10 tendências e tecnologias inovadoras para 2019 – Parte 1

Antes de começarmos o texto de hoje, queria compartilhar um pouco sobre o processo de produção das previsões que fazemos anualmente aqui, no InovaSocial. Para que ninguém pense que temos uma bola de cristal mágica, acho que vale explicar alguns detalhes de como “garimpamos” as tendências. Sim, leitor(a). Existe uma metodologia e um processo para trazer a você aquilo que achamos ser as principais tendências no cenário das tecnologias e inovação.

Primeiramente, o texto que apresentamos todos anos é escrito em um ou dois dias, mas ele é um resumo de outros 365 dias de leitura, análises e experimentações. Muitas tendências são cíclicas, então não é nenhuma loucura dizer que, para prever o futuro, é necessário olhar para o passado. Outro detalhe, como brinquei no parágrafo acima, é sobre “prever o futuro.” O processo de identificação de uma tendência está mais para um quebra-cabeça, do que “achismo.”

Para facilitar a leitura, há três anos adotamos o modelo da Induct, que divide as tendências em 3 categorias: Tendências maduras (hoje e nos próximos meses), Tendências de Diferenciação (com crescimento em 2019 e 2020) e Tendências de Exploração (para os próximos 5 a 10 anos). Dito isso, vamos às tendências e tecnologias inovadoras para 2019.

Nota do editor: Caso queira pular diretamente para a segunda parte do texto “10 tendências e tecnologias inovadoras para 2019”, clique aqui e leia a Parte 2.

Tendências Maduras: São tecnologias e movimentos que já existem e devem impactar cada vez mais o nosso dia a dia. Elas têm sido tendência nos últimos 5 ou 10 anos, mas ainda são pouco exploradas.

Veículos autônomos, inteligentes e compartilhados: O futuro do transporte

Se atente para um detalhe, chamamos de “veículos”, e não “automóveis”. Isso porque a sociedade, seja no Brasil ou na China, já entendeu que o automóvel não é a única saída para a mobilidade (seja ela urbana ou no campo). Essa tendência é um misto de tendência que temos visto nos últimos anos, misturando: inteligência artificial, a onda low-carbon, IoT, carros elétricos, drones e economia compartilhada.

Em 2019, vamos começar a ver soluções que farão nos locomover por pequenos, médios e grandes trajetos, sem a necessidade de um condutor e sem a necessidade de “posse”. Além disso, esse movimento vai ditar apostas em diversas áreas. Vamos aos exemplos, assim fica mais fácil de entender:

A BASF é uma empresa química alemã. Ela não constrói carros e nunca foi dona de uma montadora, mas a empresa está focada em desenvolver um tinta que ajude os carros autônomos a utilizar o sistema LIDAR (método utilizado para determinar a distância de um objeto por meio de laser). “Leigamente” falando, seria um sonar de luz infravermelha. O problema atual é que as tintas mais escuras fazem com que a luz seja absorvida, atrapalhando o sistema LIDAR. Em resumo, temos uma indústria química resolvendo um problema que, até anos atrás, seria uma demanda da montadora tradicional.

Por falar em montadoras, as que não se atualizarem, vão morrer. A Tesla foi apenas a ponta do iceberg do universo elétrico. Musk e sua empresa já têm mostrado indícios que não aguenta a liderança do mercado por muito tempo. A Tesla teve seu mérito, iniciou uma revolução no mercado, mas precisa se auto renovar para aguentar a briga de “cachorros grandes” da indústria automotiva. Nos EUA, o CEO da Porsche, Klaus Zellmer, afirmou para a CNET, que a maior parte dos consumidores responsáveis pela pré-venda do elétrico Taycan eram ou são donos de um Tesla.

