Pobreza não é falta de caráter, é falta de dinheiro

E se as pessoas pobres não tivessem que lutar diariamente por sua sobrevivência? E se todas as pessoas tivessem o mínimo para sobreviver? Dinheiro para alimentação, educação e abrigo. Existe uma forma de alcançar um cenário como esse? Sim, existe. E o nome desse conceito é “renda básica universal”. Ou, como o historiador Rutger Bregman gosta de dizer: Dinheiro gratuito para todo mundo.

“Eu acredito num futuro em que o valor do nosso trabalho não seja determinado pelo nosso salário, mas pela felicidade que propagamos e pelo sentido que lhe damos. Acredito num futuro em que o sentido da educação não seja preparar-nos para mais um emprego inútil mas sim para uma vida bem vivida. Acredito num futuro em que uma existência sem pobreza não seja um privilégio mas sim um direito que todos nós merecemos.”

Essa solução consiste em uma política social onde todas as pessoas recebem do Estado uma renda básica mínima, um valor não taxado que é creditado mensalmente aos cidadãos – e eles podem fazer o que quiserem com o dinheiro.

A renda básica universal parece ser uma ótima ideia, mas há três argumentos contra ela:

  • É muito caro;
  • As pessoas vão parar de trabalhar;
  • Isso nunca vai acontecer.

Mas Rutger Bregman responde a cada uma das objeções em sua apresentação no TEDxMaastricht, de 2014 (que você pode conferir ao final desta publicação). E, na verdade, essas são questões razoavelmente fáceis de serem respondidas, uma vez que você olha para dados financeiros atuais e pesquisas já feitas ao longo dos anos.

De fato, erradicar a pobreza requer investimento. Em seu TED, Rutger Bregman diz que isso custaria aos EUA cerca de US$ 175 bilhões ao ano. O que parece um valor muito alto, mas na verdade corresponde a apenas 1/4 do investimento militar do país. Além disso, estima-se que os EUA gastem US$ 500 bilhões ao ano em questões relacionadas à pobreza infantil – saúde, evasão escolar e aumento da criminalidade. Não é uma questão de fazer mais dinheiro, mas sim de remanejar gastos. E depois de dez, ou talvez 20 anos, o investimento se pagará; já que o governo irá economizar em menos gastos com saúde, haverá menos crimes e haverá muito mais cidadãos produtivos.

No fim das contas, é tudo uma questão de prioridade.

Para conferir as respostas de Rutger Bregman a essas objeções e entender mais sobre como a renda básica pode ser a solução para um dos maiores problemas globais da atualidade, confira os dois TEDs do historiador (legendas em português estão disponíveis):

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