Paperfuge: a invenção para hemogramas inspirada em um brinquedo

Quando criança, na Índia, Manu Prakash se entretia com uma garrafa que girava em torno de duas cordas que ele puxava com os dedos. Hoje, como professor assistente da Universidade de Stanford (Califórnia), ele transformou o brinquedo em uma ferramenta acessível para ajudar a diagnosticar doenças, como a malária.

Prakash iniciou seu projeto após uma viagem para Uganda, em 2013. Durante uma visita a clínicas de saúde, ele reparou na ausência de centrífugas (usadas em hemogramas) que funcionassem, ou energia para fazer com que elas funcionassem. Com isso, ele não conseguia separar as amostras de sangue, o que o impedia de fazer simples diagnósticos de doenças.

“Uma clínica usava sua centrífuga quebrada como um peso de porta,” disse Prakash. “Quando nós voltamos da África, nos perguntamos se era possível fazer uma centrifugação sem eletricidade, usando apenas o ‘poder humano’.”

Outros pesquisadores já haviam feito a mesma pergunta de Prakash, e suas soluções foram encontradas em secadores de salada e batedores de ovos, mas esses utensílios conseguiam atingir apenas cerca de 1.200 r.p.m., o que fazia com que o processo fosse mais demorado. A partir disso, a equipe de Prakash saiu em busca de soluções melhores para esse problema e, então, o brinquedo citado no começo desses texto veio à tona e se transformou no Paperfuge, uma ferramenta fácil de ser utilizada, e que conseguia atingir 10.000 r.p.m..

Segundo o Tadashi Tokieda, professor de matemática aplicada na Universidade de Cambridge (UK), o que torna essa invenção especial é que ela transformou um objeto simples em algo extremamente útil.

Desde seus primeiros testes, o objeto foi otimizado e seu protótipo final pode alcançar 20.000 r.p.m., conseguindo separar o plasma do sangue em um minuto e meio; e detectando parasitas da malária em quinze minutos. E outro ponto muito importante é que seu custo foi de apenas US$ 0,20.

Para saber como o Paperfuge funciona e ver como ele está sendo aplicado mundo afora, assista ao vídeo abaixo:

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