Dia da Sobrecarga da Terra: Entramos no saldo negativo. E agora?

Hoje, 29 de julho, é o Dia da Sobrecarga da Terra. Esse dia marca o ponto em que coletivamente extrapolamos a quantidade de alimentos, madeira, fibras e carbono que o planeta pode renovar ou administrar em um ano. E isso mostra o quanto estamos abusando dos recursos naturais do planeta e como estamos fora de sincronia com o que ele pode fornecer de forma sustentável.

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Vinte anos atrás, em 1999, esse marcador aconteceu em 29 de setembro – o que já não era um bom indicador,já que o ideal era que esse dia acontecesse, no mínimo, no dia 31 de dezembro. Em 1970, foi em 29 de dezembro (e, desde então, essa data só se adiantou).

Hoje, entramos no saldo negativo. E agora?

O desespero não é solução. No lugar disso, a Global Footprint Network, organização que quantifica os recursos da Terra e também quanto tempo leva para esgotá-los, está se concentrando em estratégias para que, a cada ano, essa data possa ser adiada.

Segundo Mathis Wackernagel, fundador da GFN, a descarbonização completa da economia é a ferramenta mais poderosa para aliviar a pressão sobre os recursos da Terra. De acordo com os cálculos da GFN, se conseguíssemos reduzir as emissões de carbono pela metade, a data diminuiria em três meses.

“Há muitas oportunidades para melhorar o bem-estar das pessoas e reduzir a pressão sobre os recursos”, diz Wackernagel.

E muitas dessas oportunidades já são viáveis.

Nos últimos dois anos, a GFN vem realizando pesquisas com a empresa de gerenciamento de energia Schneider Electric para descobrir como a tecnologia atualmente disponível poderia impactar no consumo de recursos. Eles descobriram que, se 100% da infra-estrutura predial e industrial existente fosse alimentada por energia renovável e equipada com tecnologia de eficiência energética, o Dia da Sobrecarga da Terra seria adiado em 21 dias, mesmo sem qualquer mudança no comportamento humano.

Mas alterar o comportamento humano também é uma alavanca poderosa. O transporte é responsável por 17% da pegada de carbono do mundo. Se as pessoas reduzissem em 50% a quantidade de carros com motores a combustão interna e, no lugar disso, optassem por caminhar, pedalar ou pegar o transporte público, poderíamos adiar o Dia da Sobrecarga da Terra em 11,5 dias. Para incentivar isso, as cidades precisam urgentemente ampliar as opções de transporte sustentável e incentivar o desenvolvimento comercial em diversas áreas da cidade – e não apenas em regiões muito específicas – para que as pessoas não tenham que dirigir tanto para acessar os lugares aos quais precisam ir todos os dias, como áreas comerciais, hospitais, opções de lazer, etc.

Outra área em que nossas escolhas podem fazer uma diferença significativa é o impacto da alimentação e da agricultura. Se comêssemos 50% menos carne e optássemos por mais alimentos vegetais, poderíamos adiar a data em 15 dias. Reduzir o desperdício de comida nos pouparia 10 dias. E uma das ferramentas mais cruciais, ainda pouco discutidas, para aliviar a pressão sobre os recursos é o gerenciamento familiar.


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“Não se trata de culpar ou dizer às pessoas o que fazer”, diz Wackenagel. No lugar disso, a GFN defende a igualdade de direitos e o empoderamento das mulheres – e, como parte disso, o acesso a ferramentas de planejamento familiar, como o controle da natalidade – para que as mulheres possam fazer suas próprias escolhas reprodutivas. A GFN ressalta que, nas sociedades em que os direitos das mulheres e o acesso a oportunidades educacionais e profissionais estão no mesmo patamar dos homens, as taxas reprodutivas tendem a ser mais baixas. Aumentar esse acesso nos pouparia um mês até 2050.

Embora exista um elemento de responsabilidade pessoal para realizar essas mudanças, é importante que haja uma mudança sistêmica. Planejamentos urbanos precisam redesenhar as cidades para permitir que as pessoas troquem seus carros por outras formas de mobilidade. A indústria agroalimentar deve conscientemente se afastar da superprodução de carne e produtos animais e caminhar em direção a um sistema mais sustentável. E as indústrias que dependem de recursos naturais, como a madeira, deveriam investir em alternativas e estratégias de mitigação – um esforço para reflorestar 350 milhões de hectares adiaria a data em oito dias.

As soluções e seus benefícios estão diante de nossos olhos. Não é simples, mas é preciso começar de algum lugar. E vale o clichê: uma grande mudança no coletivo começa com pequenas mudanças sendo feitas individualmente.

A partir de hoje, não se esqueça: entramos no saldo negativo, como você irá fazer a sua parte dentro desse cenário?


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