Mas não é só a Porsche que está apostando nos elétricos. Mate Rimac tem apenas 31 anos e é considerado por muitos “o Elon Musk europeu.” A Forbes e o MIT considerou o croata bósnio um dos empreendedores mais importantes com menos de 35 anos. Rimac criou sua primeira fábrica de automóveis na Croácia e, atualmente, fornece propulsores elétricos e baterias para clientes como Renault, Mercedes, Seat e… Porsche. No portfólio da Rimac Automobili, carros que vão de zero a 100 km/h em 1.85 segundos e são 100% elétricos.

Mas Rimac vai além. “Na nova mobilidade, ninguém vai ser dono de um carro e nem será obrigado a aprender a conduzir”, afirmou o inventor em entrevista para o portal português Publico. A afirmação de Rimac vai de encontro com a declaração que ouvi de um executivo de alto escalão de uma montadora alemã: “Não estamos interessados em vender carros. Queremos o ecossistema.”

Segundo a fonte do InovaSocial, o objetivo é criar um ecossistema de pontos de recargas, hotéis, lojas de conveniências e etc., que será oferecido para as pessoas que utilizarem o veículo (seja ele um carro, uma bicicleta ou um patinete). O futuro do transporte está em uma economia compartilhada, elétrica e autônoma. E 2019 será um ano chave para a evolução deste cenário.

5G no Brasil e no mundo: O futuro das conexões

O 5G não é uma tecnologia para você ter mais velocidade no celular. Ela também faz isso, mas o foco aqui está em IoT. A ideia principal é que as redes de 3.5 GHz e 26 GHz (no Brasil, essas devem ser as faixas adotadas para o 5G) sejam usadas para irem além do celular, conectando veículos autônomos, cidades inteligentes (iluminação, câmeras, etc.) e outros tantos dispositivos.

Mas isso não quer dizer que você sairá acessando a nova rede no seu smartphone em 2019. O ano será o chute inicial dos leilões de rede. O que isso quer dizer? Muitos países, incluindo o Brasil, devem realizar os leilões de rede 5G ainda em 2019 e isso nos dará um panorama de como a tecnologia será implementada. Um fator pode atrasar o processo é a aceitação das operadoras. Segundo o site Teletime, a vice-presidente de Assuntos Corporativos da Telefônica Brasil, Camilla Tápias, afirmou: “A Vivo não quer um leilão em 2019 de jeito nenhum. Ainda temos muita meta para cumprir.” De acordo com a executiva, um leilão com viés “arrecadatório” seria um problema até mesmo em 2020. Tápias não está errada. O Brasil já passou por sérios problemas na mistura de frequências (4G e tv digital compartilhavam a faixa dos 700 MHz), fator que gerou conflito de sinal entre celulares 4G e televisores digitais.

Em resumo, o 5G deve ser tema de debate e, para aqueles que querem pensar em tecnologias sociais, vale a pena ficar atento às discussões em torno do tema e que devem esquentar (bastante) em 2019.

Millennials são coisa do passado: A vez da Geração Z

Nascidos a partir de 2001, a Geração Z deve superar os Millennials em 2019 e representarão um quinto da força de trabalho mundial (além de representarem 32% da população mundial), segundo a ONU. De acordo com o Código Civil brasileiro, a primeira leva da Geração Z passará a ser “maior de idade” ainda este ano. Além disso, “pela primeira vez na história moderna, cinco gerações trabalharão lado a lado”, afirma Michael Dell, CEO da Dell, e isso deve gerar mudanças drásticas no local de trabalho.

“O principal fator que diferencia a Geração Z dos Millennials é um elemento de autoconsciência, em vez do egocentrismo”, comenta Marcie Merriman, diretora executiva da Ernst & Young, no relatório “Rise of gen Z: new challenge for retailers” (leia o estudo completo aqui). Vale ressaltar que essa geração não conheceu o mundo sem que seja digital e isso já diz muito sobre as mudanças.

