Como acelerar o acesso a energia limpa pode transformar vidas

Em todo Dia da Terra (22/04), aqueles que vivem em seu mundo eternamente iluminado por dispositivos eletrônicos e por luzes da cidade são convidados a ficar no escuro por uma hora, com o objetivo de reduzir nosso uso de energia para suavizar nossa pegada de carbono. Mas muitos se esquecem de que existe uma parte do mundo que não tem acesso a esse tipo de opção. Em muito lugares do mundo, ficar no escuro por uma hora é fichinha, quando se está no escuro o tempo todo. Por isso, a Rockefeller Foundation vem lidando com um desafio que vai contra a corrente: como promover e estimular o consumo de energia nessas áreas?

A energia é um elemento essencial para a transformação socioeconômica: ao potencializar os meios de subsistência, ela fortalece a vida. No entanto, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo têm acesso limitado ou inexistente à quantidade de eletricidade necessária para a produtividade econômica, ampliando ainda mais a distância entre os que têm e os que não têm. Sem eletricidade adequada, as máquinas não podem funcionar, o acesso à tecnologia da informação pode ser limitado e o trabalho manual, o estudo ou até mesmo ações que salvam vidas de pessoas, devem terminar ao anoitecer.

O impacto é mais notável nas áreas rurais. Apesar de até existirem políticas bem-intencionadas e vontade política em algumas dessas áreas, muitos governos lutam com recursos inadequados e capacidade limitada para fornecer energia até seu último quilômetro. Entretanto, os fornecedores de energia tendem a ignorar estas comunidades, uma vez que os seus hábitos atuais de consumo de energia não parecem justificar investimentos significativos necessários para expandir a capacidade nestas áreas.

Com o objetivo de resolver esse problema, a Rockefeller Foundation lançou sua nova iniciativa no começo de 2018, a Smart Power for Rural Development, que já levou energia a mais de 100 aldeias em três dos estados mais pobres em energia da Índia, onde até 60% das pessoas tinham pouco ou nenhum acesso a uma fonte confiável de eletricidade. Através da construção de mini-redes descentralizadas, mais de 40.000 pessoas agora têm acesso a energia limpa e confiável que irá as ajudar a sair da pobreza de maneiras que também são boas para o planeta. O programa é executado pela Smart Power India (SPI), que reúne provedores de serviços de energia, empresas de tecnologia e usuários finais que compõem um ecossistema que se adapta às necessidades de cada aldeia. É importante ressaltar que o programa está ajudando os consumidores a perceber o poder da energia, facilitando a demanda e, assim, melhorando os incentivos para fornecer um suprimento limpo e confiável à medida que o PIB da aldeia cresce.

Cada vez mais as comunidades estão se transformando rapidamente ao abraçar novas oportunidades de usar a eletricidade produtivamente. Na aldeia de Kamlapur, em Uttar Pradesh, a SPI ajudou um empresário local a montar um novo negócio para fabricar peças de vestuário com o uso de máquinas de costura elétricas. Após um treinamento de dois meses, 50 mulheres da comunidade foram empregadas, resultando em aumento de renda familiar, que tradicionalmente dependiam do dinheiro que vinha da agricultura. A empresa está produzindo 2.000 unidades por mês e está começando a receber pedidos de varejistas populares em toda a Índia.

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Na cidade de Gumla, no Estado de Jharkhand, a SPI ajudou mulheres agricultoras que se reuniram para comprar descascadores de arroz, para atender melhor à demanda nos mercados locais, acabando com a dependência de intermediários. Graças ao acesso consistente à eletricidade para operar seu novo equipamento, no tempo que leva para descascar 20 quilos à mão, até 2 toneladas de arroz agora são produzidas e vendidas. Com essa iniciativa, mais de 75 pequenos produtores locais foram beneficiados.

O acesso a uma fonte confiável de eletricidade é um grande multiplicador de forças para liberar o potencial econômico de empreendimentos focados em processamento agrícola, refrigeração para fins comerciais, oficinas, iluminação de lojas e purificação de água, entre outros. Ainda mais encorajador é o fato de que mulheres, meninas e jovens estão usando esse acesso para gerar novas oportunidades para si mesmas, bem como para suas comunidades e famílias.

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De fato, é preciso acelerar a eletrificação universal de forma sustentável, e isso precisa ser feito agora – para falar a verdade, começando agora, nós já estamos atrasados, então é preciso correr contra o tempo perdido diariamente. Cada dia que uma comunidade passa sem acesso à energia elétrica é mais dia em que a desigualdade se aprofunda. Mas, ao mesmo tempo que é preciso fornecer energia a todos, também é preciso pensar em formas de reduzir nossa emissão de carbono na atmosfera. Por isso, o que faz com que os projetos da Smart Power for Rural Development sejam duplamente honráveis, é o fato de que tudo isso tem sido feito com energia limpa e renovável.

O caminho para a construção de sociedades mais inclusivas e ambientalmente conscientes ainda é longo, mas as comunidades dessas 100 aldeias provam que o acesso a energia limpa e confiável é um passo fundamental para um futuro empoderado.

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