Aplicativo pode agilizar atendimento a vítimas de trânsito e prevenir acidentes

Depois de perder uma grande amiga em um atropelamento, a médica Adriana Mallet percebeu que o atendimento a urgências poderia ser melhorado. “A maioria dos solicitantes do serviço de urgência tem poucas informações sobre as vítimas e não é raro desconhecerem o exato endereço da ocorrência. Isso atrasa o atendimento em minutos decisivos em casos de trauma grave”, explica ela.

Adriana é coordenadora do Núcleo de Educação em Urgências do SAMU e se uniu a 3 estudantes de engenharia da USP São Carlos, interior de São Paulo, no projeto de um aplicativo gratuito para smartphones, capaz de automaticamente identificar colisões veiculares e realizar chamadas de emergência com muito mais agilidade e eficácia: o Safety. Com uma tecnologia já interligada a uma plataforma web, ele é capaz de informar as coordenadas exatas da localização do acidente, previsão de gravidade da ocorrência e os dados do histórico médico da vítima.

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Três meses após tirar a ideia do papel, em um protótipo funcional atualmente em validação junto a um SAMU no interior de São Paulo, o aplicativo foi selecionado em três processos de aceleração: o primeiro, junto à BraziLab, que busca inovações de impacto para o setor público.

Segundo, do Instituto InnovAction, uma iniciativa da Microsoft que visa facilitar a viabilização de startups de impacto. A mais recente, pertencente ao laboratório de inovação em mobilidade da Secretaria de Transportes do município de São Paulo, o MobiLab. Com isso, o projeto demonstra sua importância e potencial de crescimento, tanto no campo privado, como no público.

Adriana Mallet atua há 5 anos no SAMU e relata que o atual sistema de chamados acarreta atrasos no atendimento. Isso, muitas vezes, compromete a chance de sobrevivência das vítimas. Cerca de 1,24 milhões de pessoas morrem ao ano vítimas desse tipo de ocorrência no mundo. No Brasil, até 55% dos leitos hospitalares estão ocupados por vítimas do trânsito.

Os usuários do aplicativo poderão contribuir com a gestão das vias, com informações sobre o trânsito e o comportamento dos motoristas nos locais, por meio de informações enviadas anonimamente. “A ideia é usar a tecnologia para salvar vidas, não só melhorando o primeiro atendimento, mas trabalhando na prevenção”, conta Adriana.

“Estes dados são cruzados, na nossa plataforma, com dados de acidentes graves, disponibilizados pelo INFOSIGA, do governo do Estado de São Paulo, gerando informações confiáveis sobre pontos críticos, que precisam receber ações como melhoria de sinalização, redutores de velocidade ou mesmo obras de infraestrutura, evitando mortes no trânsito”, afirma Cristiano Santos, um dos alunos do último ano de Engenharia de Computação da USP São Carlos, que deu início ao projeto.

Segundo os fundadores da startup, o que os motiva a mergulhar nesse projeto é a capacidade que ele tem em impactar a vida de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, tornando o Safety uma oportunidade de usar a tecnologia para solucionar um problema tão sério, de forma relativamente simples.
O aplicativo ainda está na sua fase de validação e expansão. A previsão é que, em pouco mais de um mês, os primeiros serviços já o coloquem em funcionamento.

O Safety vai ser sempre gratuito para o usuário e o principal objetivo é que a tecnologia seja disponibilizada sem custos para os serviços públicos de urgência, como o SAMU e o Corpo de Bombeiros. Para isso uma campanha de financiamento coletivo está no site Catarse, a fim captar os recursos necessários para a segunda fase de desenvolvimento, até a entrada de recursos maiores.

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