Tendências para 2020: Ideias que mudarão o mundo – Parte 2

Dando continuidade ao texto “Tendências para 2020: Ideias que mudarão o mundo – Parte 1”, onde comentamos as dez primeiras tendências do ano, segundo os editores do LinkedIn, o texto de hoje traz mais dez tendências comentadas pelo InovaSocial. Para apimentar o nosso bate papo, aproveito para trazer o nosso podcast especial “InovaSocial Futuro: 2030 e o sonho utópico” (ouça abaixo ou no seu agregador de podcast preferido – Spotify, iTunes, entre outros – basta acessar aqui e escolher a sua plataforma).

11. Mas os investidores não deixarão de amar os unicórnios totalmente

“A narrativa de estouro da bolha é sedutora, mas não tem respaldo em dados, argumenta Anand Sanwal, CEO da plataforma de inteligência financeira CB Insights”, afirma o texto dos editores do LinkedIn. No entanto, o modo como os investidores farão investimento deverá mudar. Fundos e investidores focados em investimento de impacto serão cada vez mais comum. Segundo Sanwal, “são as poucas empresas que sobrevivem que realmente transformam as coisas”. No entanto, ele completa “se você for um fundador que já fez dinheiro para seus investidores no passado, ainda será financiado [em 2020]”. Como o caso do co-fundador da Uber, Travis Kalanick, que conseguiu US$ 400 milhões para CloudKitchens. Financiada por investidores sauditas, ela compra imóveis baratos ou degradados, geralmente perto do centro da cidade, onde constrói cozinhas comissionadas – também conhecidas como cozinhas fantasmas – que alugam para restaurantes que desejam preparar alimentos exclusivamente para serviços de entrega como Grubhub Inc. e DoorDash Inc. Ou seja, apesar de muitos se preocuparem com o impacto, outros tantos investidores só querem saber de uma coisa… o retorno financeiro.

12. Um novo tipo de fundador de startup irá emergir

“O cansaço geral com negócios construídos por avaliações bombásticas e fantasiosas se espalhou pelo mercado. Isso abre espaço para uma nova raça de equídeos na cena das startups: as zebras. A fundadora e CEO da consultoria Hearken Jennifer Brandel, co-autora de “The Zebra manifesto” (“O manifesto da zebra”), explica: as zebras são startups dedicadas a resolver problemas do mundo real, construindo negócios sustentáveis e lucrativos que crescem em um ritmo gerenciável, recusando os ciclos habituais de rodadas de financiamento.” Os editores do LinkedIn completam a afirmação de Brandel, “eles simplesmente não estão interessados em entrar no jogo dos unicórnios. Eles não são empreendedores em série buscando a primeira chance de vender suas empresas e lucrar com opções de ações”. Neste cenário, o empreendedorismo social pode sair ganhando, visto que as “regras” do cenário de investimento irão mudar.

13. A transformação social passará pelo empreendedorismo

Você deve ter percebido que os dois primeiros tópicos constroem um cenário bem promissor para o empreendedorismo social em 2020. “No segundo país mais desigual do mundo, a busca de soluções para nossos problemas sociais é urgente. Melhorar a qualidade de vida das comunidades mais pobres do Brasil será feito cada vez mais, explica Edu Lyra, fundador da rede Gerando Falcões, por meio da ‘transformação de dentro pra fora; construindo impacto a partir da escassez’”. Os editores do LinkedIn completam “o ponto de inflexão agora é apoiar mais inovações, desde novidades tecnológicas como novos modelos de negócio que começam a emergir”. Algo que o InovaSocial vem falando bastante nos últimos anos.

14. Sua capacidade de foco será a sua competência mais importante

Novamente, mais um tópico que envolve tendências para 2020 no universo corporativo. Arrisco em dizer que o trabalho é um dos campos que mais sofrerão mudanças nos próximos anos. As soft skills têm se tornado habilidades no topo da lista dos recrutadores. “Cada vez que os funcionários pegam seu telefone ou tendem a se distrair, o trabalho deixa de ser feito”, alerta Brian Solis, autor de ‘Lifescale: How to Live a More Creative, Productive, and Happy Life’ (Equilíbrio de vida: como ter uma vida mais criativa, produtiva e feliz).

15. A mudança climática será o principal tema para proprietários, investidores e seguradoras de imóveis

As questões relacionadas à mudança climática estarão em quase todos os mercados. O texto do LinkedIn traz o seguinte caso: “Em novembro, um cliente da gigante imobiliária americana Redfin desistiu de comprar uma casa em um bairro nobre de Houston, conta o CEO Glenn Kelman. A franquia do seguro contra inundações para a propriedade era alto demais. Essa é uma das formas bastante reais pelas quais as mudanças climáticas estão remodelando a nossa geografia urbana. ‘Essa tornou-se uma questão muito pessoal para as pessoas que tentam vender suas casas, e definitivamente se transformou em uma ansiedade generalizada para quem compra esses imóveis’, diz Kelman.” Eles ainda completam, “Investidores institucionais estão pressionando os gestores de ativos a precificar o risco climático de seus ativos, explica Emilie Mazzacurati, CEO da empresa de inteligência de mercado Four Twenty Seven. A propriedade corre risco de inundação ou incêndio? As franquias dos seguros vão aumentar? E quanto aos impostos locais? A região perderá população e empregos?”

Isso tudo terá um reflexo. Na forma como pensamos as cidades. Ainda no começo de 2019, escrevi o texto “São Paulo: A megacidade com Design Thinking e seus projetos”, publicado na plataforma do Instituto Tellus. Muito focado na cidade de São Paulo, o texto traz alguns questionamentos sobre como pensamos e pensaremos, principalmente, megacidades. E, em alguns pontos, se não pensamos até o momento, a mudança climática nos fará pensar.

