Onde Está Segunda? Quando nem toda inovação é social

E se nós vivêssemos em um mundo onde apenas filhos únicos são permitidos? Até pouco tempo atrás, essa foi uma realidade nada futurística para a China, por exemplo, onde a política do filho único foi colocada em vigor em 1979 e só foi encerrada há dois anos. Mas, quando inserimos esse cenário em um filme de ficção científica e ação que se passa em futuro altamente tecnológico, a conversa fica um pouco mais interessante.

Onde Está Segunda é um filme produzido pela Netflix, que acontece em um futuro não muito distante, onde só filhos únicos são permitidos. Na história, seis irmãs gêmeas tentam se esconder do governo enquanto procuram uma sétima desaparecida.

O ano é 2073 e a realidade nos apresentada é a seguinte:

“Nos últimos 50 anos, dobramos nossa população, triplicamos o consumo de alimentos e de água e quadruplicamos o uso de combustíveis fósseis. A cada quatro dias, há mais um milhão de pessoas no mundo. O ONU prevê que, até o fim da década, teremos uma população de 10 bilhões. Como o planeta vai aguentar a explosão populacional?”

A seca extrema e as imensas tempestades de areia inviabilizaram todo os sistema agrícola da terra. Tentando combater a escassez de alimentos, a criação de culturas geneticamente modificadas mais resistentes e rentáveis está se espalhando pelo globo. Prateleiras vazias foram totalmente abastecidas. Mas modificar a natureza trouxe consequências de longo prazo. No mundo inteiro, há um aumento impressionante de nascimentos múltiplos e defeitos genéticos.

A solução está piorando o problema. É a maior crise da história humana.

Então, a ativista política e renomada bióloga conservacionista, Dra. Nicolette Cayman (Glenn Close), incentivou a instituição da política do filho único, chamada “Lei da Alocação Infantil”.

A nova legislação se instaurou rapidamente, há postos de verificação em todo o país. Todos os cidadãos devem usar uma pulseira de identidade (que controla até mesmo o que cada um compra no mercado). E, daqui por diante, irmãos concebidos ilegalmente serão enviados para “hibernação”.

“Crianças são mais do que apenas crianças. Elas são o futuro. Com a criogenia, garantiremos que seu filho durma em paz, de forma humana, livre da fome e dos perigos, enquanto trabalhamos para construir um mundo melhor.”

A ideia parece ótima: menos pessoas, melhor distribuição de recursos. E ainda há a criogenia que fará com que seu segundo filho durma tranquilamente e acorde em um mundo melhor.

Só que não.

Na verdade, você já deve estar imaginando onde tudo isso vai parar.

O segundo ato do filme se inicia 30 anos após a instauração Lei da Alocação Infantil e ainda há pobreza, ainda não há uma distribuição justa de recursos para todos (a não ser que estejamos falando de um futuro onde a ratazana assada tenha se tornado o prato principal de restaurantes estrelados), há lixo por todo lado e poluição. Ou seja, nada de novo sob o sol.

Então, não se deixe enganar pela propaganda incessante e a tecnologia avançada presente em todos os lugares: essa não é uma inovação social.

Apesar de não ter uma trama surpreendente e não ser o melhor filme do ano, esse certamente é um filme que vai te fazer pensar.

Onde Está Segunda está disponível na Netflix. Para saber mais, confira o trailer abaixo:

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