Narrativas criminais existem há séculos. Antes da internet, já circulavam em panfletos e canções populares. Hoje, o formato ganhou escala global em podcasts e séries. O que mudou não foi o interesse, mas sim a velocidade e o alcance do consumo.
Nem todo true crime é jornalismo. Em muitos casos, a violência é explorada como suspense. Especialistas chamam isso de “pornografia de trauma”: o consumo da dor alheia como entretenimento, sem contexto ou responsabilidade.
O consumo frequente de true crime pode aumentar ansiedade e sensação de insegurança. E também pode gerar insensibilização: quanto mais violência assistimos, menor tende a ser nossa reação emocional ao sofrimento real.
Os impactos emocionais são reais
No Brasil, o podcast “Projeto Humanos – O Caso Evandro” revisitou um crime dos anos 1990 e revelou indícios de tortura e falhas graves na investigação. A série reacendeu o debate público e contribuiu para revisões judiciais. Já “The Jinx” (HBO) reexaminou um caso antigo, reuniu depoimentos e trouxe novas evidências ao público. Durante a produção, informações relevantes vieram à tona e o desfecho judicial ganhou novo impulso, mostrando como o gênero pode ir além do entretenimento.
Antes de dar play, pergunte: isso informa ou só transforma violência em entretenimento? Prefira conteúdos que expliquem o contexto, investiguem falhas e tragam reflexão. E reconheça seus próprios limites. Se o consumo constante aumenta medo ou ansiedade, pausar também é uma escolha responsável.