Como podemos criar cidades mais inclusivas?

Atualmente, mais da metade do mundo reside em áreas urbanas. A ONU estima que, em 2050, esse número crescerá para 68%. Com proximidade e acesso às redes, as cidades têm sido motores de inovação há séculos.

As cidades ofereceram maior liberdade e oportunidade de mobilidade social para imigrantes, minorias e mulheres do que as áreas rurais mais tradicionais. À medida que as metrópoles crescem – existem 33 cidades com 10 milhões de habitantes e 8 cidades com pelo menos 20 milhões de habitantes –, as cidades estão cada vez mais no centro do debate para uma série de questões globais urgentes, que aborda desde imigração de refugiados até o aquecimento global.

Prefeitos e governos locais em cidades ao redor do mundo estão colaborando com designers, arquitetos e comunidades locais para propor e implementar “soluções concretas e inovadoras para um espaço urbano inclusivo, seguro e sustentável”.

Na cidade costeira de Roterdã, na Holanda, seu prefeito lançou uma estratégia urbana para ser totalmente à prova de clima até 2025. Priorizando a resiliência climática, a cidade que possui 90% de sua área abaixo do nível do mar está adaptando sua infraestrutura para estabelecer uma relação segura com as águas, integrando corredores azuis e verdes na paisagem urbana, aumentando a biodiversidade e apoiando a coesão social com habitações experimentais, espaços públicos e programas.

Barcelona, na Espanha, procura incluir todas as vozes na tomada de decisões da cidade. Então, foi estabelecido um processo participativo dinâmico, no qual sua prefeitura colabora com mais de 600 associações civis. Organizados em redes de ação, cada associação é focada em um tópico (como trabalho, moradia, educação ou acolhimento de imigrantes). Cooperando com o governo nas estratégias acordadas e compartilhando conhecimento e recursos, ela fazem com que os resultados sejam melhores, através da combinação de esforços.

Enquanto isso, muitas autoridades locais, confrontadas pelo número crescente de pessoas que migram para assentamentos informais em todo o mundo – em 2030, esse número deve chegar a 2 bilhões.

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O governo de Iquique, no Chile, contratou arquitetos para projetar moradias sociais que aumentariam seu valor ao longo do tempo – em vez de diminuir. Como os recursos eram poucos, os arquitetos trabalharam em parceria com a comunidade (que durante os últimos 30 anos ocupava um terreno de 0,5 hectares), construindo apenas parte da casa que as famílias nunca conseguiriam pagar: a estrutura, o banheiro, a cozinha e o telhado – deixando os moradores responsáveis pelo restante. Para conferir todos os detalhes sobre o projeto, clique aqui.

Proporcionar aos jovens uma educação de qualidade, independentemente de suas habilidades, raça, idioma, religião, gênero ou status econômico, também é algo fundamental para criar uma sociedade urbana inclusiva. Nas áreas urbanas em rápida expansão da Índia, novos projetos são desenvolvidos por trabalhadores que se mudam com frequência, o que dificulta a educação básica de seus filhos.

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Em Pune, para acomodar essas vidas transitórias, a Door Step School criou o projeto School on Wheels, que conta com um ônibus que é remodelado e equipado com todos os materiais de sala de aula, incluindo um computador, TV, DVD e material educacional de aprendizagem audiovisual. O ônibus serve como sala de aula móvel e alcança crianças que vivem em áreas de difícil acesso ou em locais onde nem mesmo uma sala de aula temporária pode ser construída. Em um dia, o projeto visita 2 ou 3 locais e são realizadas sessões de 2 horas em cada local.

A School on Wheels também é usada como uma sala de leitura móvel para crianças das comunidades vizinhas, onde elas têm acesso a uma variedade de livros disponíveis no ônibus.

Na Nova Zelândia, existem grupos multiculturais de apoio, onde pais refugiados aprendem inglês e informações sobre educação infantil, durante sua transição para a nova comunidade.

Ruas inclusivas também são um tópico extremamente importante. A rápida convergência de dados e inovações tecnológicas estão impactando cada vez mais as cidades ao redor do mundo. As áreas urbanas conectadas mais inteligentes prometem paisagens urbanas e transportes mais seguros, multimodais e inclusivos, que facilitam o acesso a adultos mais velhos e a 15% da população que vive com deficiências físicas e cognitivas.

Avanços como o Accessible Olli, um ônibus autônomo com software que pode processar a linguagem de sinais e possui monitores simplificados que lembram indivíduos com perda de memória, ou o Blindways, um aplicativo móvel que guia pedestres cegos para pontos de ônibus usando pistas fornecidas pela comunidade, oferecendo a esses cidadãos mobilidade e independência.

No entanto, existem vários obstáculos a serem superados, incluindo o desenvolvimento de princípios globais de ética em máquinas e a abordagem de preconceitos raciais e de gênero em dados e algoritmos, para que as cidades sejam realmente inclusivas e inteligentes.

O ODS 11 tem como objetivo “tornar cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis” até 2030. E tornar nossas cidades mais inclusivas é algo essencial para para garantir que todas as pessoas desfrutem os benefícios de uma vida em paz, com segurança e oportunidades de crescimento.

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Créditos: Imagem Destaque – WSW1985 / Shutterstock

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