Economia Prateada: Como o novo idoso está consumindo?

A idade média das pessoas em todo o mundo está subindo cada vez mais. A ONU prevê que haverá mais de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais até 2050, em comparação com cerca de 900 milhões em 2015. O número de aposentados nos países desenvolvidos está crescendo até três vezes mais rápido que o número de pessoas mais jovens.

Na pesquisa Tsunami 60+, realizada pelo Hype60+ e pelo Pipe.Social, foi feito um raio-x da geração prateada no Brasil e constatou que, hoje, a população com mais de 60 anos, pela primeira vez, passa a de até 5 anos. Em 2030, teremos mais idosos do que pessoas com até 14 anos. E, em 2050, o Brasil será o país mais velho do mundo, à frente de todos os outros países desenvolvidos.

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Como chegamos a esses índices? Hoje, a população brasileira está vivendo mais e tendo menos filhos. Se, na década de 1960, cada brasileiro teve em média 6 filhos para cada mulher, hoje, esse índice caiu para 1,7 filhos por mulher.

Mas, hoje, a terceira idade não se parece nada com a terceira idade de outras décadas. Eles estão nas universidades, nas academias e no Tinder. E, com essa nova cara que esse grupo vem tomando, surgem novos hábitos e novas tendências de consumo. Os aposentados de hoje não são apenas numerosos, muitos deles também têm um poder de compra considerável, o que causou ascensão do que chamamos de Economia Prateada, que é a soma de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos e os produtos e serviços que elas consomem diretamente ou virão a consumir no futuro. Estimada como a terceira maior economia do mundo, a Economia Prateada movimenta US$ 7,1 trilhões anualmente.

Eles estão trabalhando: 93% das pessoas com mais de 75 anos possuem renda própria.

Eles namoraram, casaram, se separaram e casaram de novo: 50% das mulheres e 88% dos homens acima dos 60 anos relatam ter uma vida sexual muito mais ativa do que a sociedade imagina.

Eles jogam videogame: 38,6% das pessoas com mais de 55 anos jogam no celular ou no computador – seja Candy Crush, Farmville ou jogos específicos para a mente e/ou memória. Se a tecnologia algum dia foi inimiga da terceira idade, hoje ela está mais presente em sua rotina do que nunca, graças a apps como WhatsApp, Facebook e Uber.

No Brasil, a Economia Prateada movimenta cerca de R$1,6 trilhões ao ano. Mas, apesar de essa indústria movimentar tanto dinheiro, ainda existem poucos produtos e serviços que são desenhados, construídos, testados e distribuídos pensando na perspectiva das pessoas mais velhas. Elas acabam consumindo produtos que não são 100% adequados, nem resolvem totalmente seus problemas, nem lhes agradada totalmente.

Apesar de o consumo da terceira idade ter crescido três vezes mais rápido na última década, quando comparado com o consumo dos jovens, 63% dos negócios estão focados nos Millennials.

“É um mercado ainda intocado e que está bem debaixo do nosso nariz; a próxima grande economia”, diz Stephen Johnston, cofundador do Aging2.0, rede global de apoio e fomenta empreendedores e inovadores da longevidade presente em mais de 20 países.

Com a medicina e a tecnologia caminhando juntas e encontrando novas soluções para questões relacionadas à saúde, a tendência é que a população 60+ seja cada vez maior. E se você não faz parte desse grupo, é bom se acostumar com a ideia de que um dia vai fazer parte dele. Criar ou apoiar novas soluções focadas na terceira idade – tanto para o consumo, quanto para questões de impacto social – não é apenas uma questão de visão de mercado ou de empatia, mas sim uma questão de autocuidado.

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Créditos: Imagem destaque – Por DisobeyArt.

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