Estudo revela interferência de robôs nos debates políticos no Brasil

Não é sempre que a inovação social e a tecnologia é utilizada para o bem, como vimos no podcast “Operação Serenata de Amor e a inovação cívica no Brasil”. Um estudo inédito da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP) aponta que perfis fakes estão agindo em debates políticos no Twitter desde as eleições de 2014, ou seja, contas automatizadas e que permitem a massificação de postagens manipularam os debates nas redes sociais durante momentos de extrema relevância e disputa política.

Na greve geral de abril de 2017, por exemplo, mais de 20% das interações ocorridas no Twitter entre os usuários a favor da greve foram provocadas por esse tipo de conta. Durante as eleições presidenciais de 2014, os robôs também chegaram a gerar mais de 10% do debate. Segundo a FGV/DAPP, identificar a presença destes robôs e os debates que criam é fundamental para diferenciar quais situações são reais e quais são manipuladas no ambiente virtual. O estudo ainda completa que, às vésperas de início do “ano eleitoral”, que definirá o próximo presidente brasileiro, cujas campanhas se anunciam de extremo acirramento, torna-se essencial mapear os padrões de uso desses mecanismos, a fim de evitar intervenções ilegítimas no debate como já verificado em outros países.

Ao identificarmos robôs operando para um campo não queremos dizer que os atores políticos e públicos ali situados sejam responsáveis diretos pelos robôs a seu favor.

Por que isso é tão importante? De acordo com estudos realizados pelo Pew Research Center mostram, por exemplo, que a maioria dos adultos nos Estados Unidos (62%) se informa por meio das redes sociais. No Brasil, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, revela que esta fatia é 49%, mas segue crescendo.

O estudo afirma que, ao interferir em debates em desenvolvimento nas redes sociais, robôs estão atingindo diretamente os processos políticos e democráticos através da influência da opinião pública. Sua ação pode, por exemplo, produzir uma opinião artificial, ou dimensão irreal de determinada opinião ou figura pública, ao compartilhar versões de determinado tema, que se espalham na rede como se houvesse, dentre a parcela da sociedade ali representada, uma opinião muito forte sobre determinado assunto. Em um dos cenários analisado pela FGV/DAPP, o impeachment de 2015, pelo menos 10% das interações no dia da votação foram impulsionadas por robôs.

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O estudo conclui que o surgimento de contas automatizadas permitiu que estratégias de manipulação, disseminação de boatos e difamação, comumente usadas em disputas políticas, ganhassem uma dimensão ainda maior nas redes sociais. Neste link, você pode acessar o estudo completo em PDF.

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