Butterfly iQ: um dispositivo de ultrassom acessível e portátil que funciona com um smartphone

Quando a filha de Jonathan Rothberg foi diagnosticada com esclerose tuberosa, ele se viu em uma jornada que consistia em realizar diversas idas ao médico, com consultas e exames de ressonância magnética, que revelaram tumores e cistos nos rins de sua filha. A experiência vivida por Jonathan, que é médico, mostrou a ele quão incômoda a tecnologia de diagnóstico por imagem pode ser para alguns pacientes, e o fez pensar em quais avanços poderiam ser feitos para torná-la menos incômoda e mais acessível.

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A tecnologia de diagnóstico por imagem é muito cara, os equipamentos são de difícil transporte e requer uma fonte confiável de energia. Para aldeias pequenas e com poucos recursos no mundo em desenvolvimento, é difícil ter acesso a ferramentas de diagnóstico que salvam vidas, como ressonância magnética, tomografias por emissão de pósitrons (PET) ou ultrassom. A Butterfly, empresa de Jonathan, encontrou uma forma inovadora de reduzir fisicamente a tecnologia para que ela possa ser usada com um telefone celular, o que faz com levar esses recursos a pacientes remotos seja uma tarefa muito mais fácil: o Butterfly iQ.

Em março, o Butterfly iQ venceu o Interactive Innovation Awards, promovido pelo SXSW, na categoria Saúde, Medicina e Biotecnologia. E, no início de abril, o dispositivo também foi vencedor do World Changing Ideas 2019, promovido pela revista Fast Company, na categoria Saúde.

Nos EUA, o preço de equipamentos de ultrassom pode variar entre US$ 10.000 a US$ 200.000 por máquina, dependendo da sua complexidade. Já o o Butterfly iQ custa menos de US$ 2.000 e pode ser adquirido diretamente no site da empresa.

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Essa redução considerável de custos é possível pelo fato do dispositivo ser tão pequeno: geralmente, as máquinas de ultrassom usam cristais de quartzo para emanar ondas sonoras no corpo. Em vez disso, o Butterfly IQ usa milhares de pequenos tambores metálicos instalados em um chip do tamanho de um selo postal. Ele vem com um aplicativo móvel que interpreta imagens de ultrassom usando inteligência artificial. A Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, aprovou o Butterfly iQ em 13 testes.

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Atualmente, a Butterfly está trabalhando com a Bridge to Health para que médicos no Quênia e em Uganda usem seu equipamento de ultrassom como uma ferramenta de diagnóstico em aldeias remotas. A empresa também está trabalhando com escolas, como a Universidade de Nova York e a Universidade de Connecticut, para garantir que os alunos também tenham acesso ao seu dispositivo.

O interesse na tecnologia é alto por parte de uma grande variedade de investidores. Em 2018, a Butterfly recebeu US$ 250 milhões em financiamento da Fidelity, da Fundação Bill & Melinda Gates, do fundador da York Capital Management Jamie Dinan e da Fosun Pharma. No segundo semestre do mesmo ano, a empresa começou a realizar envios para mais de 20.000 profissionais médicos que reservaram os dispositivos com antecedência. Atualmente, os envios estão sendo feitos apenas para os EUA; e a previsão é de que os envios para o Reino Unido, a Europa, a Austrália e a Nova Zelândia comecem a ser feitos em junho de 2019. A Butterfly também pretende levar sua tecnologia para todos os lugares do mundo e, segundo informações no site oficial da empresa, basta reservar seu produto e aguardar um contato da equipe, que será feito assim que os envios para os demais países forem iniciados.

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