país com um trecho comercial do novo modal. “Com apoio regulatório, esperamos que o primeiro trecho esteja operando a tempo da Expo 2020”, diz Bibop Gresta, presidente da HyperloopTT ao anunciar um acordo com a Aldar, incorporadora líder em Abu Dhabi.

Já a Hyperloop One, divisão da Virgin, também está focando no Oriente Médio. Segundo Harj Dhaliwal, diretor da filial para o Médio Oriente e Índia da Hyperloop One, “a nossa visão é ter um Golfo interligado. E isso significa poder viajar de Abu Dhabi a Riade (na Arábia Saudita) em 48 minutos, e de Dubai para Abu Dhabi em 12 minutos.” Atualmente, se feito de carro, o primeiro trajeto pode demorar 8 horas e o trajeto entre as cidades dos Emirados Árabes consome até 2 horas. Enquanto a novidade se limita aos países do Oriente Médio, só nos resta aguardar os próximos passos da evolução dos transportes.

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