Superbactérias: Novos medicamentos e games educativos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um ranking de 65 países, o Brasil é o 17º país que mais utiliza antibióticos. O alto volume de uso de antibióticos e o uso irregular, ou seja, aquelas pessoas que usam o medicamento menos tempo do que o indicado, tem criado superbactérias e, infelizmente, o uso do superlativo não é um adjetivo exagerado. Segundo o Banco Mundial, as superbactérias podem custar 3,8% do PIB global e, um estudo do governo britânico coordenado por especialistas da área e divulgado em 2014 mostrou que, essas bactérias resistentes podem causar mais de 10 milhões de mortes em 2050 e serem mais letais que alguns tipos de câncer.

Identificada pela primeira vez em 2000, a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) é um micro-organismo que possui resistência a múltiplos antibióticos e a outras bactérias, e pode causar pneumonia, infecções sanguíneas e, até mesmo, ser mortal. Apesar de já registrarem mais de 700 mil mortes anualmente, felizmente, essa superbactéria não consegue propagar-se fora do ambiente hospitalar e isso faz com que não exista nenhuma grande epidemia. Isso não quer dizer que será assim para sempre (muitos pesquisadores acreditam que isso seja apenas uma questão de tempo), por isso, muitos pesquisadores têm focado os esforços de pesquisa neste campo.

Para você entender melhor o cenário, um estudo recente da Universidade de York mostrou que vários rios no mundo já apresentam concentrações muito elevadas de antibióticos. Pesquisadores testaram amostras de rios em 72 países, em busca dos 14 antibióticos mais usados, e identificaram água contaminada em 65% dos locais monitorados. Além disso, segundo a OMS, cerca de 80% do consumo de antibióticos no mundo acontece no setor animal, sobretudo na pecuária. De acordo com o texto “‘Superbactérias’ resistentes poderão matar até 10 milhões em 2050”, da revista EXAME, “nem sempre (o uso destes antibióticos) é para tratar animais doentes: a professora de infectologia Juliana Lapa, da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, lembra que muitos criadores de animais usam antibióticos simplesmente para que o animal cresça mais e possa ser vendido a preços maiores. ‘Se fosse para tratar os animais doentes, tudo bem. O problema é que é um uso irresponsável, e sem necessidade médica’, explica a especialista.”

Uma boa notícia, mas apenas o começo

Pela primeira vez em quase dez anos, um novo medicamento se mostrou eficaz contra bactérias gram-negativas. Desenvolvida pelos cientistas da Universidade de Sheffield, o complexo Ru(II) age rompendo a membrana celular dessas bactérias (consideradas uma das mais difíceis, pois é envolta de uma membrana com grande quantidade de lipídios e aminoácidos, que bloqueia substâncias externas). Apesar do avanço, este ainda é um pequeno passo em um cenário complexo.

Vale lembrar que, no texto “As previsões da Singularity University até 2038 – Parte II: O Futuro”, já apontamos que 2032 seria o ano dos nanorobôs: “Algo em constante pesquisa, os nanorobôs médicos devem virar realidade até mesmo antes de 2032. Mas, ao invés de ser uma coisa incrível, talvez seja uma necessidade para a sobrevivência. Com o surgimento de novas doenças e superbactérias resistentes a todos os antibióticos conhecidos, aumentar o sistema imunológico pode ser uma necessidade para combater uma ameaça global.”

Plague Inc.: Entendendo pandemias de forma lúdica

Plague Inc. é um jogo envolvente e terrivelmente realista, onde o objetivo é “editar” um agente patogênico (bactéria, vírus, fungo, etc.) e extinguir a raça humana do planeta. Com jogabilidade inovadora e algoritmos de propagação fiéis com a realidade, o enredo do jogo diz: “Seu agente patogênico acabou de contaminar o ‘paciente zero’. Agora você deve acabar com a humanidade evoluindo para uma mortal praga global, enquanto se adapta a tudo que a humanidade pode fazer para se defender.”

Pode parecer, até certo ponto, apocalíptico, mas Plague Inc. é um jogo educativo em diversos níveis. Tanto que o Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, afirmou que “o jogo cria um mundo convincente que engaja o público em tópicos sérios de saúde pública” e, em 2018, a Ndemic – produtora do jogo – recebeu o “The Queen’s Award for Enterprise” (maior prêmio oficial do Reino Unido para empresas britânicas) na categoria Inovação. Além de ensinar questões sérias de saúde pública em um cenário imersivo, o jogo também desenvolve conhecimentos em biologia e química.

Disponível em diversas plataformas, incluindo Android, iOS, PC, MacOS e consoles, o jogo é atualizado constantemente e, em março de 2019, a produtora anunciou que está desenvolvendo um conteúdo sobre anti-vaxxers (comunidade antivacinas) para o jogo. Resultado de uma petição online com 25 mil assinaturas de pessoas que querem mostrar os males da falta de vacinação. Uma frase do jornal Metro resume bem Plague Inc.: “Não deveria ser tão divertido como é.”

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Créditos – Imagem Destaque: Shutterstock

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