Toyota anuncia protótipo de cidade inteligente no Japão

A Toyota anunciou (08) que construirá uma cidade inteligente próxima do Monte Fuji, no Japão. Apresentado durante durante a edição 2020 da CES (Consumer Electronics Show), o projeto Woven City contará com um espaço de 175 acres e ecossistema totalmente conectado. A ideia é que o espaço seja uma espécie de “laboratório vivo” para cidades inteligentes e a população terá acesso a soluções compostas por tecnologias robóticas e de inteligência artificial, alimentadas por células de combustível de hidrogênio.

“Construir uma cidade completa desde o início, mesmo em pequena escala, é uma oportunidade única de desenvolver tecnologias futuras, incluindo um sistema operacional digital para a infraestrutura da cidade. Com pessoas, edifícios e veículos todos conectados e se comunicando por meio de dados e sensores, poderemos testar a tecnologia de inteligência artificial conectada, tanto no mundo virtual, quanto no físico, maximizando seu potencial”, afirmou Akio Toyoda, presidente da Toyota, em um comunicado.

Toyota anuncia protótipo de cidade inteligente no Japão

Cidades particulares: Os dois lados dos “laboratórios vivos”

A cidade inteligente da Toyota não é um projeto único. Em 2018, falamos sobre Quayside, um bairro de Toronto que o Google está projetando como um destes “laboratórios vivos”. O projeto Sidewalk Toronto (projetado pela Sidewalk Labs – o braço de inovação urbana da Alphabet) começou a tomar forma após a cidade de Toronto solicitar propostas de desenvolvimento para uma área de 800 acres chamada Port Lands.

Muito mais ousado do que Woven City, o projeto da Alphabet possui planos gigantescos, como, por exemplo, um sistema para deixar o clima de Quayside mais agradável. Com investimento de US$ 1 bilhão, as construções do projeto estão previstas para começar em 2020, e a região deve começar a receber seus primeiros moradores em 2022.

ODS 11: QUAYSIDE – O BAIRRO DO FUTURO DO GOOGLE

Ok, isso tudo parece bem legal, mas não soa estranho ter pequenas sociedades controladas por empresas privadas? Sim, eu sei que, tanto Sidewalk, quanto Woven, ainda estão sob a responsabilidade dos governos locais, ou seja, não possuem leis ou regras próprias, mas quem delimita os poderes destas empresas sob estes grandes espaços? Para efeito de comparação, o espaço da Woven City é aproximadamente o tamanho do terreno da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em São Paulo.

Outra dúvida. Quem diz o que é ou não permitido dentro destes “laboratórios vivos”? Estes espaços não serão apenas campus de pesquisas, eles incluirão casas, comércios e afins. A própria Toyota, em comunicado, afirma que “convidará cientistas e pesquisadores de todo o mundo interessados em trabalhar nesta ‘incubadora única do mundo real’.” A Toyota planeja preencher Woven City com funcionários da Toyota Motor Corporation e suas famílias, casais aposentados, varejistas, cientistas visitantes e parceiros do setor.

Em contraponto, estes projetos serão uma oportunidade única para testarmos soluções com perspectiva de grande escala. O plano diretor da Woven, por exemplo, inclui três tipos de designações para uso das ruas: somente para veículos mais rápidos, outro para uma mistura de velocidade baixa, mobilidade pessoal (bicicletas, por exemplo) e pedestres; e, por fim, para um passeio parecido com um parque, exclusivo para pedestres [veja o exemplo no vídeo abaixo]. Esses três tipos de ruas se entrelaçam para formar um padrão de grade orgânica.

Além disso, a cidade inteligente está planejada para ser totalmente sustentável, com edifícios feitos principalmente de madeira, para minimizar o consumo de carbono, e usando marcenaria japonesa tradicional combinada com métodos de produção robótica. Os telhados serão cobertos por painéis fotovoltaicos para gerar energia solar, além da energia gerada por células a combustível de hidrogênio. Para completar, a Toyota planeja reflorestar a região com vegetação nativa e hidroponia.

O objetivo é inaugurar o protótipo da cidade inteligente até o início de 2021, com 2 mil habitantes. Conforme a evolução do projeto, a expectativa é que a população e a área da cidade também aumente.

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