O compartilhamento de bikes sem estações pode dar certo?

Após menos de 6 meses de seu lançamento, na França, uma empresa de serviços de bikes compartilhadas sem estações anunciou sua saída do país, devido ao que ela definiu como uma “destruição em massa.” Segundo a empresa, a Gobee, mais de mil bikes foram roubadas na França, 3.200 foram destruídas e 6.500 precisam de reparos.

“Durante dezembro e janeiro, a destruição de nossa frota se tornou a mais nova forma de entretenimento entre jovens,” disse a Gobee ao The Guardian.

Infelizmente, esse cenário não é uma novidade nesse mercado. E essa também é uma questão importante para o Brasil, uma vez que o prefeito de São Paulo, João Dória, recentemente abriu credenciamento para operadoras oferecerem esse tipo serviço na cidade. O que faz com que nos perguntemos: Será que os seres humanos serão capazes de deixar que um serviço de compartilhamento de bikes sem estações dê certo?

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Ao redor do mundo, empresas que fornecem esse serviço estão lutando com essa realidade. Na China, mais de 80.000 bikes estão abandonadas. Isso se deu por dois motivos: em primeiro lugar, foi devido ao trânsito absurdo causado por elas. E em segundo, nesse tipo de serviço as bicicletas são deixadas aleatoriamente pela cidade, as empresas responsáveis não faziam qualquer recolhimento dos veículos, e o trabalho acabava sendo feito pela polícia. Para resolver a situação, as bicicletas foram confiscadas pelas autoridades e hoje formam um bizarro “cemitério” na cidade de Zhejiang. Na cidade de Chongqing, a Wukong Bikes anunciou seu fechamento após perder 90% de suas bikes em apenas cinco meses.

No Reino Unido, a Obike se viu obrigada a encerrar suas atividades em várias áreas de Londres após suas bikes obstruírem ruas e calçadas, e também teve problemas na Austrália pelo mesmo motivo. Nos Estados Unidos, a Spin está lutando com o Departamento de Transportes para conseguir disponibilizar seus serviços em Nova York – ao mesmo tempo, usuários do serviço da mesma empresa em Seattle já reclamaram a respeito da baixa qualidade no quesito de experiência do usuário.

E por último, mas não menos importante, o Google dá aos funcionários livre acesso a bikes que podem ser usadas dentro da sede da empresa (Califórnia, EUA), e centenas delas são perdidas toda semana.

“Foi triste e desapontante perceber que alguns indivíduos podem simplesmente destruir um projeto tão bonito e promissor,” disse a Gobee, ainda sobre os problemas que a empresa enfrentou na França. “Chegamos à conclusão de que não seria viável continuar com o serviço e que não havia outra escolha a não ser encerrar as operações no país todo.”

É muito bom incentivar pessoas a escolherem bicicletas, no lugar de carros, mas, considerando todos esses exemplos, quase dá para dizer que um serviço que dependa da boa fé dos seres humanos para funcionar não é negócio sustentável. Mas sabemos que isso não é verdade, que a confiança é um dos pilares da economia colaborativa e que existem ótimos exemplos de modelos de negócios que rendem boas histórias e inspiração (para ouvir nosso podcast sobre economia colaborativa, clique aqui). Quanto ao compartilhamento de bikes sem estações, nós estamos certos de que mentes inovadoras são capazes de encontrar soluções inovadoras; assim, seguimos atentos e ansiosos para contar boas histórias de empresas dessa área em qualquer lugar do mundo – e até mesmo no Brasil!

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