E a inovação no Brasil? Segue estagnada, segundo o Global Innovation Index

De acordo com a edição 2017 do Global Innovation Index (GII), o Brasil segue estagnado na 69ª posição do ranking mundial da inovação. Para efeito de comparação, na América Latina somos apenas o sétimo colocado (Chile lidera com a 46ª posição no ranking geral), no BRICs somos os últimos e, no geral, estamos atrás de países como Kuwait, Grécia e Sérvia.

A décima edição do GII, ranking desenvolvido pela Cornell SC Johnson College of Business, INSEAD e WIPO (organização responsável por registro de propriedade intelectual no mundo), ironicamente têm como parceiros o Sebrae e a CNI, ou seja, apoiamos e contribuímos com o ranking, mas estamos bem longe dos três primeiros (Suíça, Suécia e Holanda).

Outro ponto que também se destaca é o tema do ranking 2017. Focado em inovação na agricultura e “sistemas do alimento”, ou seja, toda cadeia de produção de alimentos – contemplando produção, distribuição, consumo e desperdício. Visto que somos um país continental e com boa produção de alimentos, era de se esperar que estivéssemos a frente, pelo menos, dos nossos vizinhos. Para entender onde estão os prós e contras, o InovaSocial comparou Brasil e Chile dentro de alguns dos 81 indicadores e destacou abaixo alguns pontos do cenário de inovação no país. Confira:

Instituição (políticas governamentais, impostos e etc.): O Global Innovation Index destaca três fraquezas no Brasil. O ambiente de negócios, a facilidade em iniciar um negócio e a facilidade no pagamento de impostos atingiram notas mínimas, variando entre a 123ª e 124ª no ranking geral. Visto que são 127 países avaliados no total, somos quase lanterna nestes três itens. Totalmente na contramão, o Chile se destaca em dois pontos: Qualidade regulatória (percepção da capacidade do governo em formular e implementar políticas e regulamentos sólidos, que permitam e promovam o desenvolvimento do setor privado) e no Estado de Direito, ou seja, a percepção dos agentes em confiar e respeitar as regras da sociedade, em particular a qualidade na execução de contratos, direitos de propriedade, polícia e tribunais.

Capital humano e pesquisa: É a categoria onde o Brasil mais se destaca, emplacando cinco destaques: Despesas com educação e Pesquisa & Desenvolvimento, que inclui três subitens – Despesas com P&D, Presença de empresas com alto índice em P&D e Presença de universidades que se destacam no ranking mundial. Em resumo, o nosso grande ponto forte, segundo o GII, é o brasileiro. Já o Chile se destaca em apenas um ponto, a proporção de matrículas no ensino superior.

Infraestrutura: Neste quesito, o Chile segue mediano em todos os pontos, mas o Brasil possui dois destaques e uma fraqueza: Serviços governamentais online e participação online são destaques, enquanto Formação Bruta de Capital é uma fraqueza (o indicador representa o quanto as empresas aumentam os seus bens de capital, ou seja, que servem para produzir outros bens).

Sofisticação do Mercado: Apesar do Global Innovation Index destacar o crédito como uma fraqueza (estamos na 102ª posição neste quesito), a pesquisa coloca Comércio, Concorrência e Escala de Mercado como destaques, sendo o último um destaque interno, ou seja, a escala do mercado doméstico. Algo quase lógico, visto que temos uma grande população e extensão territorial. No caso do Chile, os destaques ficam por conta do crédito para o setor privado e as tarifas de importação, e a fraqueza está nas ofertas de capital de risco.

Sofisticação Empresarial: De novo, quando o assunto é o brasileiro, ou seja, as pessoas, o Brasil consegue se destacar. São 3 pontos sinalizados pelo GII: Absorção de Conhecimento, Pagamentos de Propriedade Intelectual e Importação de Alta Tecnologia.

Conhecimento e Tecnologias: O penúltimo pilar avalia o cenário das novas tecnologias, invenções e inovação. São dois destaques e duas fraquezas. Os pontos positivos brasileiros estão no Índice H (índice que se propõe em quantificar a produtividade e o impacto de cientistas) e na produção de alta e média tecnologia, segundo o OECD. Os pontos negativos sinalizados são o crescimento do PIB e o Impacto do Conhecimento. O Chile se destaca pela densidade de novos negócios, algo que tem sido buscado bastante pelos governos chilenos. Aliás, o país busca construir o “Vale do Silício do Chile” há anos e no começo de janeiro (10) iniciou a construção do Parque Laguna Cáren, um espaço onde o objetivo é criar uma plataforma onde ciência natural e social, tecnologia e arte se unem para buscar soluções interdisciplinares para desafios do Chile e do mundo (veja mais neste link).

Criatividade: Por fim, o GII avaliou a criatividade para inovação. Esse pilar também inclui iniciativas culturais, por isso o Brasil teve como fraqueza assinalada pelo Global Innovation Index a criação de filmes nacionais. Outros dois itens que são fraquezas do Chile, mas que eu sinalizaria também como brasileiras são o design industrial (Chile e Brasil ficaram, respectivamente, com a 106ª e 61ª colocação no ranking geral) e Produtos e serviços criativos.

Caso deseje acessar o relatório completo, ele pode ser acessado neste link.

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