Drenagem Urbana Sustentável: Uma solução contra as enchentes

Enquanto escrevo este texto, muitas capitais brasileiras são impactadas por fortes chuvas. Principalmente nas áreas metropolitanas, a chuva vem acompanhada de alagamento, inundações e muito transtorno (isso sem citar as tragédias) e isso ocorre, principalmente, por consequências do nosso projeto de urbanização.  Asfaltando cada metro quadrado possível e encanando rios, bloqueamos a drenagem do solo, ou seja, a água acaba ficando onde não deveria e não desce para lençóis freáticos e rios.

Isso seria amenizado se repensássemos a drenagem urbana e o manejo de águas pluviais. Principalmente sob uma ótica sustentável, ou seja, tentando buscar o balanço hídrico pré-urbanização. Segundo Dr. Carlos E. M. Tucci, professor titular aposentado do IPH/UFRGS, “a drenagem urbana sustentável pode ser mensurada como o conjunto de medidas, que tem por objetivo minimizar os riscos a que as populações estão sujeitas, ocasionadas pela intensa urbanização, diminuindo os prejuízos causados por inundações e permitindo o desenvolvimento urbano de forma harmônica, planejada e sustentável.”

Os sistemas de drenagem urbana sustentável (SUDS) são dispositivos e técnicas desenvolvidos sobre o tripé quantidade, qualidade e amenidade/ biodiversidade, as quais devem ser alcançadas de maneira equilibrada. As SUDS foram desenvolvidas nos países do Reino Unido e se assemelham às BMP (“Best Management Practices”, Melhores práticas de manejo, em tradução livre) desenvolvidas nos EUA. Países como Austrália, Suécia e os já citados utilizam esse tipo de abordagem desde a década de 1980. No Brasil, a lei 11.445, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico, assegura os serviços de drenagem e manejo de águas pluviais nas cidades, mas a infraestrutura ainda está longe de ser a adequada. Entenda mais na entrevista feita com Osvaldo Moura Resende, pesquisador da COPPE/UFRJ, sobre drenagem urbana sustentável, para o canal Futura (veja abaixo).

O fim das enchentes: O redesenho do rio Cheonggyecheon

Seul, na Coréia do Sul, é uma cidade que passou por um processo de urbanização intenso e acelerado após as décadas de 50/60 (período em que foi estabelecido o cessar-fogo após a Guerra das Coréias). Na época, o Cheonggyecheon – que, ironicamente, significa córrego (gyecheon) límpido (cheong) – era poluído e não passava de um empecilho na urbanização da cidade coreana (veja na imagem abaixo). Na década de 70, um colossal viaduto cobria o rio e não resolvia nenhum dos problemas, que iam de mobilidade a drenagem urbana.

“O crescimento da cidade de Seul pode ser descrito através da história da ocupação das margens do córrego Cheong-Gye” (Reis,L.F.& Silva,R.L.M,p.114)

Cheonggyecheon Housing, 1968

Quem é ou já passou por São Paulo durante um tempo, tem grandes chances de entender o que era o viaduto sob o Cheonggyecheon ao observar o Elevado Presidente João Goulart, também conhecido como Minhocão. Obra do mesmo período do projeto coreano, o elevado paulista só não tem um rio aberto sob a sua estrutura, mas é um constante transtorno para a cidade. Tanto que a discussão sobre utilização ou possível destruição do Minhocão se arrasta há anos.

Voltando ao cenário de Seul, o governo metropolitano da cidade decidiu em 2002 iniciar um projeto de ressignificação do Cheonggyecheon. Finalizado em 2005, o projeto pôs fim no viaduto e transformou 3.6km em área verde contínua e para pedestre e ciclistas, melhorando a malha viária e criando uma orla ao longo das margens. Além disso, o projeto, uma referência em SUDS, melhorou o conforto térmico e do microclima da cidade; criou um espaço verde no centro da região metropolitana e criou um espaço de lazer e turismo. Além de eliminar as enchentes e transformar uma das regiões mais populosas do mundo.

Drenagem Urbana Sustentável: Uma solução contra as enchentes

Drenagem Urbana Sustentável: Uma solução contra as enchentes

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