16. Previsões sobre uma nova recessão global irão diminuir — mas não desaparecerão totalmente

O fantasma de uma grande crise tem rondado o mundo nos últimos anos. Após a Grande Recessão, economistas têm ficado em alerta para qualquer sinal de que as coisas estão caminhando para o lado errado. “Personalidades influentes, como o Presidente do Federal Reserve dos EUA Jerome Powell e a sua ex-presidente Janet Yellen veem um crescimento moderado contínuo na maior economia do mundo até 2020. Christine Lagarde, a nova presidente do Banco Central Europeu, também disse em setembro que sua perspectiva básica não inclui uma recessão global, embora o crescimento seja “medíocre” e haja uma “grande ameaça” no atual conflito comercial entre os EUA e a China.” No podcast especial “InovaSocial 2019: Erros e acertos das tendências do ano”, comentamos sobre este ponto. Uma possível recessão era algo previsto para 2019/2020, e esta tendência segue nos planos. Ouça o podcast abaixo.

17. Os reguladores irão atrás das Big Tech sob novos ângulos

Os editores do Linkedin afirmam, “deveríamos estar vivendo uma era de inovação, com setores de rápido crescimento atraindo centenas de novos empreendimentos. Entretanto, isso não acontece, diz o professor de marketing da NYU Scott Galloway. ‘Duas vezes mais startups estavam sendo criadas durante o governo Carter do que hoje’, ressalta. ‘E a razão é que os setores que mais crescem em nossa economia — equipamentos de tecnologia, redes sociais, pesquisa e comércio eletrônico — estão sob o controle de uma ou duas empresas.’Uma ação antitruste poderia resolver isso, diz Galloway”. Muito mais que uma caça às bruxas contra monopólios, regulamentar mercados que envolvam o processamento de dados, inteligência artificial e novas tecnologias, soa como um resguardo para o futuro. O que faremos quando inteligências artificiais realmente tornarem-se inteligentes? Quem pode acessar os dados de um prontuário médico? Estas são apenas algumas questões. No Brasil, a LGPD, apesar dos seus contratempos e déficits, é um dos vários caminhos para a regulamentação deste cenário. E, 2020, será o ano que veremos essas discussões aumentarem cada vez mais.

18. O mundo enfrentará uma escassez global na enfermagem

Confesso que esta tendência me pegou de surpresa. Enquanto li o texto dos editores do LinkedIn, não esperava este cenário na lista, mas depois vi que fazia todo sentido. “Países no mundo inteiro estão enfrentando uma escassez de profissionais de saúde. Essa necessidade é particularmente elevada nos países de baixa e média renda (como o Brasil), onde a estimativa de déficit é de 18 milhões para os próximos 10 anos. No entanto, há sinais de que 2020 — o ano em que fundadora da enfermagem Florence Nightingale comemoraria seu 200º aniversário — será o ano que a Organização Mundial de Saúde está chamando de O Ano dos Enfermeiros e Parteiros. [Eles] serão responsáveis por cerca da metade do déficit projetado para profissionais de saúde na próxima década. A OMS está planejando um grande esforço para promover formação, treinamento e apoio no trabalho para enfermeiros, algo muito maior do que apenas preencher uma lacuna crítica na força de trabalho. ‘Como 70% da força de trabalho global em saúde é feminina, empregos para profissionais de saúde são empregos para mulheres’, explica o Diretor Geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus. ‘Portanto, em outras palavras, investir em profissionais da saúde paga um dividendo triplo: para a saúde, para o crescimento econômico e para a igualdade de gênero.’”

19. A neurociência será a aliada de empresas de tamanhos variados

“Há uma série de gatilhos mentais utilizados com a intenção de aumentar as vendas. São desde o uso inteligente da aversão à perda até o apelo ao sentimento de nostalgia. Segundo Camila Farani, presidente da G2Capital e jurada do Shark Tank Brasil, ‘em um mundo cada vez mais digital e movido por dados, a ciência e as empresas ainda têm muito a evoluir no entendimento sobre como o cérebro humano se comporta em relação ao consumo’ Ela completa, ‘vejo o uso da neurociência pelos negócios como uma possível próxima grande onda, que certamente tem tudo para decolar em 2020. E não apenas por parte das grandes corporações: qualquer tipo e tamanho de empresa pode se beneficiar dessa nova ciência. Basta ter a capacidade de enxergar quais são os gatilhos que melhor impactam seus clientes’”.

20. Vamos questionar o valor do trabalho em si

Eu diria que a última tendência para 2020 é uma mistura dos itens #01, #04, #05, #08, #12 e #13. Os editores do LinkedIn afirmam, “uma ideia central conecta a maior atenção que estamos dando ao trabalho flexível, à semana de trabalho de quatro dias, à saúde mental no trabalho e também a outras tendências crescentes no local de trabalho: talvez o trabalho tenha sido um falso ídolo desde o príncipio. A Europa sempre teve suas dúvidas, mas mesmo as nações mais obcecadas pelo trabalho estão questionando uma cultura sempre ativa e centrada em realizações. Membros da classe rica dos Estados Unidos começaram a fazer planos para se aposentar mais cedo, enquanto os trabalhadores chineses estão começando a se rebelar contra o modelo 9-9-6 [ouça abaixo sobre o Sistema 996]”.

Com o capitalismo em xeque, gerações menos consumistas (e questionadoras) e novos valores, nos fazem pensar o papel do trabalho e como ele se encaixará na vida das novas gerações. “Essa geração está realmente atenta à energia que dedicam ao trabalho e à que dedicam a qualquer outro aspecto de suas vidas”, observa o CEO da Redfin Glenn Kelman.

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