A nuvem negra da crise econômica surge no horizonte

No nosso texto “2020: Alimentos orgânicos, crise financeira e outras previsões”, já havíamos comentado sobre a presença de uma crise econômica mundial em breve. Não existe um consenso entre os economistas de quando isso ocorrerá, mas todos têm certeza que ela virá. De acordo com o analista de negócios da CBS News, Jill Schlesinger, “é muito provável que o crescimento mundial diminua em 2019, e realmente parece que 2020 pode ser o ano de uma recessão global.”

A boa notícia é que, de acordo com analistas da JP Morgan, o impacto deve ser menos doloroso, já que o mundo parece ter se preparado para problemas financeiros (e aprendido com as crises recentes, vide o colapso do maior banco de investimentos no mundo, o Lehman Brothers).

A fragmentação da internet e a queda das redes sociais

Pode parecer complicado de entender, mas 2019 deve marcar o início da fragmentação de internet. Seja na visão de Tim Berners-Lee ou de Eric Schmidt (vamos explicar as duas a seguir), a coisa toda se resume em dois aspectos: a internet controlada por grandes corporações e/ou governos, e a internet descentralizada. De novo, vamos aos exemplos para ilustrar melhor o cenário.

Eric Schmidt, ex-CEO do Google, acredita que até 2028 a internet será dividida em duas: A chinesa e a não chinesa. Se você não sabe, a China limita o acesso a diversos sites e muitas plataformas (rede social e serviço de buscas, por exemplo) são diferentes dos nossos ocidentais. O grande ponto está no volume de gente, o que torna a internet chinesa é autossustentável. Basta ver os números de acessos, consumo e o PIB do país, para entender que a China não depende do restante do mundo para sobreviver neste campo. Além disso, o país também tem visto o boom de empresas de tecnologia que, nos últimos anos, tem construído uma riqueza excepcional – leia o texto “Quem é a Tencent e por que os brasileiros precisam conhecê-la?” e entenda mais.

Já Tim Berners-Lee, o criador da web www, é uma pessoa que se frustra fácil. Mas isso é bom, porque toda vez que o Tim está frustrado, ele cria algo grandioso. Foi assim com a web, como a conhecemos hoje, e pode ser assim com a Solid, uma internet descentralizada e criada para que os usuários tenha o controle dos seus dados. O problema atual da nova internet é que ela não é nada user friendly, ou seja, se você não sabe algo sobre programação, talvez seja complicado usá-la. A questão é que ela existe, é aberta para todos e pode servir como uma fagulha para o surgimento de uma internet descentralizada (a deep web, por exemplo, já é uma outra forma de internet, só que com objetivos obscuros).

Por fim, as redes sociais estavam fazendo o papel de uma nova internet. Facebook já foi tão grande, que muitos chegaram a chamar a rede social de Zuckerberg de “internet alternativa.” Mas com as polêmicas de vazamento (e vendas) de dados dos usuários, as audiências no senado americano e a fuga dos usuários mais novos, o Facebook precisou se reinventar. Até então, a estratégia da rede tem sido adquirir ou copiar soluções, mas não acredito que isso dará sobrevida ao Facebook como conhecemos.

Em paralelo, o Flickr e Tumblr anunciaram mudanças drásticas em seus serviços. Enquanto o Flickr definha em um esquecimento agonizante (e passa a limitar cada vez mais os usuários gratuitos), o Tumblr anunciou uma guerra contra a pornografia e viu uma debandada de usuários da rede.

Para completar a tempestade nas rede sociais, a União Europeia discute a aplicação do “Artigo 13”, uma proposta de lei de direitos autorais que pode gerar severas restrições no compartilhamento de vídeos e imagens nas redes sociais. Aprovado pela Comissão de Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu, a proposta determina que as plataformas online (YouTube, Facebook, Instagram, etc.) filtrem os uploads de conteúdo, a fim de combater a violação de direitos autorais (copyrights). Para explicar melhor, vou fazer uma coisa que nunca imaginei fazer, usar um vídeo do Felipe Neto para explicar melhor o cenário.

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