Ambiente de trabalho: O offline ainda é necessário?

Os escritórios não são mais os mesmos, comparados com os de 50 anos atrás. O meu escritório, por exemplo, cabe em uma mochila. Uma mochila que posso levar para todo canto e fazer de cada lugar meu espaço de trabalho: a sala da minha casa, o banco de trás de um Uber, uma cafeteria, o apertado assento de um avião, uma cama de hotel, e por aí vai… Hoje, as possibilidades são quase infinitas.

A decoração pode até continuar a mesma, mas, diferente de 50 anos atrás, a grande novidade é que estamos o tempo todo conectados. E então, a pergunta: Se eu posso levar meu escritório em uma mochila ou até mesmo em meu bolso, e a conectividade permite que eu trabalhe de qualquer lugar do mundo, o offline ainda é necessário?

Não sei qual é a sua resposta para essa pergunta, mas a minha em algum momento já foi um “não” em alto e bom som. Mas, quando parei para pensar melhor, comecei a duvidar de minha afirmação.

Se o offline é tão dispensável, por que é que eu não consigo me livrar de toda essa bagunça que está na mesa do meu escritório de casa? Vejamos: livros, agendas, canetas, alguns quadros decorativos, uma vela aromática e dois Funko Pop! (um da Princesa Leia, outro do Jeoffrey – de Game of Thrones). Eu não chamaria tudo isso de essencial, mas certamente também não é bagunça. Esses são elementos importantes que me ajudam a trabalhar. E algumas dessas ferramentas ainda permitem que eu trabalhe de qualquer lugar do mundo, ainda com uma vantagem: eu não preciso estar conectada para usá-las. Se eu levo tudo comigo na mochila? Não.

E é aí onde entra uma palavra importante dentro de todos esses questionamentos e outros similares: equilíbrio.

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Sir Nicholas Grimshaw, fundador da Grimshaw Architects | Foto: Anton Rodriguez

No fim das contas, será mesmo que nossos escritórios mudaram tanto assim? Uma dupla composta por um fotógrafo e um editor (Anton Rodriguez e Jonathan Openshaw), descobriu facilmente que não, enquanto passava os olhos pelos espaços de trabalho de profissionais criativos, em Londres.

Para compor a instalação fotográfica DeskTop, Anton e Jonathan visitaram os escritórios de arquitetos, editores, designers e curadores. O que eles descobriram foi algo bem parecido com o que eu descobri analisando minha “bagunça”: espaços fixos de trabalho são tão importantes quanto as coisas que colocamos sobre eles, os objetos significantes e as ferramentas que nos ajudam a concluir cada trabalho.

“Nossas vidas se tornaram cada vez mais dedicadas ao digital, passando dez horas ao dia colados a uma tela, mas nosso apego às ferramentas físicas não diminuiu,” disse Jonathan. “Ao final do dia, o humano é um ser físico – somos táteis, precisamos nos relacionar uns com os outros. Não podemos existir em bolhas digitais. As ferramentas digitais são coisas maravilhosas e a tecnologia melhora – e muito – nossa capacidade de produzir coisas e compartilhar essas coisas com o mundo, mas acho que sempre haverá um espaço para o papel e a caneta em nossas rotinas de trabalho.”

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Tony Chambers, Diretor de Marca e Conteúdo da Wallpaper magazine | Foto: Anton Rodriguez

Certamente, eu preciso estar conectada para que 100% do meu trabalho esteja concluído, mas ouso dizer que 90% dele pode ser feito no mundo offline. E não falo isso de forma exagerada, no momento em que escrevia esse texto que você está lendo, minha internet simplesmente caiu e eu simplesmente continuei: eu, minhas ideias e um computador desconectado de minha bolha digital. A verdade é que o online é apenas mais uma de todas as outras ferramentas que compõem meu espaço de trabalho, desde minha agenda até minhas peças decorativas.

Então, respondendo à pergunta do título do texto, posso dizer que o offline não só é necessário, como é essencial. Enquanto houver uma mente cheia de ideias, haverá ferramentas para fazer com que essas ideias tomem vida, seja uma rede de alta velocidade, seja o papel e a caneta.

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