Por que os países nórdicos são os mais felizes do mundo e o que podemos aprender com isso?

Mais um ano chega e, mais uma vez, um relatório diz o que não deixa ninguém surpreso: os países nórdicos são os mais felizes do mundo. Anualmente, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU divulga o Relatório Mundial da Felicidade, apoiado pela Fundação Ernesto Illy, que lista os países mais felizes do mundo. Este ano, o vencedor foi a Finlândia – e no ano passado também –; em 2017, a Noruega; em 2016 e 2013, a Dinamarca. E em todas as edições do Relatório Mundial da Felicidade, a Noruega, a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia e a Islândia sempre estiveram no TOP 10. Mostrando que, apesar de serem países com um inverno longo, frio e escuro, a felicidade depende de outros fatores, que não giram exatamente em torno do sol.

Desde o relatório divulgado em 2015, o Brasil só vem perdendo posições. Olhando para trás e analisando todos os momentos que o país passou nos últimos anos, não é difícil de entender como deixamos de ser o 16º país mais feliz do mundo, para sermos o 32º.

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Afinal, por que os países nórdicos são os mais felizes do mundo (e como podemos aprender com eles)?

A pesquisa, conduzida pela Gallup, usa resultados recolhidos durante 3 anos e os dados são analisados em torno de seis fatores: PIB per capita, suporte social, expectativa de vida, liberdade para fazer escolhas de vida, generosidade e níveis de corrupção. A Finlândia pontua bem em todos os fatores, mas particularmente na generosidade. Segundo os autores do relatório, ajudar os outros faz com que você se sinta melhor e mais feliz. Quase metade dos finlandeses doa regularmente para caridade.

O Happiness Research Institute, com sede em Copenhague, aponta que o que faz com que a Finlândia esteja no topo da lista de países mais felizes, apesar de não ter o maior PIB dos países nórdicos, é a rede de segurança social do país combinada com a liberdade pessoal e um bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. O Better Life Index da OCDE sugere que a sensação de bem-estar da Finlândia também pode estar relacionada a uma sensação de segurança pessoal em um mundo conturbado. Os finlandeses se sentem bem com seu ambiente, seu senso de comunidade, e com os serviços públicos e a educação, mas se preocupam com empregos e moradia.

Dinheiro não compra a felicidade. O que nos mostra muito bem isso são os EUA, que ficaram em 19º – uma posição abaixo do ano passado. Embora tenha o maior PIB do mundo, o economista Jeffrey Sachs, um dos autores do relatório, disse que o agravamento das condições de saúde e o declínio da confiança social e da confiança no governo fazem com que os norte-americanos sejam menos felizes. Segundo Sachs, qualquer bem-estar beneficiado pelo aumento da renda nos EUA estava sendo compensado pelo aumento do vício em jogos de azar, uso de mídia social, videogames, compras e consumo de alimentos não saudáveis que causavam infelicidade e até depressão.

O Relatório Mundial da Felicidade diz que os países que melhoram o engajamento cívico ao tornar seu governo mais representativo serão mais felizes. Populações mais felizes têm maior participação dos eleitores, enquanto a divisão política e o declínio da confiança social reduzem a felicidade. A liderança das nações que registraram o maior crescimento de felicidade neste ano foi o Benin, país da África Ocidental que desfrutou de um período de estabilidade. A nação da África Ocidental está na 102ª posição na lista geral de felicidade, seguida pela Nicarágua, Bulgária, Letônia e Togo. Os cinco declínios mais acentuados foram na Venezuela, Síria, Botsuana, Índia e Iêmen.

Benin tem experimentado um crescimento estável do PIB nos últimos anos, com a expectativa de vida melhorando. Faz parte de uma tendência bem-vinda em toda a África Subsaariana liderada pelos países politicamente mais estáveis. Por outro lado, os problemas sociais da Venezuela e a guerra civil na Síria coincidiram com a queda nos níveis de felicidade.

Não há dúvidas de que os governos têm a chave para a felicidade de seus cidadãos. Combater a corrupção, evitar conflitos civis e melhorar os serviços públicos básicos são cruciais para o sucesso. Mas a felicidade também é gera quando as pessoas desfrutam de liberdade pessoal e são encorajadas a participar da sociedade civil.

O que podemos concluir olhando para o Relatório Mundial da Felicidade é que o dinheiro ajuda, é claro, mas sozinho ele não traz felicidade.


Clique aqui e confira o Relatório Mundial da Felicidade 2019 na íntegra.


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Créditos: Foto Destaque – astudio

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