ODS 14: Como as práticas pesqueiras nas Maldivas podem servir como exemplo para o mundo todo

No texto de hoje, falaremos sobre o ODS nº 14 – Vida no Mar. De acordo com Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), “os oceanos absorvem mais de 30% do dióxido de carbono produzido por humanos e, atualmente, vemos um aumento de 26 por cento na acidificação dos oceanos, desde o começo da revolução industrial. A poluição marinha está alcançando níveis alarmantes, com aproximadamente 13 mil unidades de lixo plástico encontradas em cada quilômetro quadrado do oceano.”

Já de acordo com a plataforma Agenda 2030 (do PNUD), “40% dos oceanos estão sendo afetados incisiva e diretamente por atividades humanas, como poluição e pesca predatória, o que resulta, principalmente, em perda de habitat, introdução de espécies invasoras e acidificação. Nosso lixo também ajuda na degradação dos oceanos – há 13.000 pedaços de lixo plástico em cada quilômetro quadrado. É frente a esses desafios que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável indicam metas para gerenciar e proteger a vida na água.”

Você pode conferir as metas do objetivo nº 14 neste link.

Hoje, o peixe é um dos alimentos mais comercializados no mundo e o consumo global de peixes e mariscos cresceu mais que o dobro desde 1973. No mesmo período, a sobrepesca aumentou de 7% para 33%. Para reverter este índice alarmante, é preciso falar sobre as práticas insustentáveis na indústria pesqueira. Esse assunto é urgente e engloba toda a cadeia de valor, desde o peixe ao prato.

Um exemplo de como isso como podemos evolui nesta questão vem das Maldivas, um arquipélago de cerca de 1.200 ilhas de corais conhecidas principalmente por suas praias tropicais. O peixe é o principal recurso natural do país e o atum é seu principal bem de exportação, onde sua contribuição para a economia do país perde apenas para a indústria do turismo.

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A pesca é uma atividade econômica familiar e comunitária, e setores associados – como o processamento de pescados – fornecem uma fonte adicional de renda, particularmente para as mulheres. Para garantir que a pesca contribua para o bem-estar a longo prazo das comunidades locais, o governo das Maldivas está incentivando a sustentabilidade ambiental do setor.

Os pescadores das Maldivas usam uma técnica de pesca chamada “vara e linha”, onde os peixes são pescados um por um – um método que reduz as capturas indesejadas e também os danos à vida marinha. Isso, juntamente com outras medidas ambientais, como a restrição da mineração de corais e a proteção de tartarugas e tubarões, ajudaram os ecossistemas locais a se recuperarem.

Além disso, as espécies de peixes locais mais importantes agora carregam o rótulo ecológico da Marine Stewardship Council (MSC), que se traduz em um prêmio em dinheiro para os pescadores locais e possibilita que os consumidores façam melhores escolhas na hora de compra.

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Para compartilhar exemplos de boas práticas, como o caso das Maldivas, e discutir ações específicas e recomendações de políticas, a segunda edição do Oceans Forum – que aconteceu em Genebra, nos dias 16 e 17 de julho – reuniu participantes do setor pesqueiro para discutir questões relacionadas ao ODS 14.

Um importante resultado desse encontro foi a proposta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) de desenvolver um Plano de Ação Conjunta focado no aspecto comercial do ODS 14. Segundo a ONU, a proposta foi bem recebida pelas partes interessadas e o próximo passo é aguardar seus comentários e contribuições para desenvolver o projeto.

O estudo de caso das práticas pesqueiras das Maldivas foi apresentado no Fórum pelo Dr. Azmath Jaleel da Universidade de Cardiff (País de Gales) e pelo International Ocean Institute (IOI). Você pode encontrar sua apresentação aqui.

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