Em 2018,mais de 25% dos africanos pagaram suborno para ter acesso a serviços públicos

Ter que pagar um suborno por remédios que salvam vidas e documentos oficiais, como passaporte e carteira de motorista, pode parecer algo impensável para muitas pessoas. Mas é a realidade para mais de um quarto dos cidadãos africanos, de acordo com os resultados de uma nova pesquisa sobre corrupção no continente.

A décima edição do Barómetro Global de Corrupção – África, da organização Transparência Internacional, mostra que mais da metade dos 47.000 cidadãos nos 35 países pesquisados acreditam que seu país está se tornando mais corrupto – e que o governo não está fazendo o suficiente para resolver o problema. Mais de uma em cada quatro pessoas que responderam à pesquisa pagou suborno para acessar serviços públicos, desde saúde até educação,em 2018. Segundo o relatório, a corrupção está dificultando o desenvolvimento econômico, político e social da África, afetando o bem-estar de indivíduos, famílias e comunidades.

De todos os países pesquisados, as pessoas na República Democrática do Congo são as mais afetadas, onde 80% dos usuários de serviços públicos disseram ter pago suborno nos últimos 12 meses e 85% acham que a corrupção no país está piorando. Constatou-se que as Ilhas Maurício têm uma das taxas mais baixas de suborno do continente, com apenas 5% dos entrevistados relatando terem recorrido a essa prática em 2018. Dentre os países que participaram das pesquisas, os mais pobres são os mais atingidos pela corrupção – com o custo dos subornos, as famílias têm menos dinheiro para pagar por itens essenciais como remédios, alimentos e água.

A pesquisa também mostrou que os jovens com idades entre 18 e 34 anos são mais propensos a pagar subornos do que aqueles com mais de 55 anos. E em alguns países, incluindo Quênia, Malawi, Nigéria e Uganda, dois terços das pessoas temem retaliação se falarem sobre corrupção – portanto, as tais práticas acabam não sendo relatadas.

Quase metade dos entrevistados acredita que “a maioria ou todas as pessoas” na força policial são corruptas, seguidas por funcionários do governo e membros do parlamento como as figuras públicas menos confiáveis. No outro extremo da escala, apenas 16% das pessoas consideram os líderes religiosos corruptos. A polícia também recebe a maior taxa de suborno do continente, onde 28% das pessoas que tiveram relações com esse órgão relatam o pagamento de suborno para garantir o acesso a serviços públicos.

Quase um quarto (23%) daqueles que usam empresas de serviços públicos, incluindo eletricidade e água, pagou propinas a funcionários e um quinto pagou propinas para receber documentos de identificação, como passaportes. Escolas, clínicas públicas e centros de saúde também são destaque entre os serviços a quem as pessoas pagam subornos.

Apesar dos números alarmantes do continente africano, nós sabemos bem que a corrupção não é algo que acontece exclusivamente na África. O Índice de Percepção da Corrupção 2018, também da Transparência Internacional, classificou 180 países e territórios por seus níveis percebidos de corrupção no setor público, de acordo com especialistas e empresários. A descoberta foi que que dois terços dos países obtiveram pontuação abaixo de 50, com uma pontuação média de apenas 43 – em um índice onde “zero” significa altamente corrupto e uma pontuação perfeita de 100 significa que o país é “muito limpo”.

Enquanto isso, o relatório The Future of Trust and Integrity, desenvolvido pela Partnering Against Corruption Initiative, mostrou que os fluxos financeiros ilícitos custam aos países em desenvolvimento US$ 1,26 trilhão a cada ano. Mas também têm um impacto substancial nas economias desenvolvidas: estima-se que a União Europeia perca mais de US$ 159 bilhões por ano para a corrupção.

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Créditos – Imagem Destaque: Red Confidential / Shutterstock

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