Covid-19 agora é pandemia, mas o maior impacto é no sistema de saúde

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava o Covid-19 uma pandemia, poucos perceberam, mas uma fala do diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, dr. Michael Ryan, foi uma das mais importantes da coletiva: “todos os países precisam olhar de perto os objetivos na resposta desta pandemia (…) é  preciso focar as energias no sistema de saúde, para que ele continue trabalhando bem.”

O que isso quer dizer? O Covid-19 não é um vírus altamente letal. A grande parcela de fatalidades do novo coronavírus foram em pessoas idosas ou com imunidade debilitada. No entanto, se o caso se descontrolar, o vírus pode impactar o sistema de saúde como um todo. Em resumo, os hospitais ficam superlotados, não existem leitos para suprir todas as demandas graves (não só do novo coronavírus) e o sistema todo entra em um blackout. Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, “ele [o vírus] é duro e derruba o sistema de saúde. Quanto mais alta a espiral (de transmissão), mais pessoas acionam o sistema de saúde.”

Vou dar um exemplo mais prático. Imagine que o hospital perto da sua casa está superlotado de pacientes com Covid-19. Dos casos mais simples aos mais graves, e você sofre com uma pedra no rim ou cai da escada. Não são casos de emergência, mas são bem incômodos. Como você acha que conseguirá tratamento? Outro exemplo que serve para ilustrar a pandemia. Imagine que os padeiros da padaria próxima a sua casa estão doentes. Eles, provavelmente, não irão trabalhar, certo? Você não terá o seu pão e o dono da padaria vai sofrer economicamente.

Imagine que o hospital perto da sua casa está superlotado de pacientes com Covid-19. (…) e você sofre com uma pedra no rim ou cai da escada. (…) Como você acha que conseguirá tratamento?

Segundo a OMS, a taxa atual de mortalidade do Covid-19 é de 3.4%, mas isso não quer dizer que devemos deixar de nos preocupar com os perigos do vírus. A letalidade da doença na Itália é mais de 8 vezes a observada na Coreia do Sul. Enquanto no país europeu já morreram 6.21% das pessoas, no país asiático, o percentual de óbito foi de 0.7%, segundo dados divulgados pelos dois países. É claro que este percentual inclui diversos fatores, como o volume de idosos e o número de doentes. Além disso, segundo a OMS, 90% dos casos estão concentrados em quatro países (China, Itália, Irã e Coreia do Sul), nestes casos, a OMS tem acompanhado de perto, pois muitos especialistas afirmam que o Covid-19 está descontrolado nestas regiões — principalmente Irã.




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Também vale dizer que existe um momento em que não são mais feito testes do novo vírus. Segundo a OMS, cada país precisa definir qual essa capacidade laboratorial e onde mudam os critérios para avaliação e confirmação da doença. Por isso, a orientação é seguir para o hospital apenas em casos graves. Como Ghebreyesus afirmou durante a coletiva, pandemia é um termo que não pode ser usado de forma leviana, pois pode causar medos irracionais e uma “aceitação de que o combate é inútil”, por isso, a OMS indica que os países não diminuam o combate ao vírus.

Por fim, a OMS reforça dois pontos importantes. A prioridade de equipamentos são para os profissionais de saúde, ou seja, já existe uma alta demanda por máscaras e álcool gel, por exemplo, mas o foco destes produtos devem ser os profissionais que atuam diretamente no combate de doenças. Já o segundo ponto é que, atualmente, existem 81 países que não reportaram casos de Covid-19 e, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, este é o momento de não “baixar a guarda e manter o combate à contenção do vírus [para que possamos combater a pandemia do novo coronavírus].” Além daqueles países que não possuem casos registrados, a OMS também ressalta os países com menos de 50 casos (atual situação do Brasil) também precisam reforçar o combate ao coronavírus e a fim de evitar a explosão de casos nas próximas semanas.

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