Pesquisadores usam Bing para identificar pacientes com Parkinson

Talvez você não saiba, mas a Microsoft é uma empresa empenhada em encontrar soluções para pessoas com Mal de Parkinson. Ainda em 2017, o InovaSocial trouxe o Project Emma, um wearable da empresa americana que ajuda pessoas com a doença a controlar os tremores das mãos. Agora um médico da Universidade de Duke e os pesquisadores deram um novo passo na tarefa de diagnosticar possíveis pessoas com Parkinson.

Com ajuda de uma inteligência artificial, o grupo tem avaliado milhões de buscas na internet para identificar possíveis doentes. De acordo com o estudo, foram encontradas ligações entre alguns comportamentos, como tremores do mouse, consultas repetidas e velocidade média de rolagem das páginas. Para entender melhor o estudo, precisamos dar dois passos para trás e explicar algumas questões.

Na grande maioria das vezes que você acessa um site, a plataforma é capaz de identificar alguns comportamentos, como o posicionamento do mouse, tempo de permanência, entre outros fatores. A pesquisa citada usa esses dados para identificar a possibilidade de uma doença. É nesse ponto que a discussão divide opiniões. De um lado, identificar comportamento de acessos para venda de publicidade é algo super comum nos EUA e no mundo. Quem não conhece o lendário caso da Target (algumas pessoas dizem que foi a Amazon), que oferece fraldas para uma adolescente e o pai, revoltado, decide reclamar com a marca, mas depois descobre que a filha estava grávida. O algoritmo apenas cruzou alguns comportamentos e identificou que a garota estava grávida. Não importa a idade ou quem era a pessoa, o sistema apenas identificou que ali havia uma grávida e mandou sugestões de compra.

No entanto, quando o assunto é identificar uma doença, uma série de discussões sobre privacidade englobam a discussão. Além disso, “ambas as condições (Parkinson e Alzheimer) em seus estágios iniciais podem ser muito difíceis de diferenciar de uma série de condições benignas, então a taxa de erros de diagnóstico é alta”, diz Murali Doraiswamy, diretor do programa de distúrbios neurocognitivos da Duke University. Ou seja, imagina você recebe uma mensagem “olá, acreditamos que você possa ter Parkinson” e é um falso positivo. Quem arcaria com os exames desnecessários e as consultas médicas? E se esse tipo de informação vazasse para empresas privadas (um plano de saúde, por exemplo). São questões que a tecnologia está preparada, mas o mercado não.

O estudo do dr. Doraiswamy e dos pesquisadores da Microsoft, Ryen W. White e Eric Horvitz, analisou mais de 30 milhões de pesquisas na plataforma de buscas Bing ao longo de 18 meses. Cerca de 700 usuários foram usados para identificar sintomas de Parkinson, enquanto o restante foi utilizado como grupo de controle. Os resultados técnicos foram publicados na NPJ Digital Medicine em abril deste ano e podem ser acessados aqui